{"id":5977,"date":"2013-06-14T02:10:14","date_gmt":"2013-06-14T02:10:14","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/06\/14\/sem-a-usp-comissao-da-verdade-de-sp-suspende-audiencia-sobre-ana-rosa-kucinski\/"},"modified":"2013-06-14T02:10:14","modified_gmt":"2013-06-14T02:10:14","slug":"sem-a-usp-comissao-da-verdade-de-sp-suspende-audiencia-sobre-ana-rosa-kucinski","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/06\/14\/sem-a-usp-comissao-da-verdade-de-sp-suspende-audiencia-sobre-ana-rosa-kucinski\/","title":{"rendered":"Sem a USP, Comiss\u00e3o da Verdade de SP suspende audi\u00eancia sobre Ana Rosa Kucinski"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para Bernardo Kucinski, irm\u00e3o da professora desaparecida em 1974, institui\u00e7\u00e3o optou na \u00e9poca pelo caminho &#8216;de legitimar e dar cobertura&#8217; a um ato criminoso<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/cidadania\/2013\/06\/com-ausencia-da-usp-comissao-da-verdade-de-sp-suspende-audiencia-sobre-ana-rosa-kucinski-4742.html\/anarosakucinski.jpg\/image_preview\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Ana Rosa (e) desapareceu h\u00e1 quase quarenta anos, e at\u00e9 hoje o irm\u00e3o Bernardo Kucinski luta para esclarecer o caso  <!--more-->  <\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo suspendeu a audi\u00eancia p\u00fablica que seria realizada na sexta-feira (14) para discutir o caso de Ana Rosa Kucinski Silva e Wilson Silva, casal desaparecido desde a tarde 22 de abril de 1974, quando comemoravam quatro anos de uni\u00e3o. O adiamento foi feito a pedido da fam\u00edlia de Ana Rosa, porque a dire\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), onde ela era professora, decidiu n\u00e3o participar, considerando o evento \u201cprematuro\u201d e \u201cinoportuno\u201d, de acordo com correspond\u00eancia encaminhada \u00e0 comiss\u00e3o pelo superintendente de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da institui\u00e7\u00e3o, Wanderlei Messias da Costa.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na segunda-feira (10), o escritor e jornalista Bernardo Kucinski, irm\u00e3o de Ana Rosa e ex-professor da USP, encaminhou mensagem \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade paulista, lamentando a postura da universidade. A comiss\u00e3o pretendia discutir as circunst\u00e2ncias da demiss\u00e3o da professora do Instituto de Qu\u00edmica em 1975, quase um ano ap\u00f3s o desaparecimento. &#8220;E o tempo urge. Meu irm\u00e3o Wulf Kucinski, que tanto batalhou pela localiza\u00e7\u00e3o de minha irm\u00e3, faleceu no ano passado aos 80 anos de idade, sem conhecer a verdade dos fatos. Eu j\u00e1 estou na casa dos 76 anos.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O caso \u00e9 emblem\u00e1tico na maior universidade brasileira. O F\u00f3rum Aberto pela Democratiza\u00e7\u00e3o da USP j\u00e1 se manifestou no sentido de que a universidade anule a demiss\u00e3o por \u201cabandono de fun\u00e7\u00e3o\u201d de Ana Rosa, que tinha 32 anos na \u00e9poca do desaparecimento.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Presidente da Comiss\u00e3o da Verdade da USP, o professor Dalmo de Abreu Dallari lembrou que o colegiado ainda n\u00e3o foi instalado, o que pode ocorrer a partir da pr\u00f3xima semana. \u201cAt\u00e9 agora n\u00e3o tivemos nenhuma reuni\u00e3o. Esse (Ana Rosa) \u00e9 um dos casos que a gente vai ter de analisar. Vamos trabalhar com ocorr\u00eancias diretamente relacionadas com as atividades universit\u00e1rias.\u201d Ele tamb\u00e9m pretende procurar as duas outras comiss\u00f5es universit\u00e1rias de S\u00e3o Paulo, da PUC e da Unifesp, para troca de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A USP decidiu formar sua pr\u00f3pria Comiss\u00e3o da Verdade, mas o processo foi contestado por parte da comunidade acad\u00eamica \u2013 o f\u00f3rum o considerou autorit\u00e1rio. O superintendente disse que a comiss\u00e3o \u201cencontra-se em fase de instala\u00e7\u00e3o e in\u00edcio das suas atividades\u201d. Em maio, a reitoria nomeou os sete professores que comp\u00f5em a CV.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00edtima do Estado<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em 1995, o nome de Ana Rosa, que era militante da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), foi inclu\u00eddo na lista de 136 pessoas consideras desaparecidas, conforme a Lei 9.140. A Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos declarou a professora como v\u00edtima do Estado brasileiro.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Dois anos antes, em 1993, o ex-cabo do Ex\u00e9rcito Jos\u00e9 Rodrigues Gon\u00e7alves concedeu depoimento \u00e0 jornalista M\u00f4nica Bergamo para uma reportagem que terminou n\u00e3o sendo publicada pela revista Veja, na qual afirma que Ana Rosa e Wilson foram presos pelo Dops paulista e transferidos para a chamada Casa da Morte, em Petr\u00f3polis (RJ), onde teriam sido assassinados dias depois. O ex-delegado Cl\u00e1udio Guerra, em depoimento para o livro Mem\u00f3rias de uma Guerra Suja, dos jornalistas Marcelo Netto e Rog\u00e9rio Medeiros, afirmou que o corpo da professora foi incinerado na usina Camba\u00edba, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em outubro do ano passado, quando assinaram termo de coopera\u00e7\u00e3o, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) e a comiss\u00e3o paulista pediram \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o do Instituto de Qu\u00edmica da USP e ao reitor da universidade que revisse a decis\u00e3o de outubro de 1975, sobre a demiss\u00e3o da professora. &#8220;Apesar de o ent\u00e3o reitor da USP, Fl\u00e1vio Fava de Moraes, em 1995, ter determinado o cancelamento da demiss\u00e3o de Ana Rosa Kucinski, mesmo ano em que a professora foi declarada desaparecida pelo governo federal, \u00e9 preciso que o Instituto de Qu\u00edmica reveja publicamente essa decis\u00e3o da congrega\u00e7\u00e3o de 1975, o que at\u00e9 hoje n\u00e3o ocorreu&#8221;, afirmou a CNV.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na carta que encaminhou ao deputado Adriano Diogo (PT), presidente da Comiss\u00e3o da Verdade paulista, o escritor lembra do epis\u00f3dio, quando o reitor Fl\u00e1vio Fava atendeu a requerimento do pr\u00f3prio Kucinski e ao parecer da assessoria jur\u00eddica da USP, emitindo (em 20 de julho de 1995), ordem para que fosse cancelada a demiss\u00e3o de Ana Rosa, para &#8220;restaurar a verdade hist\u00f3rica&#8221;. &#8220;Ficou faltando a mesma restaura\u00e7\u00e3o da verdade hist\u00f3rica no \u00e2mbito da burocracia e do sistema de poder da universidade em si.&#8221; Para ele, os procedimentos que resultaram na demiss\u00e3o de Ana Rosa &#8220;constitu\u00edram um processo coletivo da USP como organismo social, envolvendo servidores e professores e institui\u00e7\u00f5es e formalismos de todos os escal\u00f5es da Universidade desde sua assessoria jur\u00eddica at\u00e9 a Congrega\u00e7\u00e3o da Qu\u00edmica&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m na carta, Bernardo Kucinski disse considerar um &#8220;subterf\u00fagio&#8221; a justificativa do reitor Jo\u00e3o Grandino Rodas, de que foi formada uma comiss\u00e3o espec\u00edfica na USP, para n\u00e3o comparecer \u00e0 audi\u00eancia. E voltou a criticar a postura da institui\u00e7\u00e3o. &#8220;Enquanto entidades como a Anistia Internacional e a Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo j\u00e1 se empenhavam em denunciar a repress\u00e3o pol\u00edtica no Brasil, a Congrega\u00e7\u00e3o da Qu\u00edmica e a Reitoria dessa universidade optaram pelo caminho oposto de legitimar e dar cobertura ao ato criminoso do sequestro e desaparecimento de minha irm\u00e3. \u00c9 disso que se trata.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ele disse ainda lamentar manifesta\u00e7\u00e3o do instituto, em 2012, que ignorava as circunst\u00e2ncias do desaparecimento de Ana Rosa. E reiterou disposi\u00e7\u00e3o de comparecer diante da comiss\u00e3o, &#8220;desde que assim o fa\u00e7am os dirigentes dos setores da USP envolvidos no caso e\/ou com conhecimento dos fatos&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Rede Brasil Atual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Bernardo Kucinski, irm\u00e3o da professora desaparecida em 1974, institui\u00e7\u00e3o optou na \u00e9poca pelo caminho &#8216;de legitimar e dar cobertura&#8217; a um ato criminoso \u00a0 Ana Rosa (e) desapareceu h\u00e1 quase quarenta anos, e at\u00e9 hoje o irm\u00e3o Bernardo Kucinski luta para esclarecer o caso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5977"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5977"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5977\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}