{"id":5475,"date":"2013-05-16T03:26:56","date_gmt":"2013-05-16T03:26:56","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/16\/familia-de-vlado-recebe-atestado-de-obito-corrigido-apos-38-anos\/"},"modified":"2013-05-16T03:26:56","modified_gmt":"2013-05-16T03:26:56","slug":"familia-de-vlado-recebe-atestado-de-obito-corrigido-apos-38-anos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/16\/familia-de-vlado-recebe-atestado-de-obito-corrigido-apos-38-anos\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia de Vlado recebe atestado de \u00f3bito corrigido ap\u00f3s 38 anos"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p style=\"text-align: justify;\" \/>Talvez tenha sido o atestado de \u00f3bito mais alegremente exibido na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds, saudado com uma intensa salva de palmas e l\u00e1grimas de emo\u00e7\u00e3o. Clarice, Ivo e Lucas, esposa, filho e neto de Vladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura em 1975, n\u00e3o poderiam reagir de outra maneira.  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizes, ergueram o peda\u00e7o de papel \u00e0 altura do ombro para que toda a imprensa registrasse o momento. A partir desta quarta-feira (15), quase 38 anos depois, n\u00e3o existe mais nenhuma d\u00favida sobre a falsidade da foto em que Herzog aparece enforcado numa das celas do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es-Centro de Opera\u00e7\u00f5es para Defesa Interna, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o que passa a valer agora, com timbre oficial, \u00e9 a de que Vlado, como era conhecido, perdeu a vida em &#8220;decorr\u00eancia de les\u00f5es e maus-tratos sofridos durante interrogat\u00f3rio em depend\u00eancia do II Ex\u00e9rcito (DOI-Codi)&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amigos, colegas e familiares sempre souberam disso. O rep\u00f3rter Aud\u00e1lio Dantas presidia o Sindicato dos Jornalistas de S\u00e3o Paulo na \u00e9poca em que Vladimir Herzog foi torturado e morto pelos agentes do Estado brasileiro. Foi uma das vozes que se ergueram publicamente em 1975 para denunciar o crime cometido pela ditadura \u2013 e a farsa que pretendeu emplacar na hist\u00f3ria. Hoje, tinha lugar reservado numa das primeiras fileiras para ver as autoridades entregarem o novo documento \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Desde o primeiro momento rejeitamos a ideia de que Vlado havia se suicidado. Por isso \u00e9 que denunciamos aquela mentira desde o in\u00edcio. Sempre soubemos que havia sido um assassinato&#8221;, afirmou \u00e0 RBA. &#8220;A morte de Herzog foi um marco da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds, porque a partir de ent\u00e3o a sociedade brasileira manifestou que n\u00e3o suportava mais a opress\u00e3o, os assassinatos, as pris\u00f5es, as torturas. \u00c9 uma pena que os governos democr\u00e1ticos tenham tardado tanto para tomar uma atitude como essa.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamanha demora n\u00e3o abalou as for\u00e7as da vi\u00fava de Vlado, Clarice, que tamb\u00e9m nunca teve d\u00favidas de que seu marido havia sido morto. &#8220;Vlado tinha mil projetos de vida&#8221;, conta, recordando sua primeira rea\u00e7\u00e3o ao ver pessoas engravatadas se aproximando de sua casa, com ar solene, pouco depois da pris\u00e3o de Herzog. &#8220;S\u00f3 consegui gritar: mataram o Vlado! mataram o Vlado!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 para c\u00e1, Clarice virou um dos s\u00edmbolos da luta pelo esclarecimento das viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos cometidas pelos agentes do Estado brasileiro durante a ditadura. Virou tamb\u00e9m letra de uma can\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Bosco. E hoje se diz satisfeita com a recente vit\u00f3ria \u2013 apenas mais uma numa sequ\u00eancia de dois anos de grandes conquistas para os familiares das v\u00edtimas. &#8220;\u00c9 a primeira vez que a Uni\u00e3o realmente assinou embaixo que o Vlado foi assassinado. V\u00e1rias fam\u00edlias agora ter\u00e3o o mesmo direito que n\u00f3s tivemos. \u00c9 um ato de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora, justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a batalha n\u00e3o vai parar. &#8220;Claro que vamos continuar. Queremos saber quem foram as pessoas que mataram n\u00e3o apenas o Vlado, mas todos os que perderam a vida durante o regime&#8221;, antecipa a vi\u00fava. &#8220;Essas pessoas est\u00e3o a\u00ed, trabalhando, recebendo sal\u00e1rio pagos com nossos impostos. Est\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos at\u00e9 hoje.&#8221; De acordo com o filho de Vladimir Herzog, Ivo, que dedica a vida \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do pai \u00e0 frente do Instituto Herzog, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 ver os respons\u00e1veis sentados no banco dos r\u00e9us. &#8220;Estamos com uma a\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos aguardando que o processo sobre a morte do meu pai seja admitido pela Corte Interamericana.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso isso ocorra, o Estado teria a obriga\u00e7\u00e3o legal, pelos acordos internacionais que subscreve, de investigar o assassinato do jornalista. &#8220;A gente espera que nesse meio-tempo o Brasil aceite rever sua postura. Tamb\u00e9m temos esperan\u00e7a que o Supremo Tribunal Federal (STF) reveja seu parecer sobre a Lei de Anistia e a aplique como deve aplicar, unilateralmente, porque \u00e9 uma lei para os presos e perseguidos pol\u00edticos, e n\u00e3o para os agentes do Estado que usaram de toda a viol\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presente ao evento, que ocorreu no Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo, na zona oeste da capital, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Maria do Ros\u00e1rio, n\u00e3o conseguiu segurar as l\u00e1grimas. Ao fazer uso da palavra, disse que, se o pa\u00eds vive atualmente seu mais longo per\u00edodo democr\u00e1tico, isso se deve em parte \u00e0 vida de pessoas que foram torturadas e morreram porque ousaram opor-se ao regime militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Devemos reconhecer as persegui\u00e7\u00f5es e assassinatos produzidos pelo governo naquela \u00e9poca como um projeto de terrorismo de Estado&#8221;, afirmou, dizendo-se aliviada por finalmente ver a corre\u00e7\u00e3o no atestado de \u00f3bito de Vladimir Herzog. &#8220;Tanto tempo depois ainda \u00e9ramos obrigados a conviver com essa falsidade. Hoje revelamos uma das muitas mentiras contadas por aqueles que detinham o poder e que, mesmo derrotados pela democracia, ainda mant\u00eam essas mentiras nos documentos oficiais.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a entrega do novo atestado de \u00f3bito \u00e0 fam\u00edlia Herzog, que foi assistido por uma s\u00e9rie de personalidades pol\u00edticas e culturais do pa\u00eds, o Instituto de Geoci\u00eancias sediou a 68\u00aa Caravana da Anistia, que concedeu o t\u00edtulo de &#8220;anistiado pol\u00edtico&#8221; ao estudante da faculdade, Alexandre Vannucchi Leme, assassinado pelo regime em 1973.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Rede Brasil Atual<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez tenha sido o atestado de \u00f3bito mais alegremente exibido na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds, saudado com uma intensa salva de palmas e l\u00e1grimas de emo\u00e7\u00e3o. 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