{"id":5304,"date":"2013-05-08T23:13:01","date_gmt":"2013-05-08T23:13:01","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/08\/governo-brasileiro-quer-verdade-sobre-jango-e-plano-condor\/"},"modified":"2013-05-08T23:13:01","modified_gmt":"2013-05-08T23:13:01","slug":"governo-brasileiro-quer-verdade-sobre-jango-e-plano-condor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/08\/governo-brasileiro-quer-verdade-sobre-jango-e-plano-condor\/","title":{"rendered":"Governo brasileiro quer verdade sobre Jango e Plano Condor"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" \/>Por meio de uma iniciativa in\u00e9dita no Brasil, cujos governos civis n\u00e3o quiseram investigar o Plano Condor, a presidenta Dilma Rousseff resolveu tomar a iniciativa no assunto, atrav\u00e9s de suas principais colaboradoras na \u00e1rea, a ministra de Direitos Humanos, Maria do Ros\u00e1rio, e Rosa Cardoso, que foi sua advogada nos anos da resist\u00eancia \u00e0 ditadura e integra hoje a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. A Carta Maior falou com ambas neste s\u00e1bado (4) sobre as investiga\u00e7\u00f5es envolvendo a morte do ex-presidente Jo\u00e3o Goulart.\u00a0  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-5303\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/foto_mat_41726.jpg\" border=\"0\" width=\"450\" height=\"655\" style=\"vertical-align: middle;\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/foto_mat_41726.jpg 450w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/foto_mat_41726-206x300.jpg 206w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois das evid\u00eancias sobre o envenenamento do ex-presidente chileno Eduardo Frei Montalva, em 1982, e das suspeitas sobre outro assassinato bioqu\u00edmico que pode ter matado o poeta comunista Pablo Neruda, em 1973, logo ap\u00f3s a derrubada de Salvador Allende, o governo brasileiro decidiu apoiar, politicamente, a exuma\u00e7\u00e3o do ex-presidente Jo\u00e3o Goulart, falecido h\u00e1 27 anos na Argentina, aparentemente ap\u00f3s ingerir uma p\u00edlula cuja proced\u00eancia est\u00e1 sob suspeita. Est\u00e1 provado que o ex-presidente deposto em 1964 esteve na mira no Plano Condor, do qual a ditadura brasileira foi uma pe\u00e7a crucial, e a menos investigada da regi\u00e3o at\u00e9 aqui, talvez porque Emilio Garrastazu M\u00e9dici e Ernesto Geisel fossem os generais de maior confian\u00e7a de Henry Kissinger, o verdadeiro fiador da ca\u00e7ada multinacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por meio de uma iniciativa in\u00e9dita no Brasil, cujos governos civis n\u00e3o quiseram investigar o Plano Condor, a presidenta Dilma Rousseff resolveu tomar a iniciativa no assunto, atrav\u00e9s de suas principais colaboradoras na \u00e1rea, a ministra de Direitos Humanos, Maria do Ros\u00e1rio, e Rosa Cardoso, que foi sua advogada nos anos da resist\u00eancia \u00e0 ditadura e integra hoje a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. A Carta Maior falou com ambas neste s\u00e1bado (4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Goulart morreu no dia 6 de dezembro de 1976 na prov\u00edncia argentina de Corrientes e as primeiras suspeitas sobre a causa do falecimento surgiram no dia 7, quando o regime de Ernesto Geisel autorizou o ingresso do corpo no Brasil sob a condi\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o fosse realizada uma aut\u00f3psia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ministra Maria do Ros\u00e1rio, quais s\u00e3o as probabilidades de se descobrir vest\u00edgios t\u00f3xicos em um cad\u00e1ver antigo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 se passaram tantos anos que talvez agora a per\u00edcia n\u00e3o consiga chegar a uma demonstra\u00e7\u00e3o conclusiva de que ele foi envenenado. Mas a exuma\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma parte de nosso trabalho de buscar a verdade sobre o que ocorreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de muita investiga\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade e da fam\u00edlia do ex-presidente Goulart, estamos convencidos de que a persegui\u00e7\u00e3o que se fez contra ele durante tantos anos demonstram claramente que havia a decis\u00e3o de ataca-lo da forma mais vil por partes das ditaduras que atuavam associadas. Ele era um alvo dessas ditaduras que estavam associadas na ideia de elimin\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se a pesquisa n\u00e3o obtiver resultados isso pode dar argumentos aqueles que boicotam a investiga\u00e7\u00e3o do passado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o creio que seja assim, porque temos informa\u00e7\u00f5es muito consistentes que nos permitir\u00e3o seguir outras pistas. H\u00e1 uma determina\u00e7\u00e3o de trabalhar para que este caso seja esclarecido. A presidenta Dilma solicitou a mim e a Comiss\u00e3o da Verdade, que est\u00e1 realizando um trabalho muito importante, que avancemos tudo o que for poss\u00edvel com o caso Jo\u00e3o Goulart e com todos os outros casos de v\u00edtimas do Condor. Estamos investigando h\u00e1 tempo a persegui\u00e7\u00e3o que o presidente Goulart sofreu durante seu longo ex\u00edlio no Uruguai, na Argentina e em outros pa\u00edses. Al\u00e9m de ter sido deposto pelo golpe de 1964, ele foi seguido quase que cotidianamente por agentes brasileiros articulados com os servi\u00e7os de intelig\u00eancia dos demais pa\u00edses do Cone Sul. N\u00f3s j\u00e1 temos isso muito bem documentado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A intoxica\u00e7\u00e3o de Frei e a exuma\u00e7\u00e3o de Neruda refor\u00e7aram a pista do envenenamento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As experi\u00eancias de crimes ocorridos em outros pa\u00edses como o Chile, com estes dois casos que voc\u00ea est\u00e1 citando, nos fazem refor\u00e7ar nossa pesquisa sobre o que aconteceu com Jo\u00e3o Goulart. O certo \u00e9 que houve, em geral, uma persegui\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel e ataques aos dirigentes e presidentes como foi o caso do pr\u00f3prio presidente Salvador Allende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A presidenta Dilma viajar\u00e1 este ano a Washington. Ela pedir\u00e1 que Obama libere documentos secretos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos buscado e obtido muitos documentos e acreditamos que sempre deve haver colabora\u00e7\u00e3o entre na\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrevista concedida por Maria do Ros\u00e1rio \u00e0 Carta Maior j\u00e1 \u00e9, em si mesma, uma confirma\u00e7\u00e3o de que Dilma Rousseff recomendou a sua ministra de Direitos Humanos para que se envolvesse plenamente na reconstru\u00e7\u00e3o da odisseia vivida por Goulart e seu eventual assassinato, al\u00e9m das poss\u00edveis tentativas fracassadas. Um dado pol\u00edtico nada desprez\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia de Jango, que assumiu a pesada tarefa de investigar o caso solitariamente durante anos, apoia a tese de que o plano para elimin\u00e1-lo foi urdido com a participa\u00e7\u00e3o direta do escrit\u00f3rio da CIA no Uruguai, para onde teria sido enviado o repressor brasileiro Sergio Paranhos Fleury. Al\u00e9m de algumas evid\u00eancias e documentos, os herdeiros do ex-presidente citam, para sustentar a ideia do envenenamento, o testemunho do ex-membro do servi\u00e7o de intelig\u00eancia uruguaio, Mario Neira Barreiro, atualmente encarcerado em um pres\u00eddio de seguran\u00e7a m\u00e1xima em Charqueadas, Rio Grande do Sul, que declarou ter sido parte da opera\u00e7\u00e3o pela qual teriam sido colocadas p\u00edlulas letais entre os medicamentos de Goulart.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A advogada Rosa Cardoso, integrante da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, conversou no s\u00e1bado com a Carta Maior, sobre o relato do uruguaio com quem conversou h\u00e1 alguns meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea atribui credibilidade \u00e0s declara\u00e7\u00f5es do ex-agente?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos temos nossas reservas sobre Neira Barreiro, \u00e9 verdade, mas considero que uma parte do que nos disse pode ser verdadeira e, al\u00e9m disso, coincide em alguns pontos com o que a fam\u00edlia Goulart j\u00e1 descobriu e com o que n\u00f3s levantamentos na investiga\u00e7\u00e3o que estamos realizando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acredita que Goulart foi assassinado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma possibilidade que tem que ser ponderada. N\u00e3o podemos assegurar nada at\u00e9 investigar mais e a exuma\u00e7\u00e3o pode aportar algo ou n\u00e3o, porque o estado de decomposi\u00e7\u00e3o pode ser muito avan\u00e7ado. Exumar o corpo e fazer a pesquisa \u00e9 um trabalho que demora um longo tempo, temos que ser pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Convidaram a equipe de antropologia forense argentina para acompanhar esse trabalho?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente o faremos, assim como tamb\u00e9m outros especialistas internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Goulart e Per\u00f3n vigiados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido formalmente em 1975, o Plano Condor j\u00e1 atuava como rede de espionagem multinacional, sem levar esse nome de rapina, desde alguns anos, e uma de suas presas mais cobi\u00e7adas era Jo\u00e3o Goulart, informado pap\u00e9is secretos encontrados por Carta Maior. Um desses documentos, com detalhes de uma conversa entre Goulart e o ex-presidente argentino Juan Per\u00f3n, em 1973, traz o r\u00f3tulo de \u201csecreto\u201d e o selo do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es brasileiro (SNI) e do CIEX, o aparato de intelig\u00eancia montado na \u00e9poca pelo Itamaraty. Outros relatos mencionam que a Argentina de 1973 era uma plataforma de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para o ex-mandat\u00e1rio \u201cpopulista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstes documentos do per\u00edodo em que Goulart era perseguido e espionado na Argentina, dos quais voc\u00ea me fala, mostram que houve um plano perverso contra os democratas e aqueles que amea\u00e7avam a perman\u00eancia da ditadura\u201d, observa a ministra Maria do Ros\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Setores do governo brasileiro sustentam a hip\u00f3tese de que Goulart era um moderado capaz de encabe\u00e7ar uma coaliz\u00e3o pela restitui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, representando uma amea\u00e7a ao modelo de transi\u00e7\u00e3o vigiada concebido, e finalmente aplicado, por Ernesto Geisel. Goulart e Juscelino Kubitscek, outro ex-presidente falecido em um acidente nebuloso em 1976, assim como o chileno Orlando Letelier, assassinado no mesmo ano, poderiam se fortalecer com a vit\u00f3ria do democrata Jimmy Carter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Plano Condor via com horror o retorno de l\u00edderes apoiados por Washington, como conta em uma correspond\u00eancia de agosto de 1976, descoberta h\u00e1 20 anos, enviada pelo ent\u00e3o chefe da DINA chilena, Manuel Contreras, a seu colega na \u00e9poca, Jo\u00e3o Batista Figueiredo, depois promovido a presidente de fato.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Carta Maior<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Por meio de uma iniciativa in\u00e9dita no Brasil, cujos governos civis n\u00e3o quiseram investigar o Plano Condor, a presidenta Dilma Rousseff resolveu tomar a iniciativa no assunto, atrav\u00e9s de suas principais colaboradoras na \u00e1rea, a ministra de Direitos Humanos, Maria do Ros\u00e1rio, e Rosa Cardoso, que foi sua advogada nos anos da resist\u00eancia \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5303,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5304"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5304"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5304\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5303"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}