{"id":6164,"date":"2013-07-08T16:35:58","date_gmt":"2013-07-08T16:35:58","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/08\/a-face-da-repressao-nao-e-algo-distante\/"},"modified":"2013-07-08T16:35:58","modified_gmt":"2013-07-08T16:35:58","slug":"a-face-da-repressao-nao-e-algo-distante","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/08\/a-face-da-repressao-nao-e-algo-distante\/","title":{"rendered":"&#8216;A face da repress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo distante&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para estudioso do terrorismo, o regime democr\u00e1tico em que vivemos atualmente &#8216;n\u00e3o nega necessariamente o uso da for\u00e7a. \u00c9 preciso estar sempre atento.&#8217;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>S\u00e3o Paulo \u2013 No pr\u00f3ximo s\u00e1bado, 13, o projeto Cine Bijou promove a exibi\u00e7\u00e3o de A Batalha de Argel, do mestre italiano Gillo de Pontecorvo, que narra os conflitos entre mu\u00e7ulmanos e franceses pela independ\u00eancia da Arg\u00e9lia. O filme ser\u00e1 seguido de debate com o professor Reginaldo Nasser, chefe do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo sobre as influ\u00eancias que a guerrilha urbana da capital da Arg\u00e9lia exerceram sobre o Brasil.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/cidadania\/2013\/07\/a-face-da-repressao-nao-e-algo-distante-7252.html\/repressao.jpg\/image_large\" border=\"0\" width=\"480\" height=\"290\" style=\"vertical-align: baseline;\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\"><em>Militariza\u00e7\u00e3o dos aparelhos de Estado para lidar com as manifesta\u00e7\u00f5es populares obedecem \u00e0 l\u00f3gica do poder pol\u00edtico<\/em><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Especialista no estudo do terrorismo, Nasser, afirma que na d\u00e9cada de 1960, militares franceses que atuaram na guerrilha urbana de Argel, a capital da Arg\u00e9lia, &#8220;exportaram&#8221; t\u00e9cnicas de tortura para militares brasileiros, num processo crescente que desagua atualmente na trucul\u00eancia com que as for\u00e7as policiais interv\u00eam nas manifesta\u00e7\u00f5es populares.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira a seguir os principais trechos da entrevista dada pelo professor \u00e0 RBA.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Que rela\u00e7\u00e3o podemos fazer entre o que se passou na Arg\u00e9lia e no Brasil na d\u00e9cada de 1960?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Arg\u00e9lia, como outros pa\u00edses da periferia do sistema, na d\u00e9cada de 1950 e 1960, na Guerra Fria, implementou um tipo de resist\u00eancia chamada guerrilha, a guerra irregular. Em todo e qualquer lugar na \u201cperiferia\u201d \u2013 seja \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina ou \u00c1sia \u2013 onde estava configurado, de um lado, um governo local apoiado por uma grande pot\u00eancia e, de outro, uma resist\u00eancia nacionalista, esse novo tipo de combate j\u00e1 podia se dar por certo nas a\u00e7\u00f5es de guerrilha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tanto Fran\u00e7a quanto Estados Unidos e Inglaterra s\u00e3o grandes ex\u00e9rcitos e participaram das grandes guerras, mas tinham dificuldades de lidar com o guerrilheiro. Esse embate estava no Vietn\u00e3, na Indochina, na Arg\u00e9lia e, claro, isso veio a acontecer na Am\u00e9rica Latina, no Brasil, na d\u00e9cada de 1960. Ou seja, configurou-se uma situa\u00e7\u00e3o semelhante. Diante disso, o Brasil tamb\u00e9m recorreu \u00e0 \u201ctecnologia e expertise\u201d dos grandes pa\u00edses para lidar com esse tipo de a\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No filme A Batalha de Argel, o ex\u00e9rcito de paraquedistas est\u00e1 voltando da Indochina. Voc\u00ea poderia perguntar: \u201cEles foram derrotados na Indochina e na Arg\u00e9lia e ainda assim o Brasil vai adotar a t\u00e9cnica dos derrotados?\u201d. Sim, o Brasil recorreu. Dentro desse tipo de repress\u00e3o, o que chama a aten\u00e7\u00e3o na batalha de Argel \u00e9 o uso da tortura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim como ocorreu no Brasil.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sim, \u00e9 provado isso. O Brasil passou a usar os m\u00e9todos dos franceses, que vinham para c\u00e1 e instru\u00edram; brasileiros tamb\u00e9m iam para a Fran\u00e7a se instruir a respeito dessas t\u00e9cnicas. Foi uma \u201ctecnologia de exporta\u00e7\u00e3o&#8221; da Fran\u00e7a. No caso de Argel, os militares foram eficientes para desmantelar a organiza\u00e7\u00e3o, por outro lado perderam no que diz respeito \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Hoje em dia, essa tentativa de justificar o terror e a tortura n\u00e3o vem apenas dos militares, vem inclusive das faculdades de Direito. Alan Dershowitz que, por exemplo, \u00e9 um jurista de Harvard, defende a tortura atualmente. Ela aparece como um meio de evitar um mal maior. Eu destaco um trecho do filme em que o general diz: \u201cEu sei que das cem pessoas que a gente prende e tortura, 90% s\u00e3o inocentes. Mas o que me interessa \u00e9 pegar os 10%\u201d. N\u00e3o importam os meios. Da\u00ed vem o argumento: \u201cSe eu pegar os 10%, eles v\u00e3o me revelar coisas que v\u00e3o me permitir preservar a vida de milhares\u201d. O argumento \u00e9 forte.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O uso da viol\u00eancia pela nossa pol\u00edcia \u00e9 resqu\u00edcio da ditadura e dessa \u201cexpertise\u201d importada da Fran\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A tortura veio inicialmente para combater o inimigo pol\u00edtico. Hoje um cara que comete um atentado n\u00e3o tem mais o estatuto de inimigo pol\u00edtico, ele tem estatuto de criminoso. Estamos \u00e0s voltas de o Brasil colocar o terrorismo no C\u00f3digo Criminal. Essa \u201ctecnologia\u201d passou a ser usada ao longo do tempo de uma maneira indiscriminada pela pol\u00edcia. Tamb\u00e9m vemos no filme quando Mathieu diz: \u201cN\u00f3s somos militares e estamos fazendo papel de pol\u00edcia\u201d. Que \u00e9 outra caracter\u00edstica que vai aparecer no Brasil. A tortura come\u00e7a a ganhar for\u00e7a porque passa a ideia de que \u00e9 um mal para combater um mal maior. E \u00e9 uma justificativa que permanentemente se repete<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de rever filmes como A Batalha de Argel hoje em dia?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um ponto importante que n\u00e3o podemos perder de vista \u2013 at\u00e9 por esse momento estamos vivendo a Comiss\u00e3o da Verdade \u2013 est\u00e1 numa fala do Mathieu, o general franc\u00eas: \u201cEu estou aqui a mando de um governo que foi eleito. E n\u00e3o estou aqui por minha vontade. Voc\u00eas querem que a Fran\u00e7a saia da Arg\u00e9lia? Se a resposta for sim, \u00e9 preciso aceitar todas as consequ\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 importante: a ordem \u00e9 pol\u00edtica. Esta exibi\u00e7\u00e3o [do filme neste momento] \u00e9 oportuna. As manifesta\u00e7\u00f5es aqui no Brasil demonstram que existe uma linha t\u00eanue, na a\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, entre a viol\u00eancia e a n\u00e3o-viol\u00eancia. Infelizmente, n\u00e3o s\u00e3o polos completamente opostos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea est\u00e1 numa manifesta\u00e7\u00e3o e de repente, o que num primeiro momento \u00e9 algo extremamente pac\u00edfico, se transforma numa pra\u00e7a de guerra, seja por causa de pessoas que est\u00e3o ali por outros prop\u00f3sitos ou fundamentalmente pela forma como a pol\u00edcia age. Isso est\u00e1 no \u00e2mago da pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Muitos colegas meus n\u00e3o concordam com isso. Eu penso assim cada vez mais. N\u00e3o existe \u201cde um lado a pol\u00edtica e de outro a viol\u00eancia\u201d. Tudo muda o tempo todo. H\u00e1 um m\u00eas, por exemplo, eu me lembro que n\u00e3o podia interromper a Avenida Paulista porque isso seria um ato de viol\u00eancia. Na quarta (3 de julho), foram os m\u00e9dicos e no dia seguinte, os delegados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Eu digo em um artigo que existe o Cratos (poder e for\u00e7a) e o Ethos (\u00e9tica e responsabilidade). Eles n\u00e3o est\u00e3o separados, eles se misturam. Mas \u00e9 preciso um trabalho cont\u00ednuo para evitar o Cratos porque ningu\u00e9m fica imune a ele. Enfim, o filme \u00e9 muito rico para nos mostrar que a face da repress\u00e3o e do uso desmedido da for\u00e7a n\u00e3o \u00e9 algo distante. N\u00f3s vivemos em uma situa\u00e7\u00e3o em que temos direito a voto, uma democracia, mas isso n\u00e3o nega necessariamente o uso da for\u00e7a. \u00c9 preciso estar sempre atento.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte:\u00a0RBA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Para estudioso do terrorismo, o regime democr\u00e1tico em que vivemos atualmente &#8216;n\u00e3o nega necessariamente o uso da for\u00e7a. \u00c9 preciso estar sempre atento.&#8217; S\u00e3o Paulo \u2013 No pr\u00f3ximo s\u00e1bado, 13, o projeto Cine Bijou promove a exibi\u00e7\u00e3o de A Batalha de Argel, do mestre italiano Gillo de Pontecorvo, que narra os conflitos entre mu\u00e7ulmanos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6164"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6164"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6164\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}