{"id":5579,"date":"2013-05-23T08:08:46","date_gmt":"2013-05-23T08:08:46","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/23\/audiencia-da-comissao-da-verdade-da-unb-e-marcada-por-historias-de-tortura\/"},"modified":"2013-05-23T08:08:46","modified_gmt":"2013-05-23T08:08:46","slug":"audiencia-da-comissao-da-verdade-da-unb-e-marcada-por-historias-de-tortura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/23\/audiencia-da-comissao-da-verdade-da-unb-e-marcada-por-historias-de-tortura\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia da Comiss\u00e3o da Verdade da UnB \u00e9 marcada por hist\u00f3rias de tortura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A Comiss\u00e3o da Verdade e Mem\u00f3ria da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) abriu suas portas para o ex-reitor da institui\u00e7\u00e3o, Antonio Iba\u00f1ez Ruiz, e para o jornalista e ex-aluno Rom\u00e1rio Schettino. Na primeira audi\u00eancia p\u00fablica da comiss\u00e3o, ambos tiveram a oportunidade de contar suas experi\u00eancias durante o per\u00edodo da ditadura militar.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ruiz, em seu per\u00edodo como professor da Unb, nos anos 60 a 80, dividiu com estudantes e membros da comiss\u00e3o alguns dos momentos de repress\u00e3o ao corpo docente. \u201cAs persegui\u00e7\u00f5es eram veladas, de tal forma que criavam condi\u00e7\u00f5es para que voc\u00ea n\u00e3o pudesse sair, n\u00e3o pudesse produzir, dar aulas\u201d. Sua participa\u00e7\u00e3o marcou tamb\u00e9m o lan\u00e7amento do livroEm Tempos de Pensamento Inquieto, com relatos de sua vida na universidade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Schettino, que estudou na Unb entre os anos de 1972 e 1979, disse que foi torturado: \u201cFiquei preso mais de 25 dias sob tortura. Fui recebido com um tapa no ouvido que me deixou zonzo por uns segundos, e interrogado por pessoas que eu nunca soube quem eram, porque eles n\u00e3o tiraram o meu capuz\u201d. Ap\u00f3s ser liberado pelos militares, Schettino n\u00e3o conseguiu retomar imediatamente sua rotina acad\u00eamica e profissional, exilando-se na Europa por dois anos, antes de voltar para o Brasil. \u201cAbandonei a universidade, abandonei meu emprego. Sofri uma interrup\u00e7\u00e3o brutal na minha vida por conta de uma arbitrariedade, de uma decis\u00e3o unilateral do Ex\u00e9rcito brasileiro\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para o jornalista, \u00e9 importante manter viva a mem\u00f3ria do per\u00edodo da ditadura militar no Brasil. \u201cQuando a gente se disp\u00f5e a contar essa hist\u00f3ria, e reviv\u00ea-la, \u00e9 porque ela n\u00e3o pode ser esquecida. Temos de fazer com que as pessoas conhe\u00e7am esses depoimentos e reflitam sobre ele, sobre o que n\u00f3s estamos fazendo aqui hoje e o que n\u00f3s queremos para o Brasil amanh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ruiz tamb\u00e9m demonstrou seu apoio ao trabalho da comiss\u00e3o e considera importante a participa\u00e7\u00e3o das testemunhas dos anos de repress\u00e3o. \u201cTenho o maior respeito por esse trabalho. Acho que tem que ser apoiado por todos n\u00f3s, principalmente por todos aqueles que participaram de alguma forma e sofreram com a repress\u00e3o, para ajudar a montar a nossa hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cristiano Paix\u00e3o, professor da institui\u00e7\u00e3o e coordenador de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Comiss\u00e3o, refor\u00e7ou a import\u00e2ncia da parceria com a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, do Congresso Nacional. Para ele, a troca de informa\u00e7\u00f5es ajuda na investiga\u00e7\u00e3o de crimes envolvendo estudantes e at\u00e9 mesmo o fundador da UnB, An\u00edsio Teixeira, que teria morrido ap\u00f3s cair no fosso do elevador, de acordo com a vers\u00e3o oficial.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO quadro \u00e9 de uma grande colabora\u00e7\u00e3o entre a Comiss\u00e3o da UnB e a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. Na nossa sess\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o, tivemos a den\u00fancia de que o fundador da UnB, An\u00edsio Teixeira, teria sido uma v\u00edtima da ditadura. Isso faz parte do grupo de mortos e desaparecidos da Comiss\u00e3o Nacional. Estamos trabalhando em sintonia para investigar o caso An\u00edsio e tamb\u00e9m o desaparecimento de tr\u00eas estudantes [Honestino Guimar\u00e3es, Ieda Santos Delgado e Paulo de Tarso Celestino, desaparecidos no per\u00edodo da ditadura militar].\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o da Verdade e Mem\u00f3ria da UnB continuar\u00e1 ouvindo depoimentos e deve receber, at\u00e9 junho, o ex-reitor e atual senador Cristovam Buarque, dentre outras testemunhas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o da Verdade e Mem\u00f3ria da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) abriu suas portas para o ex-reitor da institui\u00e7\u00e3o, Antonio Iba\u00f1ez Ruiz, e para o jornalista e ex-aluno Rom\u00e1rio Schettino. 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