{"id":4643,"date":"2013-04-08T02:27:54","date_gmt":"2013-04-08T02:27:54","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/08\/ditadura-militar-mitos-e-fatos-de-algo-que-nao-precisamos-mais\/"},"modified":"2013-04-08T02:27:54","modified_gmt":"2013-04-08T02:27:54","slug":"ditadura-militar-mitos-e-fatos-de-algo-que-nao-precisamos-mais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/08\/ditadura-militar-mitos-e-fatos-de-algo-que-nao-precisamos-mais\/","title":{"rendered":"Ditadura militar, mitos e fatos de algo que n\u00e3o precisamos mais"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Na condi\u00e7\u00e3o de professor de hist\u00f3ria vez em quando em deparo com questionamentos e coment\u00e1rios sobre o per\u00edodo da ditadura militar (1964-1985), o que considero natural, uma vez que o impacto daquele per\u00edodo para o povo em geral foi muito forte e muitas coisas e fen\u00f4menos com os quais lidamos atualmente em praticamente todos os campos da nossa vida est\u00e3o relacionados direta ou indiretamente \u00e0quele per\u00edodo. <span class=\"s1\" \/><br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4639\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/altair_freitas40399.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: top;\" \/>  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Vinte e um anos de governos autorit\u00e1rios, com muita gente presa, torturada, morta e exilada, com medidas econ\u00f4micas que causaram impactos profundos para a estrutura social e para o modo de pensar e se comportar, evidentemente deixaram reflexos diversos, prolongados, doloridos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, vinte e seis anos ap\u00f3s o fim daquele per\u00edodo e diante da atual realidade nacional, das crises pol\u00edticas -reais ou artificialmente produzidas &#8211; insatisfa\u00e7\u00f5es de todo tipo com a chamada &#8220;classe pol\u00edtica&#8221;, leva muita gente a se perguntar se uma ditadura militar n\u00e3o seria melhor do que o tipo de democracia que temos.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 1.3em;\">As perguntas ou coment\u00e1rios mais comuns costumam ser:<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">1) No tempo da ditadura havia mais civismo no povo. O brasileiro era mais nacionalista e n\u00e3o tinha tanta baderna como greves, passeatas, etc.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">2) A economia era melhor no tempo da ditadura;<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">3) A juventude tinha mais consci\u00eancia naquela \u00e9poca e lutava muito mais do que hoje;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">4) Nos tempos da ditadura n\u00e3o tinha tanta corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As percep\u00e7\u00f5es sobre tais quest\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o secund\u00e1rias e merecem uma an\u00e1lise mais detida uma vez que, se tomadas em seu conjunto, ou mesmo individualmente, dependendo da resposta que a ci\u00eancia da Hist\u00f3ria nos fornece, podemos tirar conclus\u00f5es absolutamente equivocadas. Ou corretas! Ent\u00e3o, \u00e0 luz dos fatos hist\u00f3ricos, fa\u00e7o coment\u00e1rios para cada um desses \u00edtens:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>1) No tempo da ditadura havia mais civismo no povo.<\/strong> O brasileiro era mais nacionalista e n\u00e3o tinha tanta greve, badernas, passeatas &#8211; O primeiro elemento a ser abordado para essa quest\u00e3o est\u00e1 no pr\u00f3prio car\u00e1ter ditatorial do regime de 64. Imposto a ferro e fogo, usando a intimida\u00e7\u00e3o, a tortura, a censura e outros mecanismos de controle social, o regime militar criava uma falsa apar\u00eancia de civismo, notadamente nos anos 70, ap\u00f3s os militares terem consolidado seu poderio sobre praticamente todas as esferas da vida p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nas escolas, a cartilha do regime era \u00fanica e as crian\u00e7as eram ensinadas a obedecer, obedecer e obedecer. Os movimentos sociais haviam sido dilacerados pela persegui\u00e7\u00e3o, pela repress\u00e3o. A censura castrava todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o. Era praticamente um &#8220;consenso de cemit\u00e9rio&#8221; o que havia na sociedade brasileira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Esse enorme aparato repressivo causava, portanto, a impress\u00e3o de que o brasileiro era ordeiro, cumpridor das regras e amava mais a p\u00e1tria. Amava? Amor \u00e9 o oposto do medo e o povo tinha medo, muito medo ap\u00f3s todo um per\u00edodo de guerra interna nos anos 60 &#8211; de 64 at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 70 &#8211; vencida pelos ditadores.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A paz social, ou aquilo o que parecia como paz, era imposta de cima para baixo e para largas parcelas do povo, que havia perdido suas principais lideran\u00e7as para as pris\u00f5es, mortes ou ex\u00edlios, o sil\u00eancio era a melhor resist\u00eancia. Mas conforme a roda da Hist\u00f3ria girou, tudo o que era aparentemente c\u00edvico e patri\u00f3tico desandou em profunda insatisfa\u00e7\u00e3o popular crescente. Com a crise econ\u00f4mica que se abateu sobre o Brasil em fun\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o econ\u00f4mica da ditadura, o povo, notadamente os trabalhadores organizados nos sindicatos, viu-se obrigado a resistir e lutar contra a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A partir de 78, 79, a classe oper\u00e1ria teve que organizar movimentos grevistas hist\u00f3ricos para combater o pr\u00f3prio empobrecimento causado pelo arrocho salarial. E a partir da\u00ed, nosso povo lan\u00e7ou-se em um amplo movimento mobilizador para derrotar a ditadura e redemocratizar o Brasil. Lutou pela democracia e pelo direito a se organizar e o fez nas ruas, afrontando o regime. Hoje, quando categorias profissionais e movimentos sociais os mais diversos fazem suas manifesta\u00e7\u00f5es livremente, isso n\u00e3o \u00e9 sinal de baderna. Mas de liberdade pol\u00edtica, conquistada ap\u00f3s muita luta, muito suor, muito sangue. Essa liberdade precisa ser valorizada e n\u00e3o criticada;<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><strong>2) A economia era melhor no tempo da ditadura &#8211; <\/strong>Outro mito muito disseminado pelos defensores do militarismo ditatorial brasileiro \u00e9 o de que naquela \u00e9poca nossa economia era muito melhor do que hoje. A ditadura militar vivenciou tr\u00eas per\u00edodos fundamentais no campo econ\u00f4mico:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A) entre o golpe e 1968, a economia n\u00e3o avan\u00e7ava e isso tornou-se um problema grave para legitimar o regime aos olhos do povo. Em linhas gerais, a infla\u00e7\u00e3o nos primeiros seis anos da ditadura manteve-se em patamares semelhantes ao per\u00edodo pr\u00e9 golpe, cerca de 4% ao ano e as pol\u00edticas anti inflacion\u00e1rias do regime (principalmente o controle sobre os sal\u00e1rios via arrocho salarial) levaram \u00e0 fal\u00eancias centenas de pequenas e m\u00e9dias empresas o que ampliou o desemprego global. Em contrapartida, o regime abriu ainda mais as portas do pa\u00eds \u00e0s multinacionais;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">B) Entre 68 e 73, a ditadura foi beneficiada pela entrada maci\u00e7a de d\u00f3lares a partir de uma agressiva pol\u00edtica de endividamento externo, facilitada pelo excesso de liquidez dessa moeda nos EUA e Europa, que precisavam investir esse enorme excedente de capitais, exportando-os para pa\u00edses do ent\u00e3o chamado &#8220;Terceiro Mundo&#8221;, como o Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entre 68 e 73 a d\u00edvida externa brasileira que era de U$ 4 bilh\u00f5es em 64, ano do golpe, praticamente quadruplicou gra\u00e7as aos enormes empr\u00e9stimos feitos pela ditadura. Essa dinheirama deu ao regime recursos para fazer a economia crescer rapidamente. O PIB passou a girar em torno de 10% ao ano. O cr\u00e9dito para a classe m\u00e9dia foi ampliado para o consumo de bens de consumo, notadamente autom\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Grandes obras passaram a ser erguidas (que ficaram conhecidas como &#8220;obras fara\u00f4nicas&#8221;). Novas empresas estatais foram criadas. No seu conjunto, esse per\u00edodo refor\u00e7ou a infraestrutura e tornou poss\u00edvel ampliar o mercado de trabalho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foi a era de ouro da ditadura e coincidiu com a dizima\u00e7\u00e3o quase absoluta dos grupos de esquerda que lhe faziam oposi\u00e7\u00e3o nas cidades, ainda que o regime tenha enfrentado a Guerrilha do Araguaia, dirigida pelo PCdoB entre 72 e 74, de modo geral, nas cidades, a esquerda armada estava dizimada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A jun\u00e7\u00e3o do predom\u00ednio pol\u00edtico com a expans\u00e3o econ\u00f4mica consolidou o poder da ditadura. Era o chamado &#8220;milagre brasileiro&#8221;. Contudo, vejamos bem, tal milagre tinha um pressuposto nefasto: a economia crescia na exata propor\u00e7\u00e3o do aumento da nossa depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos capitais estrangeiros e esse crescimento vitaminado por d\u00f3lares dos EUA e Europa teve consequ\u00eancias nefastas;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">C) A partir de 74 e arrastando-se at\u00e9 1984, o Brasil foi engolido pelo furac\u00e3o da crise econ\u00f4mica nos EUA e Europa. Se at\u00e9 72, 73, os capitais estrangeiros estavam dispon\u00edveis em profus\u00e3o, o in\u00edcio da grande crise econ\u00f4mica nos pa\u00edses capitalistas centrais obrigou o regime a devolver o dinheiro anteriormente emprestado acrescidos de enormes taxas de juros.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para piorar, esse tamb\u00e9m foi o per\u00edodo no qual os pa\u00edses exportadores de petr\u00f3leo bateram duro nos pa\u00edses consumidores e o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo explodiu, triplicando em dois anos. \u00c0 \u00e9poca, o Brasil importava de 70 a 80% do petr\u00f3leo que consumia e para tentar manter o ritmo do &#8220;milagre&#8221;, a ditadura intensificou o endividamento externo.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A partir de 76, 77, nossa economia volta-se para pagar as d\u00edvidas e para garantir os pagamentos aos credores internacionais os militares desenvolveram uma agressiva pol\u00edtica de exporta\u00e7\u00e3o de produtos para arrecadar d\u00f3lares para saldar os empr\u00e9stimos. Mas isso foi feito \u00e0s custas de um brutal arrocho salarial para garantir que o mercado interno consumisse menos para podermos exportar mais.<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Paralelamente ao arrocho, a infla\u00e7\u00e3o tornou-se incontrol\u00e1vel e a crise econ\u00f4mica e social foi inevit\u00e1vel, o que levou ao r\u00e1pido desgaste da ditadura a partir de 78 at\u00e9 chegarmos \u00e0s greves metal\u00fargicas do ABC e a todo o movimento de redemocratiza\u00e7\u00e3o &#8211; Anistia (79), elei\u00e7\u00e3o dos governadores estaduais (82), Diretas J\u00e1 (84) e fim da ditadura no in\u00edcio de 85 com a elei\u00e7\u00e3o de Tancredo Neves.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como podemos ver, a fase \u00e1urea da economia durante a ditadura foi na pr\u00e1tica um gigante com p\u00e9s de areia e o tipo de crescimento verificado naquele momento criou as condi\u00e7\u00f5es para o maior per\u00edodo hist\u00f3rico de crise cont\u00ednua da rep\u00fablica brasileira, estendendo-se, grosso modo, at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, quando o Brasil voltou a crescer de modo mais intenso e sem depender de empr\u00e9stimos estrangeiros;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A triste realidade de um pa\u00eds falido, de pires na m\u00e3o, pedindo esmola ao FMI<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><strong>3) Nos tempos da ditadura n\u00e3o tinha tanta corrup\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> Tinha sim, tanto ou mais quanto hoje mas a impress\u00e3o de que ela era menor se deve basicamente ao fato de que a brutal censura exercida sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o impediam que as maracutaias viessem a tona.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">E\u00a0a corrup\u00e7\u00e3o da ditadura tinha uma faceta variad\u00edssima. Envolvia a extors\u00e3o de empresas privadas para que elas participassem de &#8220;vaquinhas&#8221; para financiar grupos paramilitares (CCC, GAP, por exemplo) que mantinha esconderijos clandestinos para prender e torturar opositores do regime. Quem n\u00e3o contribu\u00eda perdia contratos governamentais ou acabava arrastado aos c\u00e1rceres como &#8220;simpatizantes do comunismo&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios esc\u00e2ndalos de propor\u00e7\u00f5es milion\u00e1rias surgiram no per\u00edodo, das cl\u00e1ssicas opera\u00e7\u00f5es de fraudes em licita\u00e7\u00f5es para obras, compras de equipamentos e superfaturamento (Transamaz\u00f4nica, Ponte Rio Niter\u00f3i, Usinas At\u00f4micas, Ferrovia dos Caraj\u00e1s, etc), os rumorosos esc\u00e2ndalos envolvendo a Caixa de Pec\u00falio dos Militares (CAPEMI) que ganhou licita\u00e7\u00e3o fajuta para extrair madeira no Par\u00e1 e o pagamento de gordas propinas aos operadores que viabilizavam os contratos de d\u00edvida externa mediante uma lauta comiss\u00e3o de, na m\u00e9dia, 10% sobre cada contrato firmado entre o governo brasileiro e os bancos.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Em 1984 o jornalista J. Carlos de Assis escreveu alguns livros mostrando os esc\u00e2ndalos do per\u00edodo militar. Um deles, o mais famoso, \u201cA Chave do Tesouro, anatomia dos esc\u00e2ndalos financeiros no Brasil: 1974\/83\u201d, revela essa corrup\u00e7\u00e3o. Alguns cap\u00edtulos: Caso Halles, Caso BUC, Caso Econ\u00f4mico, Caso Eletrobr\u00e1s, Caso UEB\/Rio-Sul, Caso Lume, Caso Ipiranga, Caso Aurea, Caso Lutfalla (fam\u00edlia de Paulo Maluf, marido de Sylvia Lutfalla), Caso Abdalla, Caso Atalla, Caso Delfin, Caso TAA. Uma festa generalizada com o dinheiro p\u00fablico. Nada mal para quem disse que iria moralizar o Brasil quando destitu\u00edram o presidente Goulart acusando seu governo, entre outras coisas, de abrigar corruptos. Uma vergonha em verde oliva!;<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4641\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/altair_freitas240400.jpg\" border=\"0\" width=\"415\" height=\"300\" style=\"vertical-align: middle;\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/altair_freitas240400.jpg 415w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/altair_freitas240400-300x217.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/p>\n<address><span style=\"line-height: 1.3em;\">O jornal &#8220;Movimento&#8221; buscava trazer \u00e0 luz do dia os esc\u00e2ndalos da ditadura sofria as agruras da censura<\/span><\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><strong>4) A juventude tinha mais consci\u00eancia naquela \u00e9poca e lutava muito mais do que hoje &#8211;<\/strong> Essa observa\u00e7\u00e3o envolve os saudosistas de lutas que n\u00e3o mais existem. A ditadura militar causou uma hecatombe no tecido pol\u00edtico brasileiro e obrigou \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o da luta pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Entre 64 e 70, surgiram v\u00e1rios grupos pol\u00edticos de esquerda, formados notadamente por estudantes universit\u00e1rios e trabalhadores oper\u00e1rios que se viram obrigados a confrontar um Estado Terrorista apoiado pol\u00edtica e economicamente falando pelos EUA.<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Essas lutas prolongaram-se at\u00e9 os anos 80 quando a ditadura terminou e elas foram fundamentais para o processo de acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as contra o regime. Al\u00e9m da necess\u00e1ria luta pela democracia a juventude &#8211; e os demais setores da sociedade brasileira, notadamente o movimento sindical e popular &#8211; defrontou-se com uma brutal crise econ\u00f4mica que piorava a cada ano o padr\u00e3o de vida da grande massa popular. Ora, nesse quadro dantesco de luta contra a ditadura e contra o empobrecimento acelerado causado pela concentra\u00e7\u00e3o da renda e pela crise econ\u00f4mica, \u00e9 mais do que natural que o povo &#8211; a juventude &#8211; travasse in\u00fameras lutas, pontuais e gerais.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4642\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/ditadura8.jpg40401.jpg\" border=\"0\" width=\"415\" height=\"300\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Nos nossos dias, pergunto eu, quais s\u00e3o de fato as grandes crises enfrentadas pela sociedade brasileira que obrigam o povo a lutar por democracia e melhoria econ\u00f4mica? \u00c9 \u00f3bvio que o Brasil est\u00e1 longe de ser um para\u00edso e ningu\u00e9m \u00e9 maluco de afirmar que tudo est\u00e1 resolvido. Mas ap\u00f3s 25 anos de redemocratiza\u00e7\u00e3o e com a grande recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que o Brasil vivencia nos \u00faltimos 10 anos, \u00e9 tamb\u00e9m natural que as lutas sejam de outro tipo, bem menos radicalizadas, o que d\u00e1 a falsa impress\u00e3o de que o povo -e a juventude &#8211; de hoje \u00e9 menos politizada do que antes. N\u00e3o \u00e9!<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">O que ocorre \u00e9 que cada gera\u00e7\u00e3o trava a sua luta conforme o tempo em que vive e n\u00e3o as lutas das gera\u00e7\u00f5es passadas, no mesmo patamar, com a mesma radicalidade e necessidade.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Vermelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na condi\u00e7\u00e3o de professor de hist\u00f3ria vez em quando em deparo com questionamentos e coment\u00e1rios sobre o per\u00edodo da ditadura militar (1964-1985), o que considero natural, uma vez que o impacto daquele per\u00edodo para o povo em geral foi muito forte e muitas coisas e fen\u00f4menos com os quais lidamos atualmente em praticamente todos os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4639,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4643"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4643\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4639"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}