{"id":4846,"date":"2013-04-16T02:40:52","date_gmt":"2013-04-16T02:40:52","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/16\/universidade-metodista-de-piracicaba-foi-fichada-pela-ditadura-nos-anos-80\/"},"modified":"2013-04-16T02:40:52","modified_gmt":"2013-04-16T02:40:52","slug":"universidade-metodista-de-piracicaba-foi-fichada-pela-ditadura-nos-anos-80","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/16\/universidade-metodista-de-piracicaba-foi-fichada-pela-ditadura-nos-anos-80\/","title":{"rendered":"Universidade Metodista de Piracicaba foi &#8216;fichada&#8217; pela ditadura nos anos 80"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Documentos comprovam que Unimep foi investigada durante per\u00edodo.\u00a0Estado monitorou eventos acad\u00eamicos, greves e demiss\u00e3o de reitor.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4841\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/unimep_anos80_1.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Estado investigou greves e paralisa\u00e7\u00f5es em 1985\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>na Unimep (Foto: Arquivo\/Acervo IEP.CCMW\/IEP)  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A Universidade Metodista de <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sp\/piracicaba-regiao\/cidade\/piracicaba.html\">Piracicaba<\/a> (SP) foi uma das institui\u00e7\u00f5es investigadas pelo extinto Departamento Estadual de Ordem Pol\u00edtica e Social em S\u00e3o Paulo (Deops), que teve documentos digitalizados e liberados para consulta p\u00fablica no \u00faltimo dia 1\u00b0 de abril. Eventos acad\u00eamicos, greves de professores e alunos e a demiss\u00e3o de um reitor constam nos arquivos. A Unimep foi fichada na d\u00e9cada de 1980, durante e depois do final da ditadura (1964 &#8211; 1985) no Brasil.<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>Cerca de um milh\u00e3o de p\u00e1ginas de documentos foram digitalizados pela Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos do Arquivo P\u00fablico de S\u00e3o Paulo em parceria com o projeto Marcas da Mem\u00f3ria, da Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O Deops, criado na d\u00e9cada de 1920 e extinto no final dos anos 80, tinha como objetivo prevenir e reprimir crimes considerados de ordem pol\u00edtica e social contra a seguran\u00e7a do Estado. Para isso, monitorava as atividades de pessoas e grupos considerados potencialmente perigosos \u00e0 ordem vigente. O \u00f3rg\u00e3o ganhou maior visibilidade durante a ditadura militar.<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>A Unimep foi investigada pelo Deops entre 1983 e 1986. Segundo informa\u00e7\u00f5es analisadas peloG1 na \u00faltima sexta-feira (12), foram registrados 33 eventos em cinco fichas. O primeiro foi um semin\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o popular realizado na institui\u00e7\u00e3o em 15 de junho de 1983.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima ficha \u00e9 de tr\u00eas anos depois e registra uma entrevista do reitor que assumiu a institui\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, Almir de Souza Maia para a imprensa. O notici\u00e1rio do per\u00edodo abordava novas metas da gest\u00e3o da Unimep.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Demiss\u00e3o de Boaventura<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Um dos casos monitorados pelo Deops aconteceu entre 12 de janeiro e 22 de fevereiro de 1985. Na ocasi\u00e3o, o ent\u00e3o reitor da institui\u00e7\u00e3o, Elias Boaventura, e o vice, Almir de Souza Maia, foram retirados dos cargos pelo Conselho Diretor da universidade. Ocorreram protestos de alunos e funcion\u00e1rios que pediam a volta dos dirigentes.<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>O momento mais grave da crise foi no dia 18 de janeiro, quando o ent\u00e3o bispo metodista Messias Adriano, executor da interven\u00e7\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o, afirmou \u00e0 imprensa que a crise administrativa poderia levar ao fechamento da universidade. No dia 22 de fevereiro Boaventura, de volta ao cargo, pediu concilia\u00e7\u00e3o. Ele faleceu no dia 7 de janeiro de 2012, ap\u00f3s sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Sylvana Zein, de 55 anos, foi casada com Elias Boaventura entre 1988 e 2012. Analista financeira, trabalhou na administra\u00e7\u00e3o da Unimep entre 1976 e 2011. Ela disse ao G1 que a universidade, na \u00e9poca da ditadura, era monitorada pelos militares. \u201cExistiam pessoas do governo infiltradas entre estudantes e professores, assim como em outras universidades.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4843\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/unimep_anos80_2.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address>Estado apurou fatos ap\u00f3s demiss\u00e3o de reitor da\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">Unimep (Foto: Arquivo\/Acervo IEP.CCMW\/IEP)<\/span><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Sylvana disse que o marido chegou a receber amea\u00e7as do CCC (Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas). \u201cHouve um tempo em que os filhos dele tiveram de andar com seguran\u00e7as\u201d, afirmou a esposa de Boaventura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Greves<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A\u00e7\u00f5es grevistas eram frequentemente monitoradas pela ditadura e atos dessa natureza tamb\u00e9m chamaram a aten\u00e7\u00e3o do regime para a Unimep. Todos os professores entraram em greve no dia 21 de setembro de 1984 e 6.000 alunos da institui\u00e7\u00e3o ficaram sem aulas. A greve terminou no dia 27 de setembro. Menos de um ano depois, em 25 de junho de 1985, 50 alunos invadiram a sede da reitoria para pedir a revoga\u00e7\u00e3o do reajuste das mensalidades. A invas\u00e3o acabou dois dias depois.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Import\u00e2ncia hist\u00f3rica<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A soci\u00f3loga e professora da Unimep, Concei\u00e7\u00e3o Fornasari, disse que a divulga\u00e7\u00e3o de documentos da \u00e9poca da ditadura \u00e9 um &#8220;momento hist\u00f3rico&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Pesquisadores tinham uma dificuldade muito grande para desenvolver trabalhos sobre o assunto pois n\u00e3o tinham acesso a muitos documentos. Do ponto de vista pol\u00edtico e de direitos humanos, \u00e9 um momento hist\u00f3rico porque nos ajuda a prevenir que erros do passado n\u00e3o sejam cometidos novamente&#8221;, afirmou.<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>Concei\u00e7\u00e3o, que dava aulas na Unimep durante a sa\u00edda e a recondu\u00e7\u00e3o do reitor Elias Boaventura ao cargo, disse que momentos como aquele ajudaram a reconduzir o Brasil \u00e0 uma democracia. &#8220;Foram tr\u00eas momentos. O de organiza\u00e7\u00e3o, quando professores, alunos e funcion\u00e1rios ocuparam a universidade para protestar, o de resist\u00eancia, quando permanecemos dentro dos pr\u00e9dios e o da vit\u00f3ria, quando Boaventura foi reconduzido ao cargo.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documentos comprovam que Unimep foi investigada durante per\u00edodo.\u00a0Estado monitorou eventos acad\u00eamicos, greves e demiss\u00e3o de reitor. 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