{"id":6100,"date":"2013-06-28T18:25:48","date_gmt":"2013-06-28T18:25:48","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/06\/28\/delfim-netto-diz-desconhecer-financiamento-de-empresarios-a-orgaos-de-repressao\/"},"modified":"2013-06-28T18:25:48","modified_gmt":"2013-06-28T18:25:48","slug":"delfim-netto-diz-desconhecer-financiamento-de-empresarios-a-orgaos-de-repressao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/06\/28\/delfim-netto-diz-desconhecer-financiamento-de-empresarios-a-orgaos-de-repressao\/","title":{"rendered":"Delfim Netto diz desconhecer financiamento de empres\u00e1rios a \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O ex-ministro da Fazenda (1967-1974) e do Planejamento (1979-1985) Antonio Delfim Netto disse desconhecer a exist\u00eancia de um financiamento de empres\u00e1rios paulistas a \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o da ditadura militar. Em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Municipal da Verdade de S\u00e3o Paulo nesta ter\u00e7a-feira (25\/06), Delfim Netto classificou como \u201cmuito improv\u00e1vel\u201d que grandes empres\u00e1rios tivessem feito doa\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o de torturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6098\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Foto.JPG\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>No centro, o ex-ministro Delfim Netto responde aos vereadores Gilberto Natalini (PV), Juliana Cardoso (PT) e Ricardo Young (PV)  <!--more-->  <\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDuvido que tenha existido esse processo de arrecada\u00e7\u00e3o com empresariado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Questionado sobre um trecho do livro Ditadura Escancarada, de Elio Gaspari, em que \u00e9 relatado um almo\u00e7o com cerca de 15 pessoas, no segundo semestre de 1969, organizado pelo banqueiro Gast\u00e3o Bueno Vidigal, para conseguir fundos para reequipar as For\u00e7as Armadas e \u201cenfrentar a subvers\u00e3o\u201d, Delfim Netto confirmou presen\u00e7a no evento. \u201cElio Gaspari \u00e9 um jornalista ser\u00edssimo e sua obra \u00e9 a que melhor retrata essa \u00e9poca. Mas na verdade o que houve esse dia foi um jantar, com banqueiros mineiros, paulistas e paranaenses, em que discutimos apenas a taxa de juros.\u201d No livro, Gaspari usa como fonte principal deste trecho uma entrevista com o pr\u00f3prio banqueiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO empresariado n\u00e3o tinha nenhuma participa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica econ\u00f4mica nacional. O governo n\u00e3o obedecia aos empres\u00e1rios para fazer pol\u00edtica, e acho at\u00e9 que foi por isso que houve crescimento no pa\u00eds\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Empres\u00e1rio Paulo Sawaya<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ex-ministro Delfim Netto tamb\u00e9m negou que Paulo Henrique Sawaya Filho tivesse sido seu assessor no Minist\u00e9rio da Fazenda. Conforme explicou o presidente da comiss\u00e3o, vereador Gilberto Natalini (PV), Sawaya esteve nas depend\u00eancias do Dops (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social) 47 vezes entre 1971 e 1979. Em uma das ocasi\u00f5es, assinou o livro de entrada como representante do \u201cMinist\u00e9rio da Fazenda\u201d. Nas outras vezes, identificou-se ora como \u201cdelegado\u201d, ora como integrante de outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cConheci Sawaya como um empres\u00e1rio de biotecnologia. Ele nunca foi funcion\u00e1rio p\u00fablico\u201d, disse Delfim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No relat\u00f3rio Brasil Nunca Mais, trabalho elaborado por uma equipe de pesquisadores coordenada pelo cardeal cat\u00f3lico Dom Paulo Evaristo Arns e pelo pastor presbiteriano Jaime Wright que realizou suas pesquisas a partir de processos que tramitaram na Justi\u00e7a Militar, Sawaya tamb\u00e9m \u00e9 apontado como assessor do Minist\u00e9rio da Fazenda e um dos principais arrecadadores de fundos entre o empresariado para financiar o aparelho de repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6099\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Livrodops_sawaya_minfazenda.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"890\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Acima, na segunda linha, Sawaya assina o livro de entrada do Dops, \u00e0s 17h50 do dia 22 de mar\u00e7o de 1974<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Separa\u00e7\u00e3o entre civis e militares<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os quase 80 minutos de dura\u00e7\u00e3o de seu depoimento, o economista foi questionado diversas vezes sobre as pr\u00e1ticas de tortura da ditadura militar. Delfim Netto respondeu a todas as perguntas dizendo que os minist\u00e9rios civis eram totalmente independentes dos militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNunca apoiei a repress\u00e3o. Nunca ouvi nada sobre tortura no governo. Certa vez perguntei ao M\u00e9dici sobre isso e ele negou tudo, disse que a \u00fanica coisa que existia eram os combates nas ruas. \u00c9 nisso que acredito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente do que conta a historiografia brasileira, Delfim Netto \u2014 que disse n\u00e3o se arrepender de ter assinado do AI-5 (Ato Institucional n\u00ba 5), considerado um marco no endurecimento do regime militar \u2014 afirma que a chamada linha dura das For\u00e7as Armadas nunca chegou ao poder no pa\u00eds. \u201cA linha dura do Ex\u00e9rcito nunca esteve no governo. Se estivesse, ia ser o diabo. Era um bando de maluquetes. No meu gabinete nunca entrou um militar fardado ou armado.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; \u00daltima Inst\u00e2ncia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-ministro da Fazenda (1967-1974) e do Planejamento (1979-1985) Antonio Delfim Netto disse desconhecer a exist\u00eancia de um financiamento de empres\u00e1rios paulistas a \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o da ditadura militar. 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