{"id":6083,"date":"2013-06-26T02:14:39","date_gmt":"2013-06-26T02:14:39","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/06\/26\/comissao-da-verdade-comeca-a-ouvir-depoimentos-de-ex-presos-politicos-em-sc\/"},"modified":"2013-06-26T02:14:39","modified_gmt":"2013-06-26T02:14:39","slug":"comissao-da-verdade-comeca-a-ouvir-depoimentos-de-ex-presos-politicos-em-sc","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/06\/26\/comissao-da-verdade-comeca-a-ouvir-depoimentos-de-ex-presos-politicos-em-sc\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade come\u00e7a a ouvir depoimentos de ex-presos pol\u00edticos em SC"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Estadual da Verdade Paulo Stuart Wright come\u00e7ou a ouvir pessoas que foram presas em Santa Catarina durante a Ditadura Militar (1964-1985). Membros da comiss\u00e3o estiveram na tarde desta segunda-feira (24) na resid\u00eancia do casal Salim Miguel e Egl\u00ea Malheiros, que foram presos em Florian\u00f3polis em abril de 1964, dias ap\u00f3s o golpe militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6082\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/alesc.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/alesc.jpg 800w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/alesc-300x200.jpg 300w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/alesc-768x513.jpg 768w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/alesc-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo da comiss\u00e3o \u00e9 colher informa\u00e7\u00f5es que auxiliem no esclarecimento dos abusos cometidos contra os direitos humanos durante o regime militar em Santa Catarina. Essas informa\u00e7\u00f5es v\u00e3o auxiliar os trabalhos da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor Salim Miguel, hoje com 89 anos, ficou preso por 48 dias, entre os meses de abril e maio de 1964, no Quartel-Geral da Pol\u00edcia Militar, em Florian\u00f3polis. \u201cAt\u00e9 hoje n\u00e3o sei porque fui preso\u201d, afirma. Ele n\u00e3o era e nunca foi filiado a partidos pol\u00edticos, mas um dos seus s\u00f3cios na livraria da qual era dono era filiado ao Partido Comunista. Os livros comercializados no estabelecimento foram incinerados \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salim n\u00e3o chegou a ser torturado fisicamente no per\u00edodo em que ficou preso. No entanto, est\u00e1 marcado em sua mem\u00f3ria um \u201cpasseio\u201d. Conta ele que foi retirado da cela e colocado num carro, onde estavam outros dois presos e dois oficiais. Em determinado momento, o ve\u00edculo parou na cabeceira da Ponte Herc\u00edlio Luz e um dos oficiais perguntou o que seria de uma pessoa que fosse jogada da ponte. \u201cS\u00f3 jogando para saber\u201d, respondeu o outro oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNesse momento eu achei que fosse ser atirado no mar. Isso nunca saiu e nem vai sair da minha mem\u00f3ria\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora Egl\u00ea Malheiros, 84 anos, lecionava no Instituto Estadual de Educa\u00e7\u00e3o, em Florian\u00f3polis, e era filiada ao Partido Comunista. Assim que houve o golpe militar, ela foi proibida de entrar no seu local de trabalho. Dias ap\u00f3s seu esposo ser preso, foi a vez dela ser levada de casa pelos oficiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o me lembro exatamente do dia em que fui presa. Mas me lembro que foi num fim de tarde. Minhas crian\u00e7as ficaram em casa sozinhas\u201d, disse. Egl\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o foi torturada, nem interrogada, mas respondeu a Inqu\u00e9rito Policial Militar. Dias depois, foi posta em pris\u00e3o domiciliar. S\u00f3 voltou a poder a entrar no instituto em 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO mais marcante disso tudo \u00e9 que a mudan\u00e7a total que ocorre nas vidas das pessoas. De repente, muda tudo. Quem te visitava, n\u00e3o passa mais a te visitar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Derlei Catarina de Luca, membro da comiss\u00e3o, mais depoimentos ser\u00e3o tomados nos pr\u00f3ximos dias. \u201cN\u00f3s j\u00e1 temos mais um depoimento marcado para a pr\u00f3xima semana\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A deputada Luciane Carminatti (PT), que representa a Assembleia Legislativa na comiss\u00e3o, destacou a import\u00e2ncia dos depoimentos para o esclarecimento das viola\u00e7\u00f5es cometidas durante o regime militar. \u201cEssa \u00e9 uma hist\u00f3ria que n\u00e3o pode ser refeita, mas que tem que ser olhada para que ela sirva de alerta para o futuro\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o \u00e9 formada por representantes do Tribunal de Justi\u00e7a (TJSC), da Procuradoria-Geral do Estado, OAB, Assembleia Legislativa, e do Coletivo Catarinense pela Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Estadual da Verdade Paulo Stuart Wright come\u00e7ou a ouvir pessoas que foram presas em Santa Catarina durante a Ditadura Militar (1964-1985). 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