{"id":4833,"date":"2013-04-16T02:29:28","date_gmt":"2013-04-16T02:29:28","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/16\/ativista-paraguaio-que-descobriu-arquivo-do-terror-vai-depor-a-comissao-da-verdade\/"},"modified":"2013-04-16T02:29:28","modified_gmt":"2013-04-16T02:29:28","slug":"ativista-paraguaio-que-descobriu-arquivo-do-terror-vai-depor-a-comissao-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/16\/ativista-paraguaio-que-descobriu-arquivo-do-terror-vai-depor-a-comissao-da-verdade\/","title":{"rendered":"Ativista paraguaio que descobriu Arquivo do Terror vai depor \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ativista Martin Almada, 76 anos, que descobriu o &#8216;Arquivo do Terror&#8217; paraguaio, em 1992, e que recebeu em 2002 o Pr\u00eamio Nobel Alternativo (entregue pelo parlamento sueco), aceitou convite para prestar depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), em Bras\u00edlia, em junho pr\u00f3ximo, em sess\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4832\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/martin_almada.jpg\" border=\"0\" width=\"250\" height=\"344\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A proposta foi discutida na \u00faltima ter\u00e7a, 09\/04, no Rio de Janeiro com a advogada Rosa Cardoso, membro da CNV e coordenadora do grupo de trabalho que investiga a Opera\u00e7\u00e3o Condor, a conex\u00e3o repressiva clandestina entre as ditaduras do Cone Sul, que perseguiu, sequestrou e matou milhares de dissidentes pol\u00edticos nas d\u00e9cadas de 70 e 80.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de Rosa e Almada, participaram do encontro o advogado Modesto da Silveira, o Coordenador da Comiss\u00e3o sobre Mortos e Desaparecidos da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Gilles Gomes, a assessora da CNV Nadine Borges e o colaborador da CNV, Luiz Cl\u00e1udio Cunha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rosa Cardoso debateu com Almada uma agenda de trabalho com foco em dois temas: os 20 anos da descoberta do &#8216;Arquivo do Terror&#8217;, um acervo de tr\u00eas toneladas de documentos hoje tombado pela Unesco como patrim\u00f4nio da mem\u00f3ria mundial e o testemunho direto de uma v\u00edtima da Condor no Paraguai em um caso que contou com a participa\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O acervo do arquivo pode ser acessado, via internet, aqui:<a href=\"http:\/\/www.unesco.org\/webworld\/paraguay\/\">http:\/\/www.unesco.org\/webworld\/paraguay\/<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em novembro de 1974, voltando do ex\u00edlio na Fran\u00e7a, fui preso, torturado e levado a um tribunal militar clandestino em Assun\u00e7\u00e3o, integrado por outros cinco pa\u00edses, al\u00e9m do Paraguai: Chile, Argentina, Uruguai, Bol\u00edvia e Brasil. Todos os militares usavam \u00f3culos escuros. O primeiro a me interrogar foi um coronel chileno, seguido por um argentino. Na sequ\u00eancia, fui interrogado por um brasileiro, que n\u00e3o identifiquei pelo posto. Tudo o que eu queria saber era a raz\u00e3o de ser torturado em meu pa\u00eds por militares estrangeiros. Ali, foi a primeira vez que ouvi a palavra Condor&#8221;, lembrou Almada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Prisioneiro durante 1.000 dias da ditadura de Alfredo Stroessner, Almada passou a maior parte do tempo em que ficou preso num campo de concentra\u00e7\u00e3o militar na capital paraguaia, que abrigava cerca de 400 prisioneiros.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>EXPLOS\u00c3O DA MEM\u00d3RIA \u2013<\/strong> Martin Almada, consultor da Unesco para a Am\u00e9rica Latina, durante muitos anos foi considerado &#8216;persona non grata&#8217; pelos regimes militares que imperavam na regi\u00e3o. An\u00f4nimo professor de escola prim\u00e1ria no Paraguai, era hostilizado e perseguido pelo Governo Stroessner pela devo\u00e7\u00e3o aos textos de dois &#8216;subversivos&#8217; brasileiros: o educador Paulo Freire, autor de Pedagogia do Oprimido, e o soci\u00f3logo Fernando Henrique Cardoso, mentor da Teoria da Depend\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu n\u00e3o era comunista, nem anticomunista. Era apenas um professor prim\u00e1rio. Mesmo assim, era definido pela repress\u00e3o como um &#8216;terrorista, intelectual e ignorante&#8217;. Toda ditadura sempre tem a voca\u00e7\u00e3o do rid\u00edculo&#8221;, lembrou Almada, que at\u00e9 hoje enfrenta nos bairros mais nobres de Assun\u00e7\u00e3o a hostilidade gratuita por seu ativismo. &#8220;\u00c0s vezes, num carro de luxo, algu\u00e9m me reconhece, freia, abaixa o vidro e grita: &#8216;Bolchevique! Eu te odeio&#8217;. Eu apenas respondo: &#8216;Pois eu te amo&#8217;. E a vida segue&#8221;, diz Almada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Martin Almada lembra que o Paraguai n\u00e3o passou ileso por 35 anos da ditadura Stroessner, derrubada em 1989. &#8220;O medo era a segunda pele dos paraguaios. Era preciso vencer o medo&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ele conta que isso come\u00e7ou a ser superado em 1993, quando se instituiu um in\u00e9dito Tribunal \u00c9tico de Consci\u00eancia, destinado a julgar um general que atemorizava o pa\u00eds com seu poder no aparato repressivo. Durante 40 anos, o general Ram\u00f3n Duarte Vera atuou tamb\u00e9m com o narcotr\u00e1fico e acabou condenado em 1994, para espanto do pa\u00eds, a 12 anos de pris\u00e3o. O tribunal era composto por 13 pessoas: seis de esquerda e outros seis de direita. O presidente da corte era o pr\u00f3prio Almada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Isso tudo provocou uma explos\u00e3o de mem\u00f3ria. A atua\u00e7\u00e3o dessa corte de consci\u00eancia aqueceu o pa\u00eds e nos ajudou a superar o medo&#8221;, recorda ele. Todas as sess\u00f5es do tribunal foram transmitidas ao vivo e com boletins distribu\u00eddos \u00e0 imprensa do pa\u00eds e do exterior. &#8220;Com o apoio da opini\u00e3o p\u00fablica e a presen\u00e7a da m\u00eddia, conseguimos enfrentar e vencer o medo&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Comiss\u00e3o Nacional da Verdade\u00a0Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ativista Martin Almada, 76 anos, que descobriu o &#8216;Arquivo do Terror&#8217; paraguaio, em 1992, e que recebeu em 2002 o Pr\u00eamio Nobel Alternativo (entregue pelo parlamento sueco), aceitou convite para prestar depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), em Bras\u00edlia, em junho pr\u00f3ximo, em sess\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4833"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4833"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4833\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}