{"id":4948,"date":"2013-04-21T11:28:44","date_gmt":"2013-04-21T11:28:44","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/21\/peritos-argentinos-apontam-erros-primarios-em-analise-de-ossadas-da-ditadura-no-brasil\/"},"modified":"2013-04-21T11:28:44","modified_gmt":"2013-04-21T11:28:44","slug":"peritos-argentinos-apontam-erros-primarios-em-analise-de-ossadas-da-ditadura-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/21\/peritos-argentinos-apontam-erros-primarios-em-analise-de-ossadas-da-ditadura-no-brasil\/","title":{"rendered":"Peritos argentinos apontam erros prim\u00e1rios em an\u00e1lise de ossadas da ditadura no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s 15 dias de trabalho em S\u00e3o Paulo, organiza\u00e7\u00e3o acusa equipe da Unicamp de deixar de promover trabalho simples que poderia ter levado \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas do regime<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/temas\/cidadania\/2013\/04\/peritos-argentinos-apontam-erros-primarios-em-analise-de-ossadas-da-ditadura-no-brasil\/image_preview\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>23 anos ap\u00f3s a abertura da vala, as fam\u00edlias ainda n\u00e3o conseguiram identificar os parentes (Foto: arquivo C\u00e2maraSP)  <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p2\">\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O grupo de peritos argentinos contratado para analisar as ossadas de v\u00edtimas da ditadura retiradas do Cemit\u00e9rio Dom Bosco, em Perus, na zona Oste de S\u00e3o Paulo, concluiu que foram cometidos erros prim\u00e1rios pela equipe da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) respons\u00e1vel por fazer a identifica\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas ao longo da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Durante audi\u00eancia p\u00fablica sexta (19) na Assembleia Legislativa, os peritos da Equipe de Antropologia Forense \u2013 que na Argentina j\u00e1 identificaram quase 600 ossadas \u2013 citaram como principais equ\u00edvocos o fato de os ossos n\u00e3o haverem sido limpos, e de sequer terem sido estimadas altura e sexo do material encontrado em uma vala comum durante a gest\u00e3o municipal de Luiza Erundina, em setembro de 1990.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAs fichas n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis e a metodologia utilizada, o estudo que foi feito, era todo equivocado. Os procedimentos todos mostram o tratamento adotado por pa\u00edses em regimes totalit\u00e1rios\u201d, declarou Patr\u00edcia Bernardi, integrante do grupo argentino, \u00e0 Comiss\u00e3o Estadual da Verdade Rubens Paiva. Ela explicou que o grupo recebeu 21 bolsas contendo ossadas avaliadas pela Unicamp, mas dentro delas havia 22 cad\u00e1veres. \u201cO erro come\u00e7a a\u00ed\u201d, lamentou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil criada em 1984 em Buenos Aires, ap\u00f3s a ditadura (1976-1983) naquele pa\u00eds, foi contratada pela <strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Anistiados Pol\u00edticos (Abap)<\/strong> em parceria com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, para tentar identificar os restos de Hiroaki Torigoe, que morreu em 1972, aos 27 anos. Segundo testemunhos de presos pol\u00edticos, ele foi morto nas depend\u00eancias do DOI-Codi, um dos principais centros de repress\u00e3o, em S\u00e3o Paulo. Um relat\u00f3rio da Marinha informa que o \u00f3bito se deu em tiroteio com for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Durante 15 dias, a Equipe de Antropologia Forense conseguiu um avan\u00e7o que n\u00e3o havia sido visto em 23 anos. Entre as 22 ossadas, a Unicamp n\u00e3o havia feito o chamado \u201cprotocolo b\u00e1sico\u201d, de acordo com os peritos argentinos. A regra \u00e9 excluir o m\u00e1ximo de ossadas poss\u00edvel para submeter a exame gen\u00e9tico apenas aquilo que n\u00e3o p\u00f4de ser eliminado. Havia quatro corpos de mulheres no material apresentado ao grupo, que se surpreendeu tamb\u00e9m pelo fato de n\u00e3o terem sido tirados da avalia\u00e7\u00e3o ossos sem marcas de tiros e de tipos f\u00edsicos que claramente n\u00e3o correspondiam \u00e0s caracter\u00edsticas da v\u00edtima.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso n\u00e3o \u00e9 falta de conhecimento da Unicamp. Foi uma decis\u00e3o pol\u00edtica. Isso demonstra que todo o aparato foi usado para n\u00e3o resolver nada desse problema\u201d, acusou o presidente da comiss\u00e3o estadual, deputado Adriano Diogo (PT-SP). De imediato, os especialistas argentinos reduziram a amostra a cinco ossadas. Delas, uma ser\u00e1 submetida a DNA.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Hist\u00f3rico <\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">As 1.049 ossadas encontradas em sacos pl\u00e1sticos e sem identifica\u00e7\u00e3o em 1990 chegaram a motivar a cria\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) na C\u00e2mara Municipal. A CPI concluiu que ao menos 19 corpos de mortos e desaparecidos pol\u00edticos foram enterrados ali. Em 1969, o ent\u00e3o prefeito de S\u00e3o Paulo, Paulo Maluf, e o chefe do Instituto M\u00e9dico Legal, Harry Shibata, encomendaram a uma empresa dos Estados Unidos dois cremat\u00f3rios a serem instalados no Cemit\u00e9rio Dom Bosco. Mas o representante da empresa estranhou a encomenda de um servi\u00e7o t\u00e3o caro em um local perif\u00e9rico e decidiu vetar a aquisi\u00e7\u00e3o. A essa altura, as ossadas de v\u00edtimas da ditadura j\u00e1 haviam sido desenterradas \u00e0 espera da crema\u00e7\u00e3o, e a decis\u00e3o foi abrir uma vala para desaparecer com as provas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em dezembro de 1990, ap\u00f3s a abertura da vala, a prefeitura da capital firmou um acordo com a Unicamp para que as ossadas fossem periciadas. Ap\u00f3s uma primeira leva de identifica\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, o trabalho n\u00e3o teve \u00eaxito, e em 1997 a equipe da universidade fez um laudo final sobre o trabalho de per\u00edcia e encaminhou as ossadas para o Instituto Oscar Freire, do Departamento de Medicina Legal da USP. Depois disso, o material chegou a ser levado a exames na Pol\u00edcia Federal, que tampouco teve \u00eaxito, e agora est\u00e1 de volta ao cemit\u00e9rio de Perus. \u201cEm 23 anos, as ossadas de Perus passaram por duas institui\u00e7\u00f5es renomadas e n\u00e3o houve nenhuma identifica\u00e7\u00e3o. Isso mostra o descaso por parte do poder p\u00fablico\u201d, afirmou Maria Am\u00e9lia Teles, a Amelinha, que participou de grupos de resist\u00eancia \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em 2010, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal chegou a obter vit\u00f3ria em a\u00e7\u00e3o que obrigava os governos federal e do estado a proceder \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o das ossadas. Mas, passados tr\u00eas anos, nada havia avan\u00e7ado, at\u00e9 a \u00faltima semana, quando a gest\u00e3o municipal de Fernando Haddad (PT) fechou parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica para retomar os trabalhos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Esta ser\u00e1 a a\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria do acordo, que prev\u00ea ainda a localiza\u00e7\u00e3o de restos mortais de v\u00edtimas e a constru\u00e7\u00e3o de memoriais em homenagens aos desaparecidos pol\u00edticos. \u201cA iniciativa da prefeitura e do governo federal \u00e9 muito importante, principalmente no apoio financeiro para poder custear a identifica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m seria interessante ter o apoio do governo do estado e definir o trabalho, n\u00e3o ficar s\u00f3 na promessa\u201d, disse a presidenta da <strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Anistiados Pol\u00edticos, Alexandrina Cristensen.<\/strong><\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Fonte &#8211; Rede Brasil Atual<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 15 dias de trabalho em S\u00e3o Paulo, organiza\u00e7\u00e3o acusa equipe da Unicamp de deixar de promover trabalho simples que poderia ter levado \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas do regime 23 anos ap\u00f3s a abertura da vala, as fam\u00edlias ainda n\u00e3o conseguiram identificar os parentes (Foto: arquivo C\u00e2maraSP)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4948"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4948\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}