{"id":5137,"date":"2013-04-30T18:06:33","date_gmt":"2013-04-30T18:06:33","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/30\/comissao-da-verdade-aponta-erros-primarios-em-identificacao-de-vitimas-da-ditadura\/"},"modified":"2013-04-30T18:06:33","modified_gmt":"2013-04-30T18:06:33","slug":"comissao-da-verdade-aponta-erros-primarios-em-identificacao-de-vitimas-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/30\/comissao-da-verdade-aponta-erros-primarios-em-identificacao-de-vitimas-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade aponta erros prim\u00e1rios em identifica\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas da ditadura"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>As ossadas de v\u00edtimas da ditadura encontradas em uma vala clandestina no Cemit\u00e9rio Dom Bosco, em Perus (zona norte de S\u00e3o Paulo), aberta em 4 de setembro de 1990, foram submetidas ao descaso do Estado. De acordo com den\u00fancia feita pela Comiss\u00e3o da Verdade paulista, que tenta identificar os corpos de cerca de 15 presos pol\u00edticos, as ossadas, quando sob cuidados das duas universidades mais conceituadas do Estado,\u00a0n\u00e3o passaram pelo processo correto de estudos de identifica\u00e7\u00e3o e, posteriormente, \u00a0foram armazenadas de maneira inadequada, em locais \u201csujos e com fungos.\u201d  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Ossadas-de-Perus.jpg\" border=\"0\" width=\"442\" height=\"568\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address>Certid\u00f5es de \u00f3bito de militantes mortos sob tortura encontradas no IML. Eram identificados com a letra T, em vermelho, que significava \u201cterrorista\u201d. Foto: Comiss\u00e3o de Familiares de Desaparecidos Pol\u00edticos e CMSP\/CPI Perus-Desaparecidos Pol\u00edticos<\/address>\n<address><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em audi\u00eancia p\u00fablica realizada no dia 19, a Comiss\u00e3o da Verdade refez a hist\u00f3ria das ossadas. Ap\u00f3s serem encontradas, elas foram levadas para estudos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob coordena\u00e7\u00e3o do legista Fortunato Badan Palhares.\u00a0Como havia (e ainda h\u00e1) uma falta de profissionais capazes de identificar corpos no Brasil, a Comiss\u00e3o de Familiares de Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos solicitou, ainda em 1990, a a\u00e7\u00e3o de um grupo de antropologia forense argentina para auxiliar no processo. O pedido foi\u00a0negado pela Unicamp, que assumiu sozinha os estudos iniciais. Nenhum corpo foi identificado e, mais tarde, os restos mortais foram encaminhadas para o Departamento de Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), na \u00e9poca dirigido por Daniel Romero Mu\u00f1oz.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 em\u00a02013 a identifica\u00e7\u00e3o come\u00e7ou de verdade, quando tiveram in\u00edcio os trabalhos do\u00a0Equipo Argentino de Antropologia Forense (EAAF), agora respons\u00e1vel pelas ossadas.\u00a0\u201cVimos uma metodologia equivocada por parte da universidade\u201d, diz\u00a0\u00a0a antrop\u00f3loga argentina\u00a0Patr\u00edcia Bernardi, integrante do EAAF. Segundo ela os\u00a0estudos realizados no Brasil at\u00e9 ent\u00e3o se valeram de \u201cmetodologia escassa, confusa e que n\u00e3o chega a resultados conclusivos. S\u00e3o estudos meramente descritivos.\u201d Ainda segundo a especialista argentina,\u00a0\u201cas fichas [de identifica\u00e7\u00e3o] n\u00e3o se mostram confi\u00e1veis, ent\u00e3o o trabalho deve ser feito do zero\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um dos exemplos da bagun\u00e7a promovida pelo Estado e entregue ao EAAF \u00e9 a busca pela identifica\u00e7\u00e3o do militante\u00a0Hiroaki Torigoi. Havia uma identifica\u00e7\u00e3o de que sua ossada estaria em um grupo previamente separado, a partir de caracter\u00edsticas compat\u00edveis com o corpo de Torigoi. Os argentinos descobriram que, na verdade, dentro do material estava 22 ossadas diferentes, sendo que quatro delas pertenciam ao sexo feminino e outras 14 eram de adultos com mais de 35 anos. Torigoi foi morto aos 27. Isso j\u00e1 eliminaria do grupo 18 ossadas, que de forma alguma poderiam ser de Torigoi. \u201cA pr\u00e9-sele\u00e7\u00e3o feita pelos pesquisadores estava completamente equivocada\u201d, constatou o grupo. Exames de DNA foram realizados nas ossadas que continham caracter\u00edsticas semelhantes ao de Torigoi, mas nenhum foi compat\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cForam cometidos erros prim\u00e1rios, como n\u00e3o separar os corpos de homens e de mulheres\u201d, diz Am\u00e9lia\u00a0Telles, integrante da comiss\u00e3o de familiares dos desaparecidos. \u201cN\u00f3s estamos vendo que h\u00e1 uma neglig\u00eancia por parte do Estado e de suas institui\u00e7\u00f5es, que j\u00e1 perdura bastante tempo\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dados de livros de registro apontam que pelo menos seis corpos de ex-militantes mortos pela ditadura est\u00e3o no grupo de mais de mil ossadas, mas a Comiss\u00e3o de Familiares acredita que o n\u00famero possa chegar a quinze, j\u00e1 que muitos corpos eram enterrados com nomes falsos para dificultar a identifica\u00e7\u00e3o. Segundo\u00a0Am\u00e9lia Telles, no atestado de \u00f3bito, os presos pol\u00edticos eram identificados por uma letra T. \u201cEra a forma como a repress\u00e3o identificava os presos pol\u00edticos, o T era de terrorista. J\u00e1 era uma senha para que o pr\u00f3prio funcion\u00e1rio, tanto do Instituto M\u00e9dico Legal quanto do servi\u00e7o funer\u00e1rio, ocultasse o cad\u00e1ver\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 aqui, a equipe argentina\u00a0conseguiu identificar os corpos de tr\u00eas ex-militantes. S\u00e3o os de\u00a0D\u00eanis Casemiro, assassinado em 1971, no Dops de S\u00e3o Paulo; Frederico Eduardo Mayr, sequestrado pela Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante em 24 de fevereiro de 1972; e Flavio de Carvalho Molina, morto aos 24 anos, em 1971, em S\u00e3o Paulo.\u00a0As outras mais de mil ossadas continuar\u00e3o sendo analisadas, mas n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer exame de DNA uma a uma, apenas nas que se enquadrarem dentro das caracter\u00edsticas dos militantes mortos. A continua\u00e7\u00e3o depende da manuten\u00e7\u00e3o do financiamento feito pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Anistiados Pol\u00edticos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Contatada, a Unicamp disse que o legista Fortunato Badan Palhares n\u00e3o trabalha mais na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e que, portanto, n\u00e3o poderia prestar esclarecimentos sobre o assunto. A USP declarou que o respons\u00e1vel pelo departamento estava em um evento fora de S\u00e3o Paulo e mais tarde entraria em contato.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Leia mais:<span class=\"s1\"><br \/><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/o-algoz-e-o-crematorio\/\"><span class=\"s2\">O algoz e o cremat\u00f3rio<\/span><\/a><br \/><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/a-midia-na-ditadura\/\"><span class=\"s2\">A m\u00eddia na ditadura<\/span><\/a><br \/><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/destaques_carta_capital\/que-verdade-e-essa\/\"><span class=\"s2\">Que verdade \u00e9 essa?<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><span class=\"s2\"><br \/><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Carta Capital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As ossadas de v\u00edtimas da ditadura encontradas em uma vala clandestina no Cemit\u00e9rio Dom Bosco, em Perus (zona norte de S\u00e3o Paulo), aberta em 4 de setembro de 1990, foram submetidas ao descaso do Estado. 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