{"id":5116,"date":"2013-04-30T03:26:30","date_gmt":"2013-04-30T03:26:30","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/30\/nao-ha-direito-a-verdade-sem-direito-a-justica-diz-membro-da-comissao-da-verdade\/"},"modified":"2013-04-30T03:26:30","modified_gmt":"2013-04-30T03:26:30","slug":"nao-ha-direito-a-verdade-sem-direito-a-justica-diz-membro-da-comissao-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/30\/nao-ha-direito-a-verdade-sem-direito-a-justica-diz-membro-da-comissao-da-verdade\/","title":{"rendered":"&#8216;N\u00e3o h\u00e1 direito \u00e0 verdade sem direito \u00e0 justi\u00e7a&#8217;, diz membro da Comiss\u00e3o da Verdade"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rosa Cardoso explica \u00e0 RBA que primeiro ano de trabalho da CNV serviu para definir metodologias e construir consensos b\u00e1sicos no grupo: &#8216;vamos publicizar cada vez mais nossas investiga\u00e7\u00f5es&#8217;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/temas\/cidadania\/2013\/04\/nao-ha-direito-a-verdade-sem-direito-a-justica-diz-membro-da-comissao-da-verdade\/image_preview\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>A quest\u00e3o determinante para o golpe foi o interesse dos Estados Unidos em que houvesse outro tipo de governo no Brasil&#8217; (Foto: Marcelo Camargo\/ABr)  <!--more-->  <\/address>\n<address><\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) chega \u00e0 metade de sua trajet\u00f3ria no pr\u00f3ximo 16 de maio com poucos resultados concretos, mas com a certeza de que n\u00e3o pode existir repara\u00e7\u00e3o da verdade hist\u00f3rica sem que haja justi\u00e7a para as v\u00edtimas das graves viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos cometidas durante a ditadura. E puni\u00e7\u00e3o aos respons\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cNas sociedades civilizadas e democr\u00e1ticas, o direito \u00e0 verdade \u00e9 indissoci\u00e1vel do direito \u00e0 justi\u00e7a\u201d, explica Maria Rosa Cardoso da Cunha, advogada de presos pol\u00edticos durante o regime e atualmente coordenadora-substituta da CNV. \u201cEsse primeiro ano serviu para definir metodologias, compreender melhor a natureza do trabalho e despertar para a import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o entre verdade e justi\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em entrevista \u00e0 RBA, Rosa Cardoso afirma que o avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es tem feito com que a CNV reavalie permanentemente suas escolhas e prioridades. \u201cEstamos reorientando nossos trabalhos.\u201d O debate constante j\u00e1 acabou com pelo menos uma diverg\u00eancia interna: de acordo com a advogada, agora \u00e9 consenso entre os membros do grupo que os fatos mais relevantes descobertos pela comiss\u00e3o devem ser constantemente divulgados.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAssim funcionaram as comiss\u00f5es que tiveram sucesso em outros pa\u00edses\u201d, lembra a advogada, dizendo que est\u00e3o dirimidas as diferen\u00e7as entre os membros que pregavam maior sigilo e os que defendiam divulga\u00e7\u00e3o permanente das revela\u00e7\u00f5es. \u201cHoje sabemos que n\u00e3o devemos apenas colher muitos depoimentos, mas tamb\u00e9m dar-lhes publicidade. Esse \u00e9 um consenso bastante recente, que s\u00f3 foi poss\u00edvel ap\u00f3s uma avalia\u00e7\u00e3o do que produzimos at\u00e9 agora e ap\u00f3s termos conhecido mais de perto outras experi\u00eancias, como a argentina.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Golpe<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Rosa Cardoso \u00e9 respons\u00e1vel por tr\u00eas grupos de trabalho dentro da CNV. E fala que tem conseguido avan\u00e7ar bastante em alguns temas \u2013 por vezes contrariando as pesquisas acad\u00eamicas j\u00e1 realizadas sobre o per\u00edodo ditatorial, por outras refor\u00e7ando ind\u00edcios que j\u00e1 existiam. No caso das pesquisas sobre \u201cContextualiza\u00e7\u00e3o, fundamentos e raz\u00f5es do Golpe Civil-Militar de 1964\u201d, a advogada se permite atestar que a participa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos na ascens\u00e3o dos coron\u00e9is foi muito maior do que se acredita.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi um golpe imperial\u201d, classifica. \u201cWashington teve participa\u00e7\u00e3o fundamental na queda do presidente constitucional, Jo\u00e3o Goulart, e alguns membros da sociedade civil brasileira tamb\u00e9m.\u201d Rosa Cardoso afirma que, at\u00e9 ent\u00e3o, dava-se muita \u00eanfase ao papel dos militares na conspira\u00e7\u00e3o. A advogada nega que a maior motiva\u00e7\u00e3o dos coron\u00e9is tenha sido uma suposta quebra de hierarquia dentro das for\u00e7as armadas e o momento de &#8220;ativa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221; vivido pelo pa\u00eds nos anos 1960. \u201cA quest\u00e3o determinante foi o interesse dos Estados Unidos para que houvesse outro tipo de governo no Brasil.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed que a participa\u00e7\u00e3o do que Rosa denomina \u201celemento civil\u201d tenha sido essencial para o sucesso do golpe. Essa certeza transformou as prioridades da CNV \u00e0s v\u00e9speras de seu primeiro anivers\u00e1rio. \u201cEntrou na ordem do dia agora a urg\u00eancia de ouvir empres\u00e1rios.\u201d Por isso, o grupo liderado pela advogada deve interrogar no final de maio o empres\u00e1rio Paulo Henrique Sawaya Filho, cujo nome foi encontrado no caderno que controlava a entrada e sa\u00edda de pessoas no Departamento Estadual de Ordem Pol\u00edtica e Social (Deops), bra\u00e7o da repress\u00e3o em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Sawaya ainda teria participado da arrecada\u00e7\u00e3o de fundos para financiar o golpe em conjunto com Delfim Netto, que mais tarde se transformaria no guru econ\u00f4mico do regime. Delfim tamb\u00e9m deve ser ouvido pela CNV dentro dos pr\u00f3ximos 40 dias. \u201cAl\u00e9m de buscar recursos para a conspira\u00e7\u00e3o, foi uma figura muito representativa do governo ditatorial, definiu pol\u00edticas p\u00fablicas e assinou o Ato Institucional n\u00ba 5\u201d, lembra Rosa Cardoso. \u201cSeria importante que desse satisfa\u00e7\u00f5es \u00e0 sociedade brasileira.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com a advogada, o ex-ministro da ditadura \u2013 hoje um dos maiores defensores da pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo do PT \u2013 ser\u00e1 intimado a depor de uma maneira \u201cmuito polida, respeitosa e educada\u201d. Caso n\u00e3o atenda o chamado da CNV, por\u00e9m, Delfim poder\u00e1 ser conduzido pela for\u00e7a ou ent\u00e3o processado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico por desobedi\u00eancia. \u201cS\u00e3o os poderes que a lei nos d\u00e1\u201d, pontua Rosa Cardoso. \u201cQueremos que ele nos esclare\u00e7a algumas quest\u00f5es relativas aos governos que se impuseram no pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Condor<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A coordenadora-substituta da comiss\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 encarregada das pesquisas sobre a Opera\u00e7\u00e3o Condor, alian\u00e7a clandestina entre as ditaduras sul-americanas para localiza\u00e7\u00e3o, sequestro e assassinato de perseguidos pol\u00edticos. \u201cAp\u00f3s uma viagem \u00e0 Argentina, conseguimos 60 caixas de documentos com informa\u00e7\u00f5es sobre a participa\u00e7\u00e3o brasileira no conv\u00eanio. Agora estamos aguardando a chegada desses arquivos\u201d, conta. \u201cTamb\u00e9m estamos com pesquisadores trabalhando nos Arquivos do Terror, no Paraguai, levantando mais evid\u00eancias sobre a Opera\u00e7\u00e3o Condor.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Apesar do longo caminho que ainda ir\u00e1 percorrer, o grupo j\u00e1 se sente confort\u00e1vel para afirmar que a ditadura brasileira foi protagonista na Opera\u00e7\u00e3o Condor. \u201cEstudos acad\u00eamicos costumam dizer que o Brasil n\u00e3o foi t\u00e3o importante na articula\u00e7\u00e3o internacional sul-americana, porque, quando a Condor foi oficialmente constitu\u00edda, em 1975, o pa\u00eds j\u00e1 se encaminhava para a redemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d, contextualiza. \u201cMas sabemos que a prepara\u00e7\u00e3o dos operativos, o apoio, a forma\u00e7\u00e3o dos militares dos regimes vizinhos em solo brasileiro foram muito significativos para o funcionamento do acordo. A participa\u00e7\u00e3o do Brasil foi discreta, mas efetiva.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Outra certeza adquirida por Rosa Cardoso neste primeiro ano de trabalho na CNV diz respeito \u00e0 tortura. \u201cOs m\u00e9todos violentos de interrogat\u00f3rio n\u00e3o se implantaram somente depois do AI-5, como muita gente defende\u201d, explica. \u201c\u00c9 uma constata\u00e7\u00e3o que fazemos a partir da viol\u00eancia massiva que foi praticada desde os primeiros momentos do golpe. Houve pris\u00f5es em est\u00e1dios de futebol e navios da Marinha, como ocorreu em Niter\u00f3i (RJ), Santos (SP) e Recife (PE), num n\u00famero muito maior do que se imaginava, sempre com imposi\u00e7\u00e3o de tortura.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os seis membros em exerc\u00edcio na CNV manter\u00e3o encontro com a presidenta da rep\u00fablica \u00e0s v\u00e9speras do dia 16 de maio, em Bras\u00edlia. Na ocasi\u00e3o, apresentar\u00e3o a Dilma Rousseff os resultados do primeiro ano de trabalho. Tamb\u00e9m dever\u00e3o discutir qu\u00ea atitude tomar em rela\u00e7\u00e3o ao ministro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) Gilson Dipp, que faz parte do grupo mas est\u00e1 afastado h\u00e1 mais de sete meses por raz\u00f5es de sa\u00fade. S\u00f3 depois da reuni\u00e3o com a presidenta \u00e9 que a CNV apresentar\u00e1 ao pa\u00eds seu relat\u00f3rio parcial.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Rede Brasil Atual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosa Cardoso explica \u00e0 RBA que primeiro ano de trabalho da CNV serviu para definir metodologias e construir consensos b\u00e1sicos no grupo: &#8216;vamos publicizar cada vez mais nossas investiga\u00e7\u00f5es&#8217; A quest\u00e3o determinante para o golpe foi o interesse dos Estados Unidos em que houvesse outro tipo de governo no Brasil&#8217; (Foto: Marcelo Camargo\/ABr)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5116"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5116"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5116\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}