{"id":465,"date":"2012-05-17T23:52:36","date_gmt":"2012-05-17T23:52:36","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/17\/brasil-tera-nova-narrativa-sobre-ditadura\/"},"modified":"2012-05-17T23:52:36","modified_gmt":"2012-05-17T23:52:36","slug":"brasil-tera-nova-narrativa-sobre-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/17\/brasil-tera-nova-narrativa-sobre-ditadura\/","title":{"rendered":"Brasil ter\u00e1 nova narrativa sobre ditadura"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-align: justify;\">Especialista fala sobre a import\u00e2ncia da Comiss\u00e3o da Verdade e diz que o trabalho do grupo pode ser um divisor de \u00e1guas no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">A presidente Dilma Rousseff empossou, nesta quarta-feira, os sete integrantes da Comiss\u00e3o da Verdade. O grupo \u2013 escolhido pela pr\u00f3pria presidente \u2013 ter\u00e1 a miss\u00e3o de esclarecer fatos da \u00e9poca da ditadura no Brasil.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-464\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/f_100815.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"201\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">De acordo com o texto sancionado por Dilma, durante dois anos, os membros da Comiss\u00e3o da Verdade v\u00e3o ouvir depoimentos em todo o pa\u00eds, al\u00e9m de requisitar e analisar documentos que ajudem a esclarecer as viola\u00e7\u00f5es de direitos cometidas pelo Estado contra os cidad\u00e3os. O texto diz ainda que\u00a0a comiss\u00e3o tem o objetivo de esclarecer fatos e n\u00e3o ter\u00e1 car\u00e1ter punitivo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">\u201cO Brasil \u00e9 o \u00faltimo pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina a dar andamento a essa comiss\u00e3o que busca esclarecer os per\u00edodos ditatoriais do s\u00e9culo 20\u201d, explica o professor Clodoaldo Cardoso, coordenador do Observat\u00f3rio de Educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos da Unesp (Universidade Estadual Paulista).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \"><strong>Veja palavras mais usadas no discurso da presidente Dilma<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">\u201cNo caso do Brasil, ir\u00e1 desvendar uma s\u00e9rie de crimes contra a sociedade, com objetivo de esclarecer alguns e lembrar outros j\u00e1 solucionados. Tudo isso ser\u00e1 formalizado em uma narrativa oficial\u201d, comentou Cardoso. Ainda de acordo com o professor, o Brasil vai reconhecer seus erros daquela \u00e9poca, \u201ccomo a Alemanha, que reconheceu o Holocausto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \"><strong>Per\u00edodo negro<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">A Comiss\u00e3o tem como objetivo apurar a\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o que s\u00e3o consideradas crimes em qualquer parte do mundo, como crimes de tortura \u2013 o que inclui estupro e abuso sexual, execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, assassinato e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">O professor destaca que o per\u00edodo ditatorial foi um \u201cper\u00edodo negro\u201d e a comiss\u00e3o vai passar isso a limpo e constituir uma narrativa oficial sobre o que realmente aconteceu naquela \u00e9poca. \u201cSe um Estado assume isso \u00e9 um compromisso para que n\u00e3o ocorra mais, pois, al\u00e9m do julgamento dos acusados, trata-se de crimes imprescrit\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">Segundo o especialista, a Comiss\u00e3o da Verdade fortalece as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas do Brasil, que vive uma cultura autorit\u00e1ria. Outra mudan\u00e7a significativa ser\u00e1 no campo educacional. \u201cToda essa mem\u00f3ria que tem que voltar \u00e0 tona pode contribuir para a reflex\u00e3o da juventude atual. Pode aumentar a participa\u00e7\u00e3o do jovem na sociedade e n\u00e3o deix\u00e1-los mais apenas focados em seu sonho pessoal\u201d, acredita Cardoso.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify; \">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \"><strong>Esp\u00edrito coletivo<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">\u201cVai trazer um esp\u00edrito coletivo, que foi um sonho muito comum na gera\u00e7\u00e3o de 1960. Isso tem que voltar, sen\u00e3o o Brasil n\u00e3o vai solucionar um dos grandes problemas do pa\u00eds, que \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o da democracia \u2013 acabando com a desigualdade, mis\u00e9ria e pobreza extrema; e tamb\u00e9m superar a cultura autorit\u00e1ria, patrimonial e machista que vivemos atualmente\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">Ainda para o professor, se o grupo designado para a miss\u00e3o cumprir seu papel, o resultado ser\u00e1 um divisor de \u00e1guas. Inclusive, \u201cvamos mudar at\u00e9 a hist\u00f3ria contada nos livros escolares\u201d, salienta. \u201cO pa\u00eds que n\u00e3o encara seu passado n\u00e3o avan\u00e7a. N\u00e3o d\u00e1 para ir em frente sem ver o passado\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">A comiss\u00e3o pode se refletir tamb\u00e9m na imagem do Brasil no exterior. &#8220;O pa\u00eds tem uma \u00f3tima imagem do ponto de vista econ\u00f4mico, mas p\u00e9ssima do ponto de vista social e de direitos humanos&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">Mas, ressalta ele, a Comiss\u00e3o da Verdade s\u00f3 vai atingir plenamente os seus objetivos se a popula\u00e7\u00e3o se envolver.\u00a0\u00a0&#8220;Est\u00e3o sendo criadas, por exemplo, Comiss\u00f5es da Verdade estaduais e municipais, como \u00e9 o caso de Bauru [interior de S\u00e3o Paulo]. Pode-se tamb\u00e9m criar centros de mem\u00f3rias e de resist\u00eancia a qualquer autoritarismo&#8221;, completa.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify; \">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \"><strong>A Comiss\u00e3o da Verdade<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">A Comiss\u00e3o da Verdade ser\u00e1 formada por Jos\u00e9 Carlos Dias (ex-ministro da Justi\u00e7a), Gilson Dipp (ministro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a), Rosa Maria Cardoso da Cunha (advogada), Cl\u00e1udio Fonteles (ex-procurador-geral da Rep\u00fablica), Paulo S\u00e9rgio Pinheiro (diplomata), Maria Rita Kehl (psicanalista) e Jos\u00e9 Cavalcante Filho (jurista).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">Segundo Cavalcante Filho, a comiss\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 um presidente. Ter\u00e1 um coordenador e, durante os dois anos de trabalho, todos os membros assumir\u00e3o, pelo menos uma vez, a coordena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify; \">Primeiramente, o grupo vai decidir quais s\u00e3o os objetivos, como a comiss\u00e3o vai funcionar e como vai interagir. O primeiro coordenador ser\u00e1 o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justi\u00e7a), Gilson Dipp, que vai nomear as pessoas para instalar fisicamente a comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista fala sobre a import\u00e2ncia da Comiss\u00e3o da Verdade e diz que o trabalho do grupo pode ser um divisor de \u00e1guas no pa\u00eds. A presidente Dilma Rousseff empossou, nesta quarta-feira, os sete integrantes da Comiss\u00e3o da Verdade. 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