{"id":6180,"date":"2013-07-10T17:13:06","date_gmt":"2013-07-10T17:13:06","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/10\/qdossie-jangoq-traz-morte-de-joao-goulart\/"},"modified":"2013-07-10T17:13:06","modified_gmt":"2013-07-10T17:13:06","slug":"qdossie-jangoq-traz-morte-de-joao-goulart","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/10\/qdossie-jangoq-traz-morte-de-joao-goulart\/","title":{"rendered":"&#8220;Dossi\u00ea Jango&#8221; traz morte de Jo\u00e3o Goulart"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" \/>Dia 6 de dezembro de 1976 morreu Jo\u00e3o Goulart, o presidente destitu\u00eddo pelo golpe de 1964. Doze anos depois ainda era an\u00e1tema para o regime militar. Tanto assim que as not\u00edcias de sua morte, na Argentina, sa\u00edram truncadas na imprensa.  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 hoje as circunst\u00e2ncias n\u00e3o est\u00e3o esclarecidas. Card\u00edaco, Jango teria sido v\u00edtima de um ataque fulminante. Mas h\u00e1 quem sustente que o envenenamento seria a verdadeira causa mortis. Teoria da conspira\u00e7\u00e3o? Talvez. Mas \u00e9 em torno dessa d\u00favida que se constr\u00f3i o document\u00e1rio &#8220;Dossi\u00ea Jango&#8221;, de Paulo Henrique Fontenelle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trilhando caminho original, o filme enriquece a reconstru\u00e7\u00e3o trabalhosa dos anos da ditadura (1964-1985). Procura, em sua parte inicial, contextualizar a \u00e9poca e dispor em seus lugares os atores em jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Avan\u00e7a, no entanto, ao centrar foco, em sua segunda parte, apenas em Jango e em seu controverso desaparecimento. Mas \u00e9 preciso dizer que a primeira parte, ao estabelecer a alian\u00e7a entre civis e militares para a produ\u00e7\u00e3o do golpe, e a presen\u00e7a dos EUA na desestabiliza\u00e7\u00e3o do governo, \u00e9 precisa e did\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ocasi\u00e3o da morte de Jango, vivia-se, ainda, a Guerra Fria e atentados a inimigos pol\u00edticos n\u00e3o eram incomuns. Carlos Prats e Orlando Letelier, ligados ao presidente chileno deposto Salvador Allende, foram assassinados, assim como os uruguaios Zelmar Michelini e Gutierrez Ruiz, amigos de Jango, mortos na Argentina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As suspeitas de assassinato de Goulart come\u00e7aram a surgir logo ap\u00f3s a sua morte. A tese era de envenenamento, pois o presidente deposto tomava tr\u00eas medicamentos para o cora\u00e7\u00e3o. Os rem\u00e9dios, que vinham da Fran\u00e7a, teriam sido adulterados em opera\u00e7\u00e3o conjunta da CIA e governos do Brasil e da Argentina. Goulart era presen\u00e7a inc\u00f4moda na Argentina, j\u00e1 tamb\u00e9m sob regime militar. Tudo faz sentido. Mas n\u00e3o existem provas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato, relembrado por Fontenelle atrav\u00e9s de documentos e depoimentos, \u00e9 que as d\u00favidas sempre existiram. Um empres\u00e1rio amigo de Jango, Enrique Foch D\u00edaz, escreveu um livro chamado &#8220;Jo\u00e3o Goulart: O Crime Perfeito&#8221;. Foch chegou a denunciar a vi\u00fava, Maria Thereza Goulart, de tomar parte no compl\u00f4, segundo se l\u00ea em &#8220;Jo\u00e3o Goulart &#8211; uma Biografia&#8221;, do historiador Jorge Ferreira, da Universidade Federal Fluminense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2006, o caso voltou \u00e0 tona com o depoimento do uruguaio M\u00e1rio Barreiro Neira, que afirmava ter participado de uma certa Opera\u00e7\u00e3o Escorpi\u00e3o com o objetivo de matar Jango. Ao que parece, a testemunha n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 muito fidedigna. Era um criminoso comum recrutado pela repress\u00e3o pol\u00edtica no tempo da ditadura daquele pa\u00eds. Sua vers\u00e3o apresenta contradi\u00e7\u00f5es. E n\u00e3o teria sido sustentada de modo desinteressado. Neira cumpria pena no Brasil e havia contra ele um pedido de extradi\u00e7\u00e3o do Uruguai para responder por crimes comuns. Era de seu interesse permanecer no Brasil alegando persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo uruguaio. Em 2008 o Minist\u00e9rio P\u00fablico acatou pedido da fam\u00edlia Goulart para investigar a morte, tendo por base o depoimento de Neira. O Minist\u00e9rio P\u00fablico concluiu pela falta de provas, tachando o depoimento do uruguaio de &#8220;confuso e contradit\u00f3rio&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso encerra o caso? N\u00e3o, como indica &#8220;Dossi\u00ea Jango&#8221;. Se nada prova que houve assassinato, tamb\u00e9m n\u00e3o se pode provar a morte natural. O estudo dos costumes pol\u00edticos das ditaduras latino-americanas n\u00e3o exclui o uso de viol\u00eancia na elimina\u00e7\u00e3o de inimigos. A d\u00favida razo\u00e1vel se adensa pela aus\u00eancia de aut\u00f3psia e das mortes quase simult\u00e2neas de JK e Lacerda. Para esclarecer essa rede de intrigas, apenas se a investiga\u00e7\u00e3o for reaberta e, desta vez, exposta \u00e0 luz da democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Estado de S. Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia 6 de dezembro de 1976 morreu Jo\u00e3o Goulart, o presidente destitu\u00eddo pelo golpe de 1964. Doze anos depois ainda era an\u00e1tema para o regime militar. 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