{"id":6167,"date":"2013-07-08T19:49:38","date_gmt":"2013-07-08T19:49:38","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/08\/greve-historica-dos-petroleiros-em-plena-ditadura-completa-30-anos\/"},"modified":"2013-07-08T19:49:38","modified_gmt":"2013-07-08T19:49:38","slug":"greve-historica-dos-petroleiros-em-plena-ditadura-completa-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/08\/greve-historica-dos-petroleiros-em-plena-ditadura-completa-30-anos\/","title":{"rendered":"Greve hist\u00f3rica dos petroleiros em plena ditadura completa 30 anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Neste m\u00eas de julho o movimento sindical brasileiro e os petroleiros, em especial, comemoram 30 anos de um importante movimento paredista, que ficou conhecido como a greve de 1983. Em plena ditadura militar, centenas de petroleiros cruzaram os bra\u00e7os para lutar contra o arrocho salarial, a manipula\u00e7\u00e3o do INPC, o Decreto-Lei 2.036 \u00a0e contra o acordo com o FMI.\u00a0  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de toda a repress\u00e3o policial, os petroleiros da REPLAN e da RLAM decidiram paralisar as atividades. O resultado foi a interven\u00e7\u00e3o do governo no Sindicato dos Petroleiros da Bahia e demiss\u00f5es de centenas de trabalhadores. Em Paul\u00ednia, foram demitidos 153, em Mataripe, 205.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A greve dos Petroleiros, em 1983, tem uma grande import\u00e2ncia hist\u00f3rica e contribuiu de forma decisiva para a realiza\u00e7\u00e3o da primeira greve geral durante a ditadura militar, com enfrentamento da famigerada Lei de Seguran\u00e7a Nacional. Neste mesmo ano, em 28 de agosto, nascia a Central \u00danica dos Trabalhadores, a \u00a0CUT, e com ela o chamado \u201cnovo sindicalismo\u201d, a partir da retomada do processo de uma maior mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. \u00a0\u00a0 Trinta anos depois, todos os petroleiros que foram perseguidos e perderam seus empregos no confronto pol\u00edtico com os militares foram anistiados. Na Bahia, 150 obtiveram a anistia com repara\u00e7\u00e3o, mas outros 55 ainda lutam e aguardam decis\u00e3o para que seja feita a justi\u00e7a de forma completa, com a obten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m da repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Comemora\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para relembrar e saudar esse fato fundamental para a organiza\u00e7\u00e3o sindical dos petroleiros, os Sindipetros Bahia e Unificado-SP realizarm diversas atividades ao longo desse m\u00eas de julho. Em Campinas, ser\u00e1 realizado neste s\u00e1bado, 06, um ato pol\u00edtico, que contar\u00e1 com a participa\u00e7\u00e3o de toda a dire\u00e7\u00e3o da FUP e diversas representa\u00e7\u00f5es sindicais. O ato come\u00e7a \u00e0s 09 horas, na Regional Campinas do Sindipetro Unificado-SP. Na Bahia, o Sindipetro est\u00e1 produzindo um v\u00eddeo, ouvindo em entrevistas os dirigentes demitidos, cassados e depois anistiados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Garantir que n\u00e3o haveria demiss\u00f5es foi um dos principais motivos que desencadearam a greve dos petroleiros em 1983, segundo conta Antonio Carlos Spis, que come\u00e7ou a trabalhar na Replan em 1\u00ba de junho de 1973 como auxiliar de escrit\u00f3rio no setor de Pessoal. Num momento em que os militares amorda\u00e7avam os sindicatos e tentavam reprimir as mobiliza\u00e7\u00f5es, os petroleiros decidiram enfrentar a ditadura e, com coragem e determina\u00e7\u00e3o, partiram para a greve.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O estopim foi uma carta de inten\u00e7\u00e3o do governo para o FMI que indicava redu\u00e7\u00e3o de custeio de empresas, bancos e servi\u00e7os p\u00fablicos. A ditadura brasileira, que come\u00e7ou em 64, assinava cartas de inten\u00e7\u00e3o com o Fundo Monet\u00e1rio para receber aporte financeiro e nesses documentos eram determinadas condicionantes. \u201cTraduzimos a carta para a seguinte frase: vai ter demiss\u00e3o! E imediatamente come\u00e7amos a mobilizar a base contra essa inten\u00e7\u00e3o do governo\u201d, lembra Spis. Segundo o sindicalista, n\u00e3o havia di\u00e1logo com a Petrobr\u00e1s e a greve era, naquele momento, a \u00fanica forma encontrada pelos petroleiros para serem ouvidos. \u201cO presidente da Petrobr\u00e1s na \u00e9poca, que se chamava Shigeaki Ueki, nunca recebeu o sindicato e o governo nunca deu um passo sequer pra demonstrar que queria conversa com a gente. Ambos, simplesmente, ignoravam nossas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o nos restou alternativa\u201d, comentou Spis. A insatisfa\u00e7\u00e3o da categoria era t\u00e3o grande que a primeira assembleia para discutir a greve reuniu cerca de 450 trabalhadores e todos foram favor\u00e1veis \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o. \u201cEm um momento de tens\u00e3o, de ditadura, em que as pessoas tinham medo de falar, os trabalhadores n\u00e3o se intimidaram e demonstraram que queriam greve\u201d, recorda-se Spis.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A segunda assembleia, de acordo com ele, foi decisiva para a realiza\u00e7\u00e3o da greve. Cerca de 600 petroleiros votaram a favor da paralisa\u00e7\u00e3o. \u201cDecidimos iniciar a mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em julho, fora da data base que \u00e9 setembro, afinal de contas era uma greve de cunho pol\u00edtico contra a ditadura\u201d, afirma o petroleiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foi nos dias de prepara\u00e7\u00e3o da greve que Spis conheceu o ex-presidente do Brasil Lula, que na \u00e9poca era um grande l\u00edder sindical no pa\u00eds. \u201cEu estava pintando faixa no ch\u00e3o, chamando a greve, e o Lula chegou e me falou: \u2018Isso a\u00ed d\u00e1 tr\u00eas anos de cadeia\u2019. Eu nem sabia quem era ele\u201d, conta, rindo, o sindicalista.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, os petroleiros receberam apoio de muitos sindicatos, inclusive do dos banc\u00e1rios e metal\u00fargicos do ABC, do qual Lula era l\u00edder. Segundo Spis, os petroleiros eram vistos como uma categoria elitizada e o fato de realizarem uma greve surpreendeu a todos. \u201cFoi uma surpresa que uma categoria estruturada, com bons sal\u00e1rios, pudesse se rebelar. Havia uma m\u00e1xima de que funcion\u00e1rio da Petrobr\u00e1s n\u00e3o podia entrar em greve, j\u00e1 que era uma ind\u00fastria especializada e com altos sal\u00e1rios. Desconstru\u00edmos toda essa hist\u00f3ria com nossa coragem de enfrentar a ditadura\u201d, declarou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A greve, lembra Spis, come\u00e7ou \u00e0s 23h30 do dia 5 de junho. \u201cAdiantamos o in\u00edcio da mobiliza\u00e7\u00e3o. Foi uma forma de surpreender. Articulamos esse golpe contra a pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito e os vigilantes da empresa, j\u00e1 que todos imaginavam que a greve come\u00e7aria no turno da manh\u00e3 seguinte\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante os dias da paralisa\u00e7\u00e3o, os grevistas se concentraram em diferentes locais. \u201cN\u00e3o pod\u00edamos ir para casa por causa da press\u00e3o da pol\u00edcia, dos vigilantes e da pr\u00f3pria fam\u00edlia. Ent\u00e3o, concentr\u00e1vamos todo mundo primeiro no sindicato, depois em um local no Centro da cidade (teatro de arena) e, por fim, no gin\u00e1sio do Taquaral. Para dar mais prote\u00e7\u00e3o e estrutura ao grevista, dorm\u00edamos nesses lugares\u201d, recorda Spis.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cada dia da greve era uma aventura, de acordo com o sindicalista, principalmente por causa da press\u00e3o que existia na \u00e9poca. \u201cHavia policiais no nosso encal\u00e7o. Mandavam pessoas atr\u00e1s da gente o tempo todo. Soltavam pela imprensa que estava todo mundo demitido. Era tudo muito dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ele lembra de um fato curioso. \u201cNossas mobiliza\u00e7\u00f5es eram animadas pelo companheiro Gilberto Coelho Marques de Abreu, que sempre cantava a m\u00fasica do Gonzaguinha \u2018Desesperar Jamais\u2019. Em uma das ocasi\u00f5es apareceu um sujeito que tocava viol\u00e3o e come\u00e7ou a animar nossa festa todo final de tarde. Ach\u00e1vamos que ele era um trabalhador, mas, na verdade, era da pol\u00edcia federal e se infiltrou no nosso grupo para nos delatar\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os grevistas resistiram sete dias \u00e0 repress\u00e3o, mas n\u00e3o conseguiram o que queriam. \u201cTentamos encontrar todos os caminhos para negocia\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que n\u00e3o teve mais jeito. N\u00e3o t\u00ednhamos mais o que fazer. N\u00e3o t\u00ednhamos mais alternativa de negocia\u00e7\u00e3o, nem canais pol\u00edticos. A ditadura se fechou em copas e nos mandou o recado \u2018ningu\u00e9m negocia\u2019. Quer\u00edamos apenas que houvesse um posicionamento do governo ditador do Figueiredo de que n\u00e3o haveria demiss\u00e3o de pessoal, mas n\u00e3o conseguimos e voltamos ao trabalho\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte: CUT &#8211; 08\/07\/2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste m\u00eas de julho o movimento sindical brasileiro e os petroleiros, em especial, comemoram 30 anos de um importante movimento paredista, que ficou conhecido como a greve de 1983. 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