{"id":6142,"date":"2013-07-04T20:25:40","date_gmt":"2013-07-04T20:25:40","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/04\/lucia-murat-revisita-a-ditadura-em-a-memoria-que-me-contam\/"},"modified":"2013-07-04T20:25:40","modified_gmt":"2013-07-04T20:25:40","slug":"lucia-murat-revisita-a-ditadura-em-a-memoria-que-me-contam","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/04\/lucia-murat-revisita-a-ditadura-em-a-memoria-que-me-contam\/","title":{"rendered":"L\u00facia Murat revisita a ditadura em A Mem\u00f3ria Que Me Contam"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Prestes a estrear em Salvador o seu novo filme, o drama A Mem\u00f3ria Que Me Contam, a cineasta carioca L\u00facia Murat, 64 anos, mergulha novamente no assunto da ditadura militar, dividindo experi\u00eancias pessoais e de seus companheiros de gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6141\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/foto.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme traz na sua hist\u00f3ria a reconstitui\u00e7\u00e3o da figura da soci\u00f3loga e ex-guerrilheira Vera S\u00edlvia Magalh\u00e3es, falecida em 2007 por problemas card\u00edacos. Uma mulher que foi musa da luta armada e que carregou a vida inteira sequelas dos tempos da tortura, incluindo crises renais e surtos psic\u00f3ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEste filme estava na minha cabe\u00e7a h\u00e1 20 anos, mas, com a morte de Vera, senti a necessidade de realiz\u00e1-lo, para falar dela, da sua dor e de todos n\u00f3s que est\u00e1vamos ali, no entorno dela, sofrendo junto\u201d, revela L\u00facia Murat.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00f3pria cineasta, integrante da guerrilha, foi torturada, presa duas vezes, permanecendo detida por tr\u00eas anos e meio, do in\u00edcio de 1971 at\u00e9 a metade de 1974. Em seu depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), em maio passado, a diretora contou que h\u00e1 dois anos pediu ao Ex\u00e9rcito para filmar as celas onde esteve presa e n\u00e3o foi atendida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAt\u00e9 quando v\u00e3o esconder nossa hist\u00f3ria?\u201d, indagou a cineasta no emocionado depoimento \u00e0 CNV, que \u00e9 mais um ato dos muitos que t\u00eam feito para que o assunto n\u00e3o seja esquecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1988, ela lan\u00e7ou Que Bom Te Ver Viva, fita estrelada pela atriz Irene Ravache, que j\u00e1 falava sobre o drama das mulheres torturadas pela ditadura, mesclando document\u00e1rio com situa\u00e7\u00f5es encenadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Regresso &#8211; <\/strong>De certa forma, A Mem\u00f3ria Que Me Contam \u00e9 uma esp\u00e9cie de retorno a este filme. \u201cInicialmente eu pensava nele como uma obra cheia de conversas, mostrando o pensamento do nosso grupo\u201d, conta L\u00facia Murat, que prossegue: \u201cA\u00ed eu vi o filme de Denys Arcand e pensei: roubaram minha ideia\u201d, brinca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O canadense Denys Arcand filmou O Decl\u00ednio do Imp\u00e9rio Americano (1986) e As Invas\u00f5es B\u00e1rbaras (2006), obras verborr\u00e1gicas sobre as utopias da gera\u00e7\u00e3o dos anos 1960. Filmes que L\u00facia Murat considera pr\u00f3ximos da primeira ideia que tinha para A Mem\u00f3ria Que Me Contam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA diferen\u00e7a \u00e9 que no filme deles o sofrimento \u00e9 apenas no campo das ideias, enquanto que n\u00f3s somos uma gera\u00e7\u00e3o que sofreu fisicamente\u201d, diz L\u00facia, complementando: \u201cTamb\u00e9m boa parte da minha gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 hoje no poder, eles n\u00e3o, e nisso somos bem diferentes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela lembra que tinha em mente Esperando Godot, pe\u00e7a do dramaturgo irland\u00eas Samuel Beckett sobre a fadiga infrut\u00edfera da espera. \u201cS\u00f3 que a\u00ed me deparo com a situa\u00e7\u00e3o dos nossos filhos, os filhos dos revolucion\u00e1rios, que n\u00e3o s\u00e3o alienados e t\u00eam ideias pr\u00f3prias sobre tudo que vivemos\u201d, diz a cineasta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atualidade &#8211;<\/strong> A diretora conta que esta rela\u00e7\u00e3o com o tempo atual, com a juventude, acabou fazendo a personagem de Vera S\u00edlvia se impor. \u201cPor isso \u00e9 que a Ana (inspirada em Vera, pois a diretora preferiu trocar o nome) aparece sempre jovem, sempre rebelde, vivida pela Simone (Spoladore)\u201d, diz L\u00facia Murat. Para ela, este contraponto de tempo acrescenta lirismo e abre um di\u00e1logo com o jovem de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre retomar a trajet\u00f3ria de Que Bom Te Ver Viva neste novo filme, L\u00facia Murat revela: \u201cO fato da protagonista se chamar Irene \u00e9 porque eu escrevi mesmo pensado nela (Irene Ravache), para falar como estaria esta mulher 25 anos depois,\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema do filme, segundo a diretora, \u00e9 a sobreviv\u00eancia. \u201cQuem passou por tudo aquilo ingressou na vida muito tarde, na escolha da profiss\u00e3o muito tarde, porque o nosso foco antes era derrubar a ditadura, e a vida pessoal foi anulada por um tempo. Quis falar disto\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Cineinsite<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prestes a estrear em Salvador o seu novo filme, o drama A Mem\u00f3ria Que Me Contam, a cineasta carioca L\u00facia Murat, 64 anos, mergulha novamente no assunto da ditadura militar, dividindo experi\u00eancias pessoais e de seus companheiros de gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6142"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6142\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}