{"id":5639,"date":"2013-05-26T22:17:35","date_gmt":"2013-05-26T22:17:35","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/26\/nenhuma-indenizacao-vai-pagar-sofrimentos-diz-ex-militante-em-bh\/"},"modified":"2013-05-26T22:17:35","modified_gmt":"2013-05-26T22:17:35","slug":"nenhuma-indenizacao-vai-pagar-sofrimentos-diz-ex-militante-em-bh","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/05\/26\/nenhuma-indenizacao-vai-pagar-sofrimentos-diz-ex-militante-em-bh\/","title":{"rendered":"\u2018Nenhuma indeniza\u00e7\u00e3o vai pagar sofrimentos\u2019, diz ex-militante em BH"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Comiss\u00e3o da Anistia passou pela capital nesta sexta-feira.\u00a0Parentes, amigos e pol\u00edticos participaram do julgamento.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-5627\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/wellington_moreira_diniz.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Wellington Moreira Diniz em meio \u00e0 instala\u00e7\u00e3o com fotos de\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>militantes mortos durante ditadura (Foto: Alex Ara\u00fajo\/G1)  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A 69\u00aa Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a julgou, nesta sexta-feira (24), em Belo Horizonte, processos de dois perseguidos pol\u00edticos durante a \u00e9poca da ditadura. Mineiros que participaram da luta pela democracia tamb\u00e9m foram homenageados.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O ex-militante da Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR) Wellington Moreira Diniz, de 66 anos, e o j\u00e1 morto Cec\u00edlio Em\u00eddio Saturnino, que era cabo da Pol\u00edcia Militar (PM) \u2013 foi representado pelo sobrinho Reinaldo Nunes da Silva, de 56 anos \u2013 tiveram requerimentos avaliados. A comiss\u00e3o concedeu a anistia a Diniz, al\u00e9m da repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica m\u00e1xima, no valor de R$ 100 mil. Ao cabo Silva, a anistia tamb\u00e9m foi concedida. Ele tamb\u00e9m foi promovido ao posto de primeiro sargento da Pol\u00edcia Militar de Minas Gerais.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Para Wellington Moreira Diniz, exilado no Chile entre 1970 e 1984, a anistia tem um valor \u201csimb\u00f3lico\u201d. \u201cNenhuma indeniza\u00e7\u00e3o vai pagar nem as dores, nem os sofrimentos que a gente passou nos por\u00f5es da tortura\u201d, desabafou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No caso do ex-militante, o valor da indeniza\u00e7\u00e3o se refere \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o sofrida entre outubro de 1968 a agosto 1979. J\u00e1 o pedido de desculpas a Cec\u00edlio Em\u00eddio Saturnino se deu pelo epis\u00f3dio da persegui\u00e7\u00e3o como um todo, de acordo com a assessoria da comiss\u00e3o.O evento foi na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Centro da capital.<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>De acordo com o presidente da comiss\u00e3o, Paulo Abr\u00e3o, a anistia \u00e9 um ato de reconhecimento dos preju\u00edzos que o pa\u00eds cometeu na vida das pessoas. \u201cTrata-se do pedido oficial de desculpas. Isso significa uma repara\u00e7\u00e3o moral e, ao mesmo tempo, o reconhecimento do leg\u00edtimo direito de resist\u00eancia das pessoas contra a opress\u00e3o\u201d, disse.<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>Segundo ele, desde que a comiss\u00e3o foi criada, em 2001, cerca de 72 mil pedidos\u00a0 j\u00e1 foram recebidos. At\u00e9 ent\u00e3o, 62 mil casos j\u00e1 foram apreciados, sendo 20 mil indeferidos e outros 42 mil deferidos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Wellington Moreira Diniz afirmou que se trata de uma evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. \u201cSe n\u00e3o tivesse existido a luta armada n\u00e3o existiria a democracia\u201d. Ele criticou, ainda, a falta de puni\u00e7\u00e3o para os militares que estiveram \u00e0 frente da tortura. \u201cEst\u00e3o ai, andando livremente\u201d. \u201cAqueles que constru\u00edram a hist\u00f3ria, realmente, est\u00e3o no anonimato\u201d, contou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Atualmente, o mineiro mora em Sete Lagoas, na Regi\u00e3o Central de Minas, e tem seis filhos, al\u00e9m de tr\u00eas adotivos, entre brasileiros, chilenos, italianos e angolanos.<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>\u00c0 \u00e9poca da ditadura, Diniz era estudante do curso de Ci\u00eancias Sociais da UFMG, e trabalhava como redator em um jornal. Ele participou de manifesta\u00e7\u00f5es e atividades pol\u00edticas contr\u00e1rias ao regime militar.<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>O ent\u00e3o cabo da PM Cec\u00edlio Em\u00eddio Saturnino era tamb\u00e9m militante. Saturnino ficou preso de 1970 a 1979, em Belo Horizonte, e em Juiz de Fora, na Regi\u00e3o da Zona da Mata. Ele morreu em 1997, aos 67 anos.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-5638\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ronaldo_nunes_da_silva.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"465\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Ronaldo Nunes da Silva representa o tio perseguido e torturado pelo governo militar (Foto: Alex Ara\u00fajo\/G1)<\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Para Reinaldo Nunes da Silva, sobrinho de Saturnino e representante da fam\u00edlia, apenas a indeniza\u00e7\u00e3o, que pode chegar a R$ 100 mil, n\u00e3o \u00e9 suficiente para cessar a dor dos parentes. \u201c\u00c9 preciso que se fa\u00e7a justi\u00e7a, que os generais respons\u00e1veis pelas torturas sejam punidos, presos. Eles fizeram a ditadura mais sangrenta da Am\u00e9rica Latina\u201d, desabafou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ainda, segundo ele, no caso do tio, que era cabo, a fam\u00edlia pedia que o militar fosse promovido \u00e0 patente de coronel. \u201cEle era uma pessoa intelectual. \u00c9 preciso que ele tamb\u00e9m seja recompensado como se ele estivesse vivo\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Silva contou que Saturnino foi torturado diversas vezes no antigo Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social de Minas Gerais (Dops-MG). \u201cTeve uma vez, em 1971, que eu e o meu av\u00f4 fomos visit\u00e1-lo no Dops. Ele foi torturado no pau de arara, levou choque el\u00e9trico e teve agulhas enfiadas debaixo das unhas. Depois, ele teve as 20 unhas arrancadas\u201d, relembrou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Silva contou ainda que o tio era constantemente perseguido porque era chefe da Alian\u00e7a de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ALN), grupo que opunha aos ideais do governo ditador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o que julgou os requerimentos contou com sete conselheiros. Entre eles, o deputado federal Nilm\u00e1rio Miranda (PT-MG).<span class=\"s2\"><\/p>\n<p> <\/span>Neste s\u00e1bado (25), um monumento de homenagem aos perseguidos pol\u00edticos e \u00e0 luta pela anistia em Minas Gerais ser\u00e1 inaugurado, na Avenida Afonso Pena, em frente ao antigo Dops. O s\u00edmbolo \u00e9 o primeiro de dez que ser\u00e3o erguidos pelo Brasil, do \u201cTrilhas da Anistia\u201d, parte do projeto Marcas da Mem\u00f3ria da Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o da Anistia passou pela capital nesta sexta-feira.\u00a0Parentes, amigos e pol\u00edticos participaram do julgamento. 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