{"id":4888,"date":"2013-04-17T19:25:33","date_gmt":"2013-04-17T19:25:33","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/17\/icone-da-esquerda-na-ditadura-afonsinho-diz-ver-gestao-marin-comprometida\/"},"modified":"2013-04-17T19:25:33","modified_gmt":"2013-04-17T19:25:33","slug":"icone-da-esquerda-na-ditadura-afonsinho-diz-ver-gestao-marin-comprometida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/17\/icone-da-esquerda-na-ditadura-afonsinho-diz-ver-gestao-marin-comprometida\/","title":{"rendered":"\u00cdcone da esquerda na ditadura, Afonsinho diz ver gest\u00e3o Marin comprometida"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em um certo dia de 1971, no auge da tens\u00e3o repressora do regime militar no Brasil, o meia Afonsinho teve a combina\u00e7\u00e3o de barba e cabelos compridos considerada como &#8220;subversiva&#8221; por seu clube. O jogador do Botafogo ent\u00e3o se recusou a adaptar o visual e foi impedido de atuar pela diretoria. Assim, resolveu ir \u00e0 Justi\u00e7a para se tornar o primeiro atleta do pa\u00eds a conquistar o passe livre, instantaneamente virando um emblema de liberdade, um \u00edcone para a resist\u00eancia da esquerda. Hoje, \u00a0mais de 40 anos depois, o m\u00e9dico aposentado diz ainda ver resqu\u00edcios da ditadura no futebol nacional e afirma que a gest\u00e3o de Jos\u00e9 Maria Marin \u00e0 frente da CBF est\u00e1 comprometida.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4880\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/ex-jogador-afonsinho-pioneiro-na-briga-pelo-passe-no-futebol-brasileiro-1365532046680_615x300.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"150\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Ex-jogador Afonsinho, pioneiro na briga pelo passe, acima com o visual considerado &#8220;subversivo&#8221;  <!--more-->  <\/address>\n<address><\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O atual chefe do futebol brasileiro, que acumula a presid\u00eancia do Comit\u00ea Organizador da Copa, tem um passado de rela\u00e7\u00f5es estreitas com a ditadura. Como deputado nos anos 70, Marin elogiou delegado torturador em discursos oficiais. Tamb\u00e9m carrega participa\u00e7\u00e3o hoje inc\u00f4moda no enredo da morte do Vladimir Herzog, assassinado pelo regime, em um dos casos mais c\u00e9lebres dos anos de chumbo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao UOL Esporte, Afonsinho usa palavras cautelosas, mas diz entender que uma mudan\u00e7a na posi\u00e7\u00e3o n\u00famero 1 do futebol brasileiro \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Marin j\u00e1 era o vice do [Ricardo] Teixeira, que estava envolvido em implica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o d\u00e1 para tirar agora, s\u00f3 se acontecer alguma outra coisa. A Copa j\u00e1 est\u00e1 a\u00ed, no ano que vem (&#8230;) Preciso ter muito cuidado para n\u00e3o ser leviano, mas as informa\u00e7\u00f5es implicam demais ele (Marin). O neg\u00f3cio \u00e9 mudar&#8221;, declarou o antigo jogador.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para o percursor do passe livre no futebol brasileiro, os resqu\u00edcios da ditadura no futebol brasileiro v\u00e3o al\u00e9m da presen\u00e7a no poder do antigo pol\u00edtico do partido de sustenta\u00e7\u00e3o do governo militar (Arena). Afonsinho h\u00e1 algum tempo sustenta que o jejum de Copas da sele\u00e7\u00e3o entre 1970 e 1994 teria tido influ\u00eancia dos anos sob governo militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Impressionante como ningu\u00e9m faz essa associa\u00e7\u00e3o [entre a ditadura e o jejum de Copas de 1970-94]. Costumava-se creditar o t\u00edtulo de 70 ao regime, mas n\u00e3o vejo assim. O trabalho daquela gera\u00e7\u00e3o de 58, com Pel\u00e9, Garrincha, Didi, rendeu at\u00e9 70. Foi o ultimo fruto desse trabalho vencedor do futebol brasileiro. Depois levou 24 anos de jejum, com uma ideia equivocada, um descaminho&#8221;, opina.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o tenho a menor d\u00favida. A interven\u00e7\u00e3o da ditadura&#8230; o futebol paga por ela at\u00e9 hoje. Tem essa discuss\u00e3o do Marin, a maneira como as coisas demoram a desenroscar. Existe muito resqu\u00edcio. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 muito direta, pode ver.\u00a0A interven\u00e7\u00e3o militar [no esporte] foi muito clara. Nas empresas eram atrav\u00e9s de supervisores. No futebol era com militares dirigentes, militares treinadores, membros da comiss\u00e3o t\u00e9cnica. O regime se misturava com todos os setores da sociedade&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\"><strong>AFONSINHO, O JOGADOR<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4885\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/o-ex-jogador-de-futebol-afonsinho-com-a-camisa-do-santos-1333047630537_142x100.jpg\" border=\"0\" width=\"142\" height=\"100\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p3\">Nascido em Mar\u00edlia em 1947, Afonso Celso Garcia Reis foi um meia de destaque no futebol brasileiro nos anos 60. Foi revelado pelo XV de Ja\u00fa em 1962, com transfer\u00eancia para o Botafogo tr\u00eas anos mais tarde. No Rio, foi campe\u00e3o algumas vezes, inclusive como capit\u00e3o do time vencedor da Ta\u00e7a Brasil-68.<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1970 Afonsinho foi para o Olaria, mas no mesmo ano voltou para o elenco botafoguense. O atleta tamb\u00e9m defendeu as cores de Santos [ao lado de Pel\u00e9], Flamengo, Am\u00e9rica-MG, Madureira e Fluminense.<\/p>\n<p class=\"p4\"><strong>EX-JOGADOR TEVE A\u00c7\u00d5ES VIAGIADAS DURANTE A DITADURA<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\">Assim como muitas personalidades dos anos 60 e 70, Afonsinho foi monitorado por \u00f3rg\u00e3os repressores do regime militar. Em \u00e9poca de ditadura, a revolta de um jogador contra o sistema em vigor acabou marcando o atleta como uma esp\u00e9cie de emblema pela liberdade. Imediatamente o meia se tornou uma bandeira inc\u00f4moda para o regime, mas, do lado contr\u00e1rio, um tipo de s\u00edmbolo para a classe art\u00edstica mais engajada \u00e0 esquerda. Assim, virou tema de m\u00fasica de Gilberto Gil (&#8220;Meio de Campo&#8221;) e inspirou um document\u00e1rio sobre o passe livre, que examinava as rela\u00e7\u00f5es de trabalho no futebol brasileiro.<\/p>\n<p class=\"p4\">Antes ainda da reivindica\u00e7\u00e3o do passe, Afonsinho j\u00e1 havia flertado com o engajamento contra a ditadura militar no pa\u00eds. Ap\u00f3s um dos incidentes mais emblem\u00e1ticos dos anos de chumbo, com o assassinato do estudante Edson Lu\u00eds Souto e as consequentes manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas do Rio, o ex-jogador chegou a participar de uma reuni\u00e3o para discutir sua entrada na luta armada. Isso foi em 1968.<\/p>\n<p class=\"p4\">&#8220;Senti muito de perto, um bafo. Em determinado momento, como jogador de futebol e como estudante universit\u00e1rio tamb\u00e9m. Os estudantes se mobilizam muito tamb\u00e9m, sempre. Tomei uma posi\u00e7\u00e3o, inadaptada a qualquer ideia de ditadura. Depois de um tempo me deram umas anota\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a a meu respeito&#8221;, relata.<\/p>\n<p class=\"p4\">&#8220;Sei que fui vigiado, tinha umas pastas sobre mim. Em uma excurs\u00e3o internacional com o Santos, um jornalista teve muita hombridade de me avisar. Me procurou para dizer que tinham feito contato com ele. Queriam saber onde eu andava nas viagens. Existiam boatos de que eu procurava contato de embaixadas de pa\u00edses socialistas&#8221;, agrega o ex-jogador.<\/p>\n<p class=\"p4\">Apesar das profundas transforma\u00e7\u00f5es nas \u00faltimas d\u00e9cadas nas rela\u00e7\u00f5es entre jogadores profissionais, clubes e agentes, Afonsinho disse entender, na conversa com o UOL Esporte, que sua batalha pelo passe livre no come\u00e7o dos anos 70 preserva sua relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p class=\"p4\"><strong>AFONSINHO SUBSTITUIU S\u00d3CRATES COMO COLUNISTA DE REVISTA<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4887\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/socrates-faz-um-brinde-enquanto-toma-cerveja-com-o-tambem-jogador-afonsinho-em-1984-1315273156834_580x240.jpg\" border=\"0\" width=\"580\" height=\"240\" style=\"vertical-align: middle;\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/socrates-faz-um-brinde-enquanto-toma-cerveja-com-o-tambem-jogador-afonsinho-em-1984-1315273156834_580x240.jpg 580w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/socrates-faz-um-brinde-enquanto-toma-cerveja-com-o-tambem-jogador-afonsinho-em-1984-1315273156834_580x240-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<p class=\"p3\">Afonsinho faz brinde com S\u00f3crates em foto dos anos 80. Recentemente o ex-jogador do Botafogo substituiu o \u00eddolo do Corinthians como colunista da Carta Capital.<\/p>\n<p class=\"p4\">M\u00e9dico formado, Afonsinho chegou a desempenhar nos anos antes da aposentadoria trabalho de socializa\u00e7\u00e3o para doentes mentais. O ex-jogador usou o futebol como instrumento de desenvolvimento de pacientes no Instituto Philippe Pinel, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"p4\">Mais recentemente o ex-jogador do Botafogo ainda assumiu a responsabilidade de substituir S\u00f3crates como colunista semanal da revista Carta Capital, depois da morte do \u00eddolo do Corinthians no fim de 2011.<\/p>\n<p class=\"p4\">&#8220;Me chamaram para propor isso. Tinha essa preocupa\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o aprofundava tanto as coisas como o S\u00f3crates, tamb\u00e9m o Tost\u00e3o, que \u00e9 mais machadiano, ligado \u00e0 \u00e1rea psicanal\u00edtica. Prefiro um pouco mais o dia a dia. O S\u00f3crates tinha uma intelig\u00eancia muito grande, de raio-x. Eu prefiro lidar com o que est\u00e1 acontecendo, as rela\u00e7\u00f5es humanas&#8221;, discorre sobre seu estilo nas letras.<\/p>\n<p class=\"p4\">\n<p class=\"p1\"><strong>S\u00c9RIE ESPECIAL: MARIN E A DITADURA<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\">Como deputado estadual da Arena (Alian\u00e7a Renovadora Nacional), base de sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo militar, Jos\u00e9 Maria Marin discursou no plen\u00e1rio da C\u00e2mara paulista em 1975 pedindo provid\u00eancias contra o tipo de jornalismo praticado pela TV Cultura.<\/p>\n<p class=\"p2\">Dias depois o ent\u00e3o diretor de jornalismo da emissora, Vladimir Herzog, apareceu morto na sede do DOI-CODI (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna) em S\u00e3o Paulo, onde havia ido voluntariamente para interrogat\u00f3rio sobre supostas &#8220;atividades ilegais&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\">Uma s\u00e9rie especial publicada pelo UOL Esporte na \u00faltima semana trata desta e de outras conex\u00f5es do atual presidente da CBF com o regime militar. Tudo exposto em arquivos do Dops (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social), do SNI (Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00e3o), no Arquivo Nacional, \u00f3rg\u00e3os que reuniam as investiga\u00e7\u00f5es do regime, e na Assembleia Legislativa.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\">Fonte &#8211; UOL<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um certo dia de 1971, no auge da tens\u00e3o repressora do regime militar no Brasil, o meia Afonsinho teve a combina\u00e7\u00e3o de barba e cabelos compridos considerada como &#8220;subversiva&#8221; por seu clube. O jogador do Botafogo ent\u00e3o se recusou a adaptar o visual e foi impedido de atuar pela diretoria. 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