{"id":5262,"date":"2013-05-06T17:28:29","date_gmt":"2013-05-06T17:28:29","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/06\/comissao-da-verdade-de-sp-faz-audiencias-sobre-criancas-vitimas-da-ditadura\/"},"modified":"2013-05-06T17:28:29","modified_gmt":"2013-05-06T17:28:29","slug":"comissao-da-verdade-de-sp-faz-audiencias-sobre-criancas-vitimas-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/06\/comissao-da-verdade-de-sp-faz-audiencias-sobre-criancas-vitimas-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade de SP faz audi\u00eancias sobre crian\u00e7as v\u00edtimas da ditadura"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p style=\"text-align: justify;\" \/>Elas usavam nomes &#8220;de guerra&#8221;, mudaram de casa com frequ\u00eancia e fizeram poucos amigos. Viviam clandestinamente no Brasil ou exiladas em outros pa\u00edses. Viram a m\u00e3e depois de ser torturada, o pai morto, ou esperaram sua volta em v\u00e3o.  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o crian\u00e7as que viveram a ditadura militar no Brasil e que hoje, adultas, come\u00e7am a contar sua hist\u00f3ria \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo. O colegiado realiza de hoje a sexta-feira a semana &#8220;Verdade e Inf\u00e2ncia Roubada&#8221;, com uma s\u00e9rie de depoimentos de filhos de ex-presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das hist\u00f3rias que ser\u00e3o conhecidas \u00e9 a da fam\u00edlia do ex-deputado federal Aldo Arantes (PC do B), que se exilou em Montevid\u00e9u ap\u00f3s o golpe de 1964, com a mulher Maria Auxiliadora. L\u00e1 nasceu, no ano seguinte, seu filho Andr\u00e9. Ele e a irm\u00e3 Priscila, nascida como clandestina no Brasil, em 1966, conheciam apenas seus sobrenomes falsos: Guimar\u00e3es Silva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando eu tinha uns 10 anos, meu irm\u00e3o descobriu uma caneta do meu pai onde estava escrito o nome do meu av\u00f4, Galileu Arantes. Ent\u00e3o pensamos, como nosso sobrenome podia ser diferente? E foi nesse momento que meu pai nos contou que a gente vivia como clandestino porque eles lutavam por um mundo melhor&#8221;, relembra Priscila em entrevista \u00e0 Folha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela e Andr\u00e9, aos 2 e 3 anos de idade, j\u00e1 tinham visto o regime de perto. &#8220;Em 1968 teve o AI-5 e, nesse momento, eu e meu irm\u00e3o fomos presos com a minha m\u00e3e em Alagoas. Ficamos mais ou menos quatro meses e meio, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum documento que comprove isso.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas para Priscila, a ficha s\u00f3 caiu no dia 16 de dezembro de 1976, quando o pai foi preso no epis\u00f3dio conhecido como Chacina da Lapa &#8211;cerco dos militares ao comit\u00ea central do PC do B, que funcionava de forma clandestina no bairro da Lapa, zona oeste de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por causa do epis\u00f3dio, a m\u00e3e ficou foragida, e Andr\u00e9 e Priscila foram viver com parentes distantes em Belo Horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Pres\u00eddio do Barro Branco, zona norte de S\u00e3o Paulo, o pai das crian\u00e7as, Aldo Arantes, conheceu o tamb\u00e9m preso pol\u00edtico Ariston Lucena, cujos irm\u00e3os Adilson, Denise e Telma viram o pai, Ant\u00f4nio Raymundo Lucena, ser assassinado em sua pr\u00f3pria casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu tinha uns 9 anos. Eles chegaram como uma pequena tropa, eram em torno de dez homens com armas compridas. Eu me lembro bem, fiquei aterrorizado&#8221;, conta Adilson Lucena, 52. &#8220;Depois que houve o tiroteio, eles entraram em casa. Uns diziam que iam nos matar, outros diziam que era para esperar.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a morte do pai, as tr\u00eas crian\u00e7as, ent\u00e3o com 9, 9 e 2 anos, viram a m\u00e3e presa no DOI-Codi, percorreram delegacias, juizados de menores e institui\u00e7\u00f5es para menores infratores at\u00e9 seguirem para o ex\u00edlio no M\u00e9xico e em Cuba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Falar desse per\u00edodo \u00e9 muito doloroso para n\u00f3s. Mas vou falar, mesmo que seja duro&#8221;, disse Adilson. &#8220;Faz parte da minha hist\u00f3ria e da hist\u00f3ria do pa\u00eds que a gente viveu. Vou tornar p\u00fablica para que, de alguma maneira, isso n\u00e3o exista mais no nosso pa\u00eds&#8221;, afirma Priscila.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como Adilson e Priscila, tamb\u00e9m v\u00e3o contar sua hist\u00f3ria pessoas como Eliana Paiva, filha do deputado cassado Rubens Paiva e presa aos 15 anos com a m\u00e3e; Paulo Fonteles Filho, que nasceu na pris\u00e3o; Virg\u00edlio, Vladmir e Isabel, filhos de Virg\u00edlio Gomes da Silva, que passaram dias no DOI-Codi e no Dops quando a m\u00e3e foi presa e o pai, morto; e Jana\u00edna e Edson Teles, que viram os pais C\u00e9sar Augusto e Maria Am\u00e9lia serem torturados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o presidente da Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo, deputado Adriano Diogo (PT), o envolvimento de crian\u00e7as na ditadura brasileira &#8220;\u00e9 uma hist\u00f3ria n\u00e3o contada, desconhecida e at\u00e9 certo ponto considerada proibida&#8221;, por isso a decis\u00e3o do colegiado de reservar uma semana no calend\u00e1rio para dedicar ao tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Na Argentina, as crian\u00e7as da ditadura s\u00e3o um cap\u00edtulo exclusivo, com as Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio. No Brasil, esse \u00e9 um cap\u00edtulo de que ningu\u00e9m fala&#8221;, afirma o deputado.<\/p>\n<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Folha de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elas usavam nomes &#8220;de guerra&#8221;, mudaram de casa com frequ\u00eancia e fizeram poucos amigos. Viviam clandestinamente no Brasil ou exiladas em outros pa\u00edses. 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