{"id":526,"date":"2012-05-21T23:33:03","date_gmt":"2012-05-21T23:33:03","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/21\/a-ameaca-de-golpe-militar-do-general-leonidas-pires-goncalves\/"},"modified":"2012-05-21T23:33:03","modified_gmt":"2012-05-21T23:33:03","slug":"a-ameaca-de-golpe-militar-do-general-leonidas-pires-goncalves","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/21\/a-ameaca-de-golpe-militar-do-general-leonidas-pires-goncalves\/","title":{"rendered":"A amea\u00e7a de golpe militar do general Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O general Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves, um dos principais dirigentes da fase final da ditadura militar de 1964 e porta voz do Ex\u00e9rcito e do ainda presente poderio militar durante a presid\u00eancia de Jos\u00e9 Sarney (1985-1990), do qual foi ministro do Ex\u00e9rcito, saiu para o ataque contra a presidente Dilma Rousseff e a Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/admin.paginaoficial1.tempsite.ws\/admin\/arquivos\/biblioteca\/o_general_leonidas_no_tempo_em_que_tinha_poder27190\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"530\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>O general Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves no tempo em que tinha poder&#8230;  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O general, que tem 91 anos de idade, foi entrevistado pelo jornal O Estado de S. Paulohoje (18), e terminou a conversa com a rep\u00f3rter T\u00e2nia Monteiro com a tradicional amea\u00e7a golpista dos militares de sua gera\u00e7\u00e3o que tiveram papel de destaque na ditadura militar. Respondendo \u00e0 hip\u00f3tese de mudan\u00e7a na Lei de Anistia, ele a defende com base na decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal que, em 2010, chancelou a lei, e p\u00f4s as cartas na mesa: \u201cSe quiserem fazer press\u00e3o no Supremo, o poder moderador tem de entrar em atua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma amea\u00e7a clara: \u201cpoder moderador\u201d \u00e9 o eufemismo usado por estudiosos, chefes militares e pol\u00edticos de gera\u00e7\u00f5es mais antigas, como a do general, para referir-se \u00e0s For\u00e7as Armadas e sua interven\u00e7\u00e3o golpista contra a normalidade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Isto \u00e9, contra a Comiss\u00e3o da Verdade e diante da perspectiva de responsabiliza\u00e7\u00e3o de agentes civis e militares da repress\u00e3o que cometeram atrocidades durante a ditadura, o general tenta sacar o tacape.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves foi o respons\u00e1vel pelo Doi-Codi no Rio de Janeiro entre abril de 1974 e janeiro de 1977. Nesta condi\u00e7\u00e3o, foi o comandante da repress\u00e3o contra a reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central do Partido Comunista do Brasil em 16 de dezembro de 1976, tragicamente conhecida como Chacina da Lapa, que assassinou a tiros os dirigentes Pedro Pomar e \u00c2ngelo Arroyo e sob tortura Jo\u00e3o Batista Drummond, al\u00e9m da pris\u00e3o de outros militantes e dirigentes submetidos a b\u00e1rbaras sess\u00f5es de tortura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O general classifica a Comiss\u00e3o da Verdade rec\u00e9m-instalada como &#8220;uma moeda falsa, que s\u00f3 tem um lado&#8221; e critica a presidente Dilma Rousseff dizendo que ela deveria deixar de olhar o passado e olhar &#8220;para o futuro do Pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ele repete a desmoralizada ladainha de que as a\u00e7\u00f5es referentes aos crimes cometidos pela repress\u00e3o durante a ditadura envolvem dois lados (o outro \u00e9 o daqueles que resistiram \u00e0 ditadura e lutaram contra ela) e que a anistia &#8211; significando esquecimento &#8211; deveria deixar a a\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o no limbo da hist\u00f3ria. \u00c9 o erro que cometem os conservadores e aqueles que, civis ou militares, participaram direta ou indiretamente daqueles crimes que, no Brasil, nunca foram examinados, investigados e menos ainda punidos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O Brasil j\u00e1 pagou um alto pre\u00e7o pelo erro hist\u00f3rico de colocar uma pedra sobre crimes dessa natureza. Durante os debates sobre as Disposi\u00e7\u00f5es Transit\u00f3rias da Constitui\u00e7\u00e3o que iriam aprovar, em setembro de 1946, os deputados constituintes do Partido Comunista do Brasil insistiram na necessidade da dissolu\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias pol\u00edticas e \u201cespeciais\u201d e da instaura\u00e7\u00e3o de \u201cprocesso criminal contra os carcereiros e policiais respons\u00e1veis por crimes e espancamentos na pessoa dos presos pol\u00edticos\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O deputado comunista Jo\u00e3o Amazonas, em apoio \u00e0 exig\u00eancia feita pela bancada, foi claro. \u00c9 necess\u00e1rio, disse, \u201cdissolver essa pol\u00edcia pol\u00edtica que, ainda hoje, \u00e9 constitu\u00edda dos mesmos assassinos, espancadores e torturadores do povo\u201d. Citou especificamente um desses criminosos, \u201ccerto espancador, de nome Bor\u00e9\u201d, que organizou um n\u00facleo \u201ctrabalhista\u201d na pol\u00edcia pol\u00edtica para invadir sindicatos, espionar\u00a0locais de trabalho, espancar e prender oper\u00e1rios. Claudino Jos\u00e9 da Silva, que era ferrovi\u00e1rio (e o \u00fanico parlamentar negro daquela Assembleia), fortaleceu a argumenta\u00e7\u00e3o dizendo que \u201co policial que maltrata, espanca, sevicia um preso pol\u00edtico, pode e deve ser qualificado como um criminoso comum, merecendo por isso mesmo os castigos da lei penal\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A maioria conservadora daquela Assembleia Constituinte rejeitou a proposta comunista. \u201cOlhando para o futuro\u201d, como quer o general que comandou o Doi-Codi do Rio de Janeiro, poupou e manteve em seus cargos os \u201cBor\u00e9s\u201d, assassinos e torturadores, que participariam mais tarde do golpe militar de 1964 e proliferariam nos por\u00f5es da repress\u00e3o pol\u00edtica comandada por oficiais como Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Olhar para o futuro implica em corrigir o passado, responsabilizar os que cometeram crimes sob o manto do Estado e criar as condi\u00e7\u00f5es de plenitude democr\u00e1tica onde a\u00e7\u00f5es criminosas cometidas por agentes p\u00fablicos contra pessoas postas sob a cust\u00f3dia do Estado sejam qualificadas como crime comum, como queria Claudino Jos\u00e9 da Silva h\u00e1 66 anos atr\u00e1s.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O general Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves, um dos principais dirigentes da fase final da ditadura militar de 1964 e porta voz do Ex\u00e9rcito e do ainda presente poderio militar durante a presid\u00eancia de Jos\u00e9 Sarney (1985-1990), do qual foi ministro do Ex\u00e9rcito, saiu para o ataque contra a presidente Dilma Rousseff e a Comiss\u00e3o da Verdade. 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