{"id":4786,"date":"2013-04-13T02:03:18","date_gmt":"2013-04-13T02:03:18","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/13\/arquivos-da-ditadura-mostram-que-marin-foi-acusado-de-desviar-dinheiro\/"},"modified":"2013-04-13T02:03:18","modified_gmt":"2013-04-13T02:03:18","slug":"arquivos-da-ditadura-mostram-que-marin-foi-acusado-de-desviar-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/13\/arquivos-da-ditadura-mostram-que-marin-foi-acusado-de-desviar-dinheiro\/","title":{"rendered":"Arquivos da ditadura mostram que Marin foi acusado de desviar dinheiro"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Carreira pol\u00edtica do presidente da CBF foi marcada por irregularidades<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A carreira pol\u00edtica do presidente da CBF (Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol) e do COL (Comit\u00ea Organizador Local), Jos\u00e9 Maria Marin, foi marcada por diversas acusa\u00e7\u00f5es de irregularidades: caixa dois, utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina do governo em campanhas, desvios de dinheiro p\u00fablico e arma\u00e7\u00f5es eleitorais. \u00c9 o que mostram documentos em arquivos da ditadura obtidos pelo\u00a0UOL Esporte.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4785\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/83487_ext_arquivo.jpg\" border=\"0\" width=\"320\" height=\"215\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Marin em entrevista que se irritou por questionamentos em rela\u00e7\u00e3o a sua carreira na ditadura  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A reportagem pesquisou mais de 100 pap\u00e9is relacionados ao dirigente nos arquivos do Dops (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social), do SNI (Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00e3o), \u00f3rg\u00e3os que reuniam as investiga\u00e7\u00f5es do regime, e na Assembleia Legislativa. Nesta sexta-feira, publica a segunda mat\u00e9ria da s\u00e9rie sobre a atua\u00e7\u00e3o de Marin como pol\u00edtico nos anos de chumbo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante lembrar que pol\u00edticos alinhados com o regime militar tamb\u00e9m eram investigados pela vigil\u00e2ncia governamental. Marin era tido como &#8220;integrado&#8221; ao regime militar.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Sua carreira se inicia como vereador em 1964, pouco antes do golpe militar, com base pol\u00edtica em Santo Amaro, bairro da zona sul da capital de S\u00e3o Paulo. Em seu segundo mandato na C\u00e2mara de Vereadores, apareceram as primeiras acusa\u00e7\u00f5es de irregularidades.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em 1969, Arnaldo Toledo Salgado denunciou que &#8220;a &#8220;suntuosa&#8221; campanha eleitoral de Marin era custeada, em parte, &#8220;por dinheiro recebido de firmas e feirantes, cuja situa\u00e7\u00e3o nas feiras era irregular&#8221;. A informa\u00e7\u00e3o constam da ficha no SNI sobre Marin.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Um ano depois, em 1970, outro relat\u00f3rio do \u00f3rg\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Aeron\u00e1utica apontou que o subprefeito de Santo Amaro, Fernando Walter, &#8220;\u00e9 omisso e um inocente \u00fatil nas m\u00e3os da politicalha do vereador Jos\u00e9 Maria Marin&#8221;. Um aliado do pol\u00edtico, indicado como &#8220;esquerdista&#8221;, \u00e9 quem que, de fato, despacharia os assuntos na subprefeitura. Ressalte-se: o Marin n\u00e3o teve nenhuma atividade de esquerda ou subversiva (contra o governo).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O mesmo documento tinha tamb\u00e9m informa\u00e7\u00e3o de que o gabinete da subprefeitura era usado para reuni\u00f5es com professores para obten\u00e7\u00e3o de apoio pol\u00edtico e que o carro oficial era utilizado em sua campanha \u2013 na \u00e9poca, se candidataria a deputado estadual.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o per\u00edodo em que Marin se aproximou de Paulo Maluf. Foi com ele que o atualmente cartola formou a chapa na conven\u00e7\u00e3o da Arena (Alian\u00e7a Renovadora Nacional) para o governo do Estado. Conseguiram o direito a se candidatar, derrotando o ex-governador Laudo Natel por uma margem de votos de 28 votos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A conven\u00e7\u00e3o \u00e9 cercada de irregularidades como registra o processo no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), iniciado ap\u00f3s recurso de Laudo Natel. Havia uma discrep\u00e2ncia no n\u00famero de participantes do pleito e nos votos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No meio da vota\u00e7\u00e3o, ocorreu um inc\u00eandio que levou \u00e0 evacua\u00e7\u00e3o do local. Na confus\u00e3o, duas testemunhas relataram ter visto o deputado estadual Nabi Abi Chedid, ex-presidente da CBF e aliado de Maluf, a colocar votos de volta na urna. Houve tr\u00eas erros seguidos na contagem de votos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Bastam essas refer\u00eancias para se averiguar que a conven\u00e7\u00e3o da Arena n\u00e3o transcorreu normalmente, sendo vis\u00edvel a ocorr\u00eancia de irregularidades a n\u00edvel de fraude&#8221;, relatou o juiz Gomes Martins, do TRE. Sua posi\u00e7\u00e3o foi derrotada: o TRE aprovou a resultado da conven\u00e7\u00e3o por 5 a 1, o que foi referendado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O presidente da Rep\u00fablica, Ernesto Geisel, apoiara Natel, mas aceitou referendar a candidatura da chapa Marin\/Maluf ap\u00f3s decis\u00f5es do tribunal.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Como vice-governador, Marin se envolveu no caso de maior repercuss\u00e3o de sua carreira: as fraudes na Caixa Econ\u00f4mica Estadual. Sua participa\u00e7\u00e3o est\u00e1 registrada em documentos da Comiss\u00e3o Especial de Inqu\u00e9rito, arquivados na Assembleia Legislativa.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A Caixa Econ\u00f4mica fez empr\u00e9stimos vultosos a empresas da regi\u00e3o de Santo Amaro, base pol\u00edtica de Marin. Logo depois, as firmas faliram e nunca pagaram o dinheiro. Depois, descobriu-se que os documentos que possibilitaram os empr\u00e9stimos eram fraudulentos. O caso levou \u00e0 demiss\u00e3o de toda a diretoria do banco e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Um dos diretores respons\u00e1veis por conceder empr\u00e9stimos era Pl\u00ednio Schimidt. \u00c0 comiss\u00e3o, Marin confirmou que Schimidt tinha sido seu s\u00f3cio e seu assessor, o que o levou a indic\u00e1-lo \u00e0 diretoria da Caixa.\u00a0 Deputados estaduais de oposi\u00e7\u00e3o afirmaram que havia ind\u00edcios de que o pr\u00f3prio vice-governador pedira pela libera\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ouvido pela comiss\u00e3o, Marin negou: &#8220;N\u00e3o posso fazer nenhuma rela\u00e7\u00e3o desses empr\u00e9stimos com a figura do vice-governador porque acho que v\u00e1rios empr\u00e9stimos foram realizados (&#8230;) para Santo Amaro&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O ent\u00e3o vice-governador admitiu, por\u00e9m, ainda ser amigo naquela \u00e9poca de Schimidt. Sem maioria na assembleia, a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu dar seguimento \u00e0 comiss\u00e3o, que foi arquivada sem relat\u00f3rio final.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Como governador a partir de mar\u00e7o de 1982, Marin voltou a ser envolvido em acusa\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o como mostra relat\u00f3rio do SNI daquele ano. Desta vez, foi acusado de demitir o diretor da Eletropaulo por n\u00e3o aceitar desviar dinheiro da empresa para campanha eleitoral.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;O ex-governador Abreu Sodr\u00e9 est\u00e1 convencido de que a sua demiss\u00e3o da Eletropaulo foi consequ\u00eancia de haver-se negado a desviar (&#8230;) uma verba de oitenta bilh\u00f5es de cruzeiros daquela Empresa para a campanha eleitoral de Reynaldo Barros (postulante do Arena a prefeito de S\u00e3o Paulo)&#8221;, relata o relat\u00f3rio do SNI.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Abreu Sodr\u00e9, da mesma corrente do ent\u00e3o governador, quando se recusou a desviar o dinheiro, um funcion\u00e1rio ligado a Marin sugeriu que arrecadasse verbas com empresas fornecedoras da Eletropaulo para financiar a campanha.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><span> <\/span><span> <\/span>Segundo documento do SNI, o ex-governador Abreu Sodr\u00e9 acusou um funcion\u00e1rio ligado a Marin de cometer irregularidades e favorecer empresas na Eletropaulo, al\u00e9m de lhe pedir para desviar dinheiro para a campanha. De acordo com o documento, o caso n\u00e3o se tornou p\u00fablico porque Jos\u00e9 Sarney pediu a Sodr\u00e9 para n\u00e3o mencionar o problema porque isso prejudicaria o PDS, partido de todos eles.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m como governador, Marin foi acusado pela oposi\u00e7\u00e3o de usar a m\u00e1quina em favor de Paulo Maluf, ent\u00e3o candidato a deputado federal. Relatos de parlamentares estaduais de oposi\u00e7\u00e3o feitos na assembleia apontaram que Maluf usava o carro oficial mesmo ap\u00f3s se desligar do governo, o pal\u00e1cio foi utilizado em um banquete para 1.500 delegados da Arena e havia propaganda oficial com o nome de Maluf na televis\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em outro documento do SNI, de 1983, foi apontado que haveria abertura de comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito para investigar as contas da dupla Marin\/Maluf nos anos de 81 e 82. Isso porque foi constatado que a Paulipetro (empresa de Petr\u00f3leo paulista) pagara por viagens luxuosas, banquetes e at\u00e9 flores, sem rela\u00e7\u00e3o com os fins da empresa. As contas dos dois foram reprovadas, mas n\u00e3o houve comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Questionado pelo\u00a0UOL Esporte\u00a0sobre os fatos relatados nos arquivos da ditadura, Marin se negou a falar sobre o assunto. Em texto \u00e0 &#8220;Folha de S. Paulo&#8221;, afirmou que era do partido do governo, mas que era &#8220;sabido por todos (&#8230;) que os deputados n\u00e3o tinham o menor poder sobre os \u00f3rg\u00e3os do Estado&#8221;. Completou:<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ningu\u00e9m deve negar a pr\u00f3pria biografia. E a minha vida p\u00fablica sempre foi (&#8230;) pautada pelos princ\u00edpios republicanos que at\u00e9 hoje me guiam&#8221;, disse, afirmando ter aprendido que &#8220;liberdade e justi\u00e7a&#8221; andam juntas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi com as flores da Paulipetro que Marin se despediu da vida pol\u00edtica. O SNI tamb\u00e9m registrou que, em 1983, ele foi &#8220;fortemente vaiado&#8221; na passagem de faixa para o governador eleito Franco Montoro.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Tribuna Hoje<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carreira pol\u00edtica do presidente da CBF foi marcada por irregularidades A carreira pol\u00edtica do presidente da CBF (Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol) e do COL (Comit\u00ea Organizador Local), Jos\u00e9 Maria Marin, foi marcada por diversas acusa\u00e7\u00f5es de irregularidades: caixa dois, utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina do governo em campanhas, desvios de dinheiro p\u00fablico e arma\u00e7\u00f5es eleitorais. \u00c9 o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4786"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4786"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4786\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4786"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4786"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4786"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}