{"id":5300,"date":"2013-05-07T10:57:09","date_gmt":"2013-05-07T10:57:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/07\/filhos-de-perseguidos-politicos-relatam-roubo-da-infancia-3\/"},"modified":"2013-05-07T10:57:09","modified_gmt":"2013-05-07T10:57:09","slug":"filhos-de-perseguidos-politicos-relatam-roubo-da-infancia-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/07\/filhos-de-perseguidos-politicos-relatam-roubo-da-infancia-3\/","title":{"rendered":"Filhos de perseguidos pol\u00edticos relatam roubo da inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Quais foram os impactos, os traumas, as marcas deixadas pela ditadura militar nos filhos de ex-presos pol\u00edticos, de torturados, mortos e desaparecidos? A an\u00e1lise dessa quest\u00e3o \u00e9 um dos principais objetivos do semin\u00e1rio Verdade e Inf\u00e2ncia Roubada, iniciado ontem em S\u00e3o Paulo.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Organizado pela Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, o evento prossegue at\u00e9 sexta-feira. Ser\u00e3o quase cinquenta depoimentos de pessoas que eram crian\u00e7as ou adolescentes quando a brutalidade do regime se abateu sobre seus parentes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A s\u00e9rie de depoimentos foi aberta por Cec\u00edlia Capistrano, de 39 anos. Ela \u00e9 neta de David Capistrano da Costa, dirigente do PCB desaparecido desde 1974, e filha de Maria Cristina Capistrano, militante do PC do B, presa e torturada em 1972.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nascida em 1975, pouco depois desses dois fatos tr\u00e1gicos, Cec\u00edlia conviveu desde a inf\u00e2ncia com as incessantes buscas da av\u00f3 por informa\u00e7\u00f5es sobre o marido desaparecido e o drama pessoal da m\u00e3e, que nunca falou abertamente sobre as torturas e sev\u00edcias a que foi submetida durante o per\u00edodo de um m\u00eas, na sede do DOI-Codi do Rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e dela tinha 22 anos quando militares a sequestraram em sua casa, onde estava cuidando do filho de quatro anos. \u201cEla era mocinha, uma gatinha\u201d, assinalou a filha. \u201cImagino o que passou. Nunca me contou tudo. Sempre falou aos pouquinhos. Acho que n\u00e3o queria sofrer de novo.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cec\u00edlia chorou durante quase todo o depoimento. \u201cO que a gente sofre \u00e9 uma coisa invis\u00edvel. \u00c9 uma marca que passa de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou, numa tentativa de definir o drama da inf\u00e2ncia dela e de outros filhos de perseguidos pol\u00edticos. \u201cEm casa era uma dor, uma dor, uma dor que a gente n\u00e3o sabia o que era.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rosana Momente, filha de Orlando Momente, militante do PC do B desaparecido na Guerrilha do Araguaia, em 1973, disse: \u201cCresci mudando de um lugar para o outro, sem nenhuma seguran\u00e7a. Voc\u00ea j\u00e1 conhece a solid\u00e3o e sabe o que \u00e9 depress\u00e3o desde a inf\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ela contou que s\u00f3 soube da morte do pai quase cinco anos ap\u00f3s o ocorrido: \u201cDiziam que ele estava viajando, trabalhando. Eu s\u00f3 soube o que aconteceu quando tinha 15 anos.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Paulo Fonteles Filho, outro convidado para depor, contou que sua m\u00e3e, a militante de esquerda Hecilda Veiga, j\u00e1 estava gr\u00e1vida quando foi presa em 1971, em Bras\u00edlia. \u201cEla foi torturada, apesar de gr\u00e1vida de cinco meses. Diziam para ela: \u2018Filho dessa ra\u00e7a n\u00e3o deve nascer\u2019. Eu nasci na pris\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em seu depoimento, Cl\u00f3vis Petit contou que perdeu tr\u00eas de seus irm\u00e3os na Guerrilha do Araguaia. Ele tinha 14 anos quando L\u00facio, o mais velho, despediu-se dele, na rodovi\u00e1ria de Bauru, no interior de S\u00e3o Paulo: \u201cEle me disse: \u2018Fica a\u00ed, cuidando da m\u00e3e, que um dia eu volto para te buscar\u2019. Eu nunca mais o vi.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A sess\u00e3o de ontem tamb\u00e9m teve a presen\u00e7a de dois filhos do sindicalista e perseguido pol\u00edtico Jos\u00e9 Ibrahim, que morreu na semana passada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Todos os depoentes criticaram a interpreta\u00e7\u00e3o, dada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de que a Lei da Anistia teria beneficiado tamb\u00e9m os agentes de Estado envolvidos com viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. \u201cN\u00e3o queremos revanche, vingan\u00e7a, mas justi\u00e7a\u201d, disse Cec\u00edlia Capistrano.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Estado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quais foram os impactos, os traumas, as marcas deixadas pela ditadura militar nos filhos de ex-presos pol\u00edticos, de torturados, mortos e desaparecidos? 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