{"id":6178,"date":"2013-07-10T13:16:56","date_gmt":"2013-07-10T13:16:56","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/10\/a-verdade-sobre-a-comissao-da-verdade\/"},"modified":"2013-07-10T13:16:56","modified_gmt":"2013-07-10T13:16:56","slug":"a-verdade-sobre-a-comissao-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/10\/a-verdade-sobre-a-comissao-da-verdade\/","title":{"rendered":"A verdade sobre a Comiss\u00e3o da Verdade"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>Na ter\u00e7a-feira, 2 de julho, fui comunicado de meu afastamento da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV). Ali atuava como consultor do GT da Opera\u00e7\u00e3o Condor, atendendo convite do ministro do STJ Gilson Dipp e da advogada Rosa Cardoso.  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Contra o voto divergente de Cardoso, fui punido pela decis\u00e3o de quatro comiss\u00e1rios &#8211; Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, Jos\u00e9 Carlos Dias, Maria Rita Kehl e Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti &#8211; por suposto delito de opini\u00e3o em artigo publicado 40 dias antes. Entre outras quest\u00f5es, nele criticava entrevista concedida pelo comiss\u00e1rio Dias, na qual antecipava seu veto a qualquer parecer que anule impunidade que cobre os torturadores do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O mais relevante agora \u00e9 o alvo vis\u00edvel do quarteto punitivo da CNV: a advogada Rosa Cardoso, hoje herdeira solit\u00e1ria da confian\u00e7a das entidades de direitos humanos, cada vez mais desconfiadas dos trabalhos da comiss\u00e3o. A solid\u00e3o aumentou com o afastamento do comiss\u00e1rio Cl\u00e1udio Fonteles, que renuncio u exaurido pelo confronto com Pinheiro. Na ess\u00eancia, \u00e9 um confronto entre vis\u00f5es d\u00edspares que podem levar a CNV \u00e0 implos\u00e3o: de um lado, Fonteles, aberto e conectado com a rua, e, de outro, Pinheiro, desconfiado e fechado ao escrut\u00ednio externo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">L\u00edder do quarteto, Pinheiro tem um estilo exasperado, irritadi\u00e7o, que explode em gritos que transbordam as paredes da sede da CNV em Bras\u00edlia. Cr\u00edtico da coordena\u00e7\u00e3o rotativa adotada pela comiss\u00e3o, ele sonha ser o &#8220;presidente&#8221; permanente da CNV, at\u00e9 a entrega do relat\u00f3rio no fim de 2014. Sua pretens\u00e3o de ser o tutor dos outros comiss\u00e1rios afastou Fonteles e isolou Cardoso.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As entidades de v\u00edtimas da ditadura definem Pinheiro como distante e arrogante. Ivan Seixas, ativista em S\u00e3o Paulo, sobreviveu \u00e0s torturas do DOI-Codi, mas sucumbiu a uma bronca de Pinheiro, irritado com a revela\u00e7\u00e3o da agenda de visitas de empres\u00e1rios e diplomatas americanos ao DOPS na ditadura. &#8220;Isso atrapalhou entendimentos meus c o m o consulado dos Estados Unidos&#8221;, reclamou ele, ao ponto de desculpar-se ao telefone depois com o embaixador Thomas Shannon Jr., em Bras\u00edlia. Gra\u00e7as aos salamaleques de Pinheiro com o Departamento de Estado, a CNV completou um ano de vida e ainda espera, resignada, pela desclassifica\u00e7\u00e3o de documentos americanos secretos sobre a ditadura, o que j\u00e1 aconteceu com o Chile l\u00e1 no governo Clinton.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O secretismo de Pinheiro irrita as entidades de direitos humanos. Em fevereiro passado, o Instituto de Estudos da Religi\u00e3o (Iser), uma respeitada ONG do Rio de Janeiro, reiterou pedido de informa\u00e7\u00f5es sobre o trabalho e a agenda de audi\u00eancias da CNV. Doze dias ap\u00f3s o of\u00edcio do Iser, Pinheiro confessou sua avers\u00e3o \u00e0 transpar\u00eancia, enviando um e-mail expl\u00edcito aos comiss\u00e1rios e assessores: &#8220;Minha tend\u00eancia \u00e9 n\u00e3o responder nada&#8230; Ou poder\u00edamos dar respostas lac\u00c3?nicas. Acho um desperd\u00edcio obrigar os colegas a responder a essas quest\u00f5es quando t\u00eam mais o que f aze r&#8230; N\u00e3o creio que a CNV esteja sujeita a esse monitoramento&#8230; Creio que podemos nos beneficiar do sigilo em rela\u00e7\u00e3o a nossos trabalhos internos.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">No dia 5 de abril, a equipe de Pinheiro avaliou, no caso de &#8220;informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis&#8221;, a &#8220;classifica\u00e7\u00e3o de documentos sigilosos&#8221;, uma incongru\u00eancia para qualquer Comiss\u00e3o da Verdade \u00e0s voltas justamente com a desclassifica\u00e7\u00e3o de segredos da ditadura. O estudo da CNV alertava para a principal desvantagem da classifica\u00e7\u00e3o: &#8220;Cr\u00edticas da sociedade e da m\u00eddia.&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O que abre uma quest\u00e3o crucial: sem a sociedade e a m\u00eddia, qual a vantagem de uma Comiss\u00e3o da Verdade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O futuro da CNV depende do resultado desse confronto desigual entre o quarteto liderado por Paulo S\u00e9rgio Pinheiro e a solit\u00e1ria resist\u00eancia de Rosa Cardoso, \u00fanico elo com o grito que hoje ecoa pelo pa\u00eds: &#8220;Vem, vem pra rua, vem!&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por Luiz Claudio Cunha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na ter\u00e7a-feira, 2 de julho, fui comunicado de meu afastamento da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV). Ali atuava como consultor do GT da Opera\u00e7\u00e3o Condor, atendendo convite do ministro do STJ Gilson Dipp e da advogada Rosa Cardoso.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6178"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6178"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6178\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}