{"id":58,"date":"2012-05-06T03:52:48","date_gmt":"2012-05-06T03:52:48","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/06\/rondonia-e-o-golpe-militar-de-1964-final\/"},"modified":"2012-05-06T03:52:48","modified_gmt":"2012-05-06T03:52:48","slug":"rondonia-e-o-golpe-militar-de-1964-final","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/06\/rondonia-e-o-golpe-militar-de-1964-final\/","title":{"rendered":"Rond\u00f4nia e o Golpe Militar de 1964 \u2013 Final"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>1. O golpe militar, ou revolu\u00e7\u00e3o redentora, ou regime militar, ou ditadura militar, deixou marcas e cicatrizes nos seus vinte e um anos de atividade. N\u00e3o adiante dizer ao contr\u00e1rio. Mas, al\u00e9m de prender, torturar, expurgar, perseguir, cassar, censurar e aposentar servidores, existe outro lado, outra hist\u00f3ria e outra vers\u00e3o que a maioria dos historiadores, soci\u00f3logos, antrop\u00f3logos, l\u00edderes pol\u00edticos e dirigentes partid\u00e1rios fazem quest\u00e3o de esconder e, se poss\u00edvel, apagar da foto. N\u00e3o d\u00e1 para fazer isso. Mas est\u00e1 sendo tentado. Em Rond\u00f4nia, por exemplo, a maioria dos acontecimentos que resultaram na cria\u00e7\u00e3o do Estado, ocorreu por for\u00e7a dos interesses do regime militar.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quando o golpe foi desfechado, Rond\u00f4nia era um dos tr\u00eas territ\u00f3rios federais do pa\u00eds, al\u00e9m de Roraima e Amap\u00e1. Sua estrutura pol\u00edtica estava assentada em dois munic\u00edpios, Porto Velho e Guajar\u00e1-Mirim, gigantescas \u00e1reas territoriais mas com pequenas cidades. O regime militar decidiu colocar os territ\u00f3rios sob a tutela das for\u00e7as armadas. Destarte, Roraima passou \u00e0 tutela da Aeron\u00e1utica, Amap\u00e1 ficou sob o controle da Marinha e, Rond\u00f4nia, do Ex\u00e9rcito. Por isso apareceu no cen\u00e1rio pol\u00edtico rondoniense aquele certo capit\u00e3o Anachreonte Coury Gomes, que, em trinta dias, prendeu, arrebentou e at\u00e9 formou seu staff de governo, como se governador fosse, nomeado, indicado ou eleito. N\u00e3o era nada disso. Mas teve seguidores.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">2. Ao ordenar ao governador em exerc\u00edcio, Eudes Camponizzi, que, para o bem de sua sa\u00fade ficasse doente, Anacreonte n\u00e3o perdeu tempo e formou seu governo que teve a seguinte composi\u00e7\u00e3o: secret\u00e1rio-geral e de administra\u00e7\u00e3o M\u00e1rio de Almeida Lima; chefe de gabinete professor Dorival de Souza Fran\u00e7a, este seria seu principal aliado; Seguran\u00e7a P\u00fablica, Dr. Eli Gorayeb; Educa\u00e7\u00e3o, professor Lourival Chagas da Silva; Obras, Dr. Calmon Viana Tabosa; Servi\u00e7o de Geografia e Estat\u00edstica, professor Rubens Cantanhede Mota; Servi\u00e7o de Navega\u00e7\u00e3o do Guapor\u00e9, Hayden do Couto; Comando da Guarda Territorial, Eduardo Lima e Silva, \u201cSeu Dudu\u201d, que se tornou o principal executor das pris\u00f5es pol\u00edticas; prefeito de Porto Velho, Dr. Hamilton Raulino Gondim, m\u00e9dico. Prefeito de Guajar\u00e1-Mirim, Clementino Gomes Pinheiro Castelo Branco; delegado de pol\u00edcia da capital, tenente Orlando Freire, e, assessor de comunica\u00e7\u00e3o, jornalista Lu\u00eds Tourinho. Era a for\u00e7a do regime militar e o medo que este regime desconhecido e escuro estava provocando. Um fato que pode resumir esta situa\u00e7\u00e3o, foi quando militares chegaram \u00e0 casa do m\u00e9dico Hamilton Raulino Gondim, para lev\u00e1-lo at\u00e9 o pal\u00e1cio, onde seria informado de sua investidura como prefeito. Ao ver os soldados, o Dr. Gondim, nervoso, teria apontado imediatamente para o seu vizinho e sapecou: \u201co comunista mora aqui do lado\u201d. Era a casa do m\u00e9dico Ary Tupinamb\u00e1 Pena Pinheiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">3. Depois do fat\u00eddico per\u00edodo Anachreonte, v\u00e1rios oficiais superiores do Ex\u00e9rcito foram nomeados governadores de Rond\u00f4nia. Veja a seguir a lista desses coron\u00e9is, majores e generais que, a servi\u00e7o da ditadura militar, deram sua contribui\u00e7\u00e3o, para o bem ou para o mal, aos destinos do atual estado de Rond\u00f4nia: coronel Jos\u00e9 Manuel Lutz da Cunha e Menezes, o primeiro; coronel Carlos dos Santos Mader (pai da atriz Malu Mader), coronel Fl\u00e1vio de Assump\u00e7\u00e3o Cardoso, tenente-coronel Jos\u00e9 Campedeli, coronel Jo\u00e3o Carlos Marques Henriques Neto, coronel Theodorico Gayva, coronel Humberto da Silva Guedes e, o \u00faltimo, coronel Jorge Teixeira de Oliveira. Durante o regime militar v\u00e1rios fatores contribu\u00edram para a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Rond\u00f4nia, dentre os quais podem ser destacados: a cria\u00e7\u00e3o do 5\u00ba. BEC e a erradica\u00e7\u00e3o da ferrovia Madeira-Mamor\u00e9, a eleva\u00e7\u00e3o do Territ\u00f3rio Federal de Rond\u00f4nia \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de fronteira de expans\u00e3o agropecu\u00e1ria e a atra\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria decorrente; a cria\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia estan\u00edfera de Rond\u00f4nia e a eleva\u00e7\u00e3o de Porto Velho como capital mundial do estanho. A constru\u00e7\u00e3o da UHE de Samuel, em Porto Velho (hoje Candeias do Jamari), a cria\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios de Ariquemes, Ji-Paran\u00e1, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena, em 1977, e Jaru, Ouro Preto do Oeste, Presidente M\u00e9dici, Espig\u00e3o do Oeste, Colorado do Oeste e Costa Marques, em 1981, a funda\u00e7\u00e3o da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil,OAB, a abertura de cinco rodovias federais e a consolida\u00e7\u00e3o da BR 364, e altera\u00e7\u00e3o do modelo econ\u00f4mico de Rond\u00f4nia, que passou do extrativismo vegetal para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e pecu\u00e1ria e, finalmente, a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Rond\u00f4nia, a 23\u00aa. Unidade Federada da Uni\u00e3o. Estes fatos podem ser criticados da forma como se quiser. Mas n\u00e3o se poder\u00e1 apag\u00e1-los da Hist\u00f3ria recente deste pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">4. O \u00faltimo governador nomeado pelo regime militar foi o coronel Jorge Teixeira de Oliveira. Em 1979 ele assumia o governo do Territ\u00f3rio Federal de Rond\u00f4nia, com uma miss\u00e3o a cumprir: reunir condi\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas para elevar o Territ\u00f3rio \u00e0 categoria de Estado. Foi o \u00faltimo governador do Territ\u00f3rio Federal de Rond\u00f4nia e o primeiro do Estado. Militar condecorado, ex-prefeito de Manaus, soube conquistar para suas hostes antigos militantes de esquerda, comunistas org\u00e2nicos e os chamados \u201cmelancias\u201d aqueles que eram verde por fora mas vermelho por dentro. At\u00e9 os dias atuais, nenhum governador, de Angelim a Conf\u00facio, conseguiu superar o coronel Jorge Teixeira, em se tratando de projetar a imagem a angariar reconhecimento. \u00danico governador do Estado falecido, tem seu nome gravado em avenidas, pra\u00e7as, escolas, terminais vi\u00e1rios e em dois munic\u00edpios. Como escrever a hist\u00f3rica do ciclo dos generais neste pa\u00eds e omitir ideologicamente a verdade hist\u00f3rica, como vem sendo feito, sem o risco de se sacrificar a mem\u00f3ria pol\u00edtica do Brasil e, no caso espec\u00edfico, de Rond\u00f4nia?<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Por Francisco Matias &#8211; <\/span>Historiador e analista pol\u00edtico<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. O golpe militar, ou revolu\u00e7\u00e3o redentora, ou regime militar, ou ditadura militar, deixou marcas e cicatrizes nos seus vinte e um anos de atividade. N\u00e3o adiante dizer ao contr\u00e1rio. 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