{"id":5574,"date":"2013-05-22T12:20:48","date_gmt":"2013-05-22T12:20:48","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/22\/presidente-ordenou-exterminio-na-ditadura-diz-comissao\/"},"modified":"2013-05-22T12:20:48","modified_gmt":"2013-05-22T12:20:48","slug":"presidente-ordenou-exterminio-na-ditadura-diz-comissao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/22\/presidente-ordenou-exterminio-na-ditadura-diz-comissao\/","title":{"rendered":"Presidente ordenou exterm\u00ednio na ditadura, diz Comiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A pol\u00edtica de exterm\u00ednio e tortura de advers\u00e1rios pol\u00edticos da ditadura militar (1964-1985) foi organizada por assessores diretos do presidente da Rep\u00fablica, oficiais das For\u00e7as Armadas que estavam na ponta da pir\u00e2mide. J\u00e1 nos primeiros anos ap\u00f3s o golpe contra o presidente Jo\u00e3o Goulart, a partir de 1964, o regime montou uma s\u00e9rie de centros de deten\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos em unidades do Ex\u00e9rcito. As informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o num organograma da repress\u00e3o e num mapa de centros de tortura e deten\u00e7\u00e3o apresentados nesta ter\u00e7a-feira pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1970, in\u00edcio da escalada de assassinatos, os ministros M\u00e1rcio de Souza Mello (Aeron\u00e1utica), Orlando Geisel (Ex\u00e9rcito) e Adalberto de Barros Nunes (Marinha) encabe\u00e7avam um esquema que tinha o Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (CODI), comandado pelo general Syzeno Sarmento, como p\u00f3lo irradiador das a\u00e7\u00f5es e opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Logo abaixo dos minist\u00e9rios militares aparecem os centros de intelig\u00eancia das tr\u00eas for\u00e7as CISA, CIE (atual CIEx) e Cenimar, operados respectivamente pelo brigadeiro Carlos Afonso Dellamora, pelo general Milton Tavares e pelo capit\u00e3o de mar e guerra Fernando Pessoa Rocha Paranhos. Em menos destaque, o organograma aponta a 3a Zona A\u00e9rea, do brigadeiro Jo\u00e3o Paulo Burnier, o I Ex\u00e9rcito do pr\u00f3prio Syzeno Sarmento e o 1o Distrito Naval, do almirante Oct\u00e1vio Jos\u00e9 Sampaio Fernandes. Oficialmente, 361 pessoas foram mortas pela ditadura. Grupos de direitos humanos citam 457.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O organograma da repress\u00e3o e o mapa dos centros de tortura e deten\u00e7\u00e3o foram elaborados pela pesquisadora Helo\u00edsa Starling, da Universidade Federal de Minas Gerais. Ela incluiu no mapa centros de tortura que funcionavam em unidades militares no Rio Grande do Sul, em S\u00e3o Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em Goi\u00e1s, na Bahia e em Pernambuco. O estudo ressalta que as torturas j\u00e1 ocorriam no per\u00edodo considerado &#8220;brando&#8221; da ditadura, de 1964 a 1968, quando foi assinado o AI-5, que aumentou a repress\u00e3o no Pa\u00eds. Instrumentos de tortura como o pau de arara (barra de ferro atravessada entre os punhos amarrados e os joelhos do preso, que fica suspenso de ponta-cabe\u00e7a), o banho chin\u00eas (a cabe\u00e7a do torturado \u00e9 for\u00e7ada para dentro de um barril de \u00e1gua) e o churrasquinho (introdu\u00e7\u00e3o de papel retorcido no \u00e2nus do torturado, e depois ateado fogo) e telefone (aplica\u00e7\u00e3o de golpes com as palmas das m\u00e3os abertas nos ouvidos do preso).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1964, o general Ernesto Geisel, mais tarde presidente, \u00e9 encarregado de apresentar um relat\u00f3rio sobre den\u00fancias de tortura em Pernambuco. Para Helo\u00edsa Starling, Geisel escondeu que a tortura j\u00e1 era uma pr\u00e1tica em unidades do Ex\u00e9rcito. O relat\u00f3rio do general teria, na avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora, dado in\u00edcio ao uso da tortura como instrumento de interrogat\u00f3rio. A tortura estaria, ainda segundo o estudo da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, na origem do golpe militar. No Estado de S\u00e3o Paulo, a pesquisa cita a Base A\u00e9rea de Cumbica, o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social e o quartel do 2o Ex\u00e9rcito, na capital, e o Navio-Pris\u00e3o Raul Soares, em Santos, como centros de tortura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;V\u00edtimas VIPs&#8221;<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o ouviu cr\u00edticas da plateia. Iara Xavier, representante das fam\u00edlias de mortos pela ditadura, disse que n\u00e3o enxergava avan\u00e7o nas investiga\u00e7\u00f5es e pediu foco nas mortes de perseguidos pol\u00edticos. &#8220;Como familiar, n\u00e3o me senti esclarecida do que est\u00e1 sendo feito at\u00e9 agora&#8221;, afirmou. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) disse que ir\u00e1 entrar com pedido de esclarecimento ao Minist\u00e9rio da Defesa sobre a &#8220;mentira&#8221; da Marinha e a manuten\u00e7\u00e3o de segredo dos documentos. &#8220;A mentira da \u00e9 inaceit\u00e1vel para quem quer construir uma ordem democr\u00e1tica&#8221;, disse. &#8220;Os atuais comandantes militares se solidarizam com os antigos chefes, o que n\u00e3o \u00e9 adequado para das For\u00e7as Armadas.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, integrante da comiss\u00e3o, rebateu cr\u00edticas de que o grupo s\u00f3 investiga assassinatos de personalidades do passado, como o ex-deputado Rubens Paiva e o ex-presidente Jo\u00e3o Goulart. &#8220;Ao contr\u00e1rio do que dizem alguns incautos, a comiss\u00e3o n\u00e3o trata de v\u00edtimas VIPs. O presidente Jo\u00e3o Goulart n\u00e3o tem culpa de ter sido presidente&#8221;, disse. Pinheiro anunciou que, na quarta-feira, ser\u00e1 realizada uma reuni\u00e3o, em Porto Alegre, para discutir a exuma\u00e7\u00e3o do corpo do ex-presidente. A comiss\u00e3o foi cobrada especialmente pela demora em investigar viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no campo. Entidades que defendem camponeses querem tratamento igualit\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pol\u00edtica de exterm\u00ednio e tortura de advers\u00e1rios pol\u00edticos da ditadura militar (1964-1985) foi organizada por assessores diretos do presidente da Rep\u00fablica, oficiais das For\u00e7as Armadas que estavam na ponta da pir\u00e2mide. 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