{"id":568,"date":"2012-05-22T03:26:08","date_gmt":"2012-05-22T03:26:08","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/22\/a-entrevista-da-filha-de-soledad-a-folha-de-s-paulo\/"},"modified":"2012-05-22T03:26:08","modified_gmt":"2012-05-22T03:26:08","slug":"a-entrevista-da-filha-de-soledad-a-folha-de-s-paulo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/22\/a-entrevista-da-filha-de-soledad-a-folha-de-s-paulo\/","title":{"rendered":"A entrevista da filha de Soledad \u00e0 Folha de S. Paulo"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Folha de S. Paulo domingo (20), ecoando a instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade, entrevista com a filha de uma v\u00edtima da repress\u00e3o: \u00d1asaindy Barrett de Ara\u00fajo, filha de Soledad Barrett, que foi assassinada em Recife, em 1973 por sic\u00e1rios do DOPS de S\u00e3o Paulo comandados pelo delegado S\u00e9rgio Fleury. Uma entrevista, \u00e9 preciso dizer, controversa&#8230; (JCR)<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-566\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/soledad27283.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"368\" style=\"vertical-align: middle;\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/soledad27283.jpg 300w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/soledad27283-245x300.jpg 245w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" \/>\n<p class=\"p1\" \/>\n<address>Soledad Barrett, assassinada pela repress\u00e3o em 1973<\/address>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00d1asaindy Barrett de Ara\u00fajo guarda na sua pessoa uma heran\u00e7a de carne da magn\u00edfica mulher que foi Soledad Barrett. \u00d1asaindy, esse nome lindo, um verdadeiro nome de poesia, tem em sua face tra\u00e7os da beleza f\u00edsica de Soledad. Aquela que despertou cora\u00e7\u00f5es e fogo apaixonado no poeta Mario Benedetti, aquela que fez o compositor Daniel Viglietti busc\u00e1-la em can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas este n\u00e3o \u00e9 um coment\u00e1rio de literatura cortes\u00e3. O par\u00e1grafo anterior quer dizer em bom portugu\u00eas: depois da semelhan\u00e7a f\u00edsica e do maravilhoso nome, torna-se difusa a rela\u00e7\u00e3o de identidade entre a filha e a m\u00e3e. Se a entrevista publicada na Folha de S. Paulo transcreveu o pensamento de \u00d1asaindy, se foi fiel, ent\u00e3o sentimos um desconforto ao ler as linhas da voz da filha a seguir.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cPrimeiro, s\u00f3 pensava: puxa, por que ela me abandonou? Precisei entender a Soledad para perdo\u00e1-la e dizer: Eu entendo voc\u00ea. Entendo que o mal que voc\u00ea me fez era pelo bem da humanidade, do Brasil, sei l\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">E mais estas aqui:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSobre o delator da m\u00e3e, o cabo Anselmo, afirma que nunca conseguiu odi\u00e1-lo. \u2018Procurei muito esse sentimento em mim, mas n\u00e3o consegui\u2019&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">D\u00f3i na gente saber que \u00d1asaindy n\u00e3o odeia o cabo Anselmo. N\u00e3o se trata de vendetta, de vingan\u00e7a, do costume atrasado do interior do Nordeste brasileiro e de antigas fam\u00edlias da It\u00e1lia. Trata-se de algo mais s\u00e9rio que desforra de sangue: trata-se do salutar \u00f3dio a quem traiu a generosidade, mais conhecida em pol\u00edtica como o sentimento socialista.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A filha n\u00e3o \u00e9 Soledad, assim manda a realidade, por mais de um motivo. No primeiro deles estamos em 2012, h\u00e1 quase quarenta anos de dist\u00e2ncia do assassinato da bela guerreira. Muita \u00e1gua rolou, muito c\u00e2mbio houve. O segundo motivo, e me parece essencial, \u00e9 que \u00d1asaindy reconstr\u00f3i o seu ser, a sua identidade, a partir da mem\u00f3ria do que lhe contaram e contam sobre a sua m\u00e3e. E nesse recontar que lhe chega aos ouvidos sobrevive o veneno do cabo Anselmo. Aquele, o traidor, que fala manso e espalha pe\u00e7onha com palavras de mel at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">E mais n\u00e3o \u00e9 justo nem humano falar nesta hora.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Urariano Mota, escritor e jornalista, \u00e9 autor do livro Soledad no Recife (S\u00e3o Paulo, Boitempo, 2009).<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Vermelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Folha de S. 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