{"id":5253,"date":"2013-05-06T03:52:13","date_gmt":"2013-05-06T03:52:13","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/06\/comissao-ouve-relatos-de-militares-perseguidos-durante-ditadura\/"},"modified":"2013-05-06T03:52:13","modified_gmt":"2013-05-06T03:52:13","slug":"comissao-ouve-relatos-de-militares-perseguidos-durante-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/06\/comissao-ouve-relatos-de-militares-perseguidos-durante-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o ouve relatos de militares perseguidos durante ditadura"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Em 27 de mar\u00e7o de 1964, o fuzileiro naval Paulo Novaes Coutinho, ent\u00e3o com 19 anos, foi enviado ao Sindicato dos Metal\u00fargicos, no Centro do Rio, com a miss\u00e3o de desalojar marinheiros que ocupavam o pr\u00e9dio.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao chegar ao local, ele e outros 22 fuzileiros tomaram a decis\u00e3o que surpreendeu o Comando da Marinha: jogaram no ch\u00e3o os fuzis e se recusaram a atirar contra os colegas de farda.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O gesto foi visto como uma afronta pelos militares, que dias depois tomariam o poder, e significou para os 23 fuzileiros mais de 100 dias de pris\u00e3o e a persegui\u00e7\u00e3o durante todo o governo militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Passadas quase cinco d\u00e9cadas, Novaes esteve ontem na ABI (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa), no centro do Rio, para contar sua hist\u00f3ria. Durante 25 minutos ele relembrou as torturas e pris\u00f5es que sofreu.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O relato fez parte da primeira audi\u00eancia p\u00fablica realizada pelas comiss\u00f5es da verdade Nacional e do Rio para apurar casos de militares perseguidos pela ditadura (1964-1985).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tenho orgulho de ser um fuzileiro naval e sempre terei. A primeira pris\u00e3o foi em um navio adernado, em vias de afundar, com alimenta\u00e7\u00e3o uma vez por dia&#8221;, contou Novaes relatando os anos de persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00f3s n\u00e3o val\u00edamos nada. Os oficiais foram perseguidos sim, mas a base da pir\u00e2mide foi largada ao Deus dar\u00e1&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um grupo de trabalho criado na Comiss\u00e3o Nacional da Verdade calcula que 7.488 militares foram perseguidos e outros 30 foram mortos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o toma como base relat\u00f3rios do projeto &#8220;Brasil Nunca Mais&#8221;, que apontam 6.500 perseguidos pelas For\u00e7as Armadas, e um estudo da historiadora Fl\u00e1via Burlamaqui, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que contabiliza os 7.488 perseguidos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A audi\u00eancia p\u00fablica foi motivada pelo depoimento do brigadeiro Rui Moreira Lima, em outubro de 2012, no qual ele relatou as persegui\u00e7\u00f5es e pris\u00f5es que sofreu durante o governo militar. A inten\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o \u00e9, a partir dos relatos, levantar casos e identificar os respons\u00e1veis pela persegui\u00e7\u00e3o aos militares.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;O termo ditadura militar esconde essa situa\u00e7\u00e3o paradoxal de militares que foram perseguidos e acabaram estigmatizados como traidores ou desertores&#8221;, afirmou Wadih Damous, presidente da Comiss\u00e3o da Verdade do Rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fui impedido de estudar no col\u00e9gio militar, o que foi uma puni\u00e7\u00e3o para mim. Ali\u00e1s, n\u00e3o foi apenas meu pai que foi preso, foi toda uma fam\u00edlia&#8221;, contou Pedro Luiz Moreira Lima, 63, filho do brigadeiro Rui Moreira Lima.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Folha de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 27 de mar\u00e7o de 1964, o fuzileiro naval Paulo Novaes Coutinho, ent\u00e3o com 19 anos, foi enviado ao Sindicato dos Metal\u00fargicos, no Centro do Rio, com a miss\u00e3o de desalojar marinheiros que ocupavam o pr\u00e9dio.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5253"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5253\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}