{"id":6220,"date":"2013-07-22T12:59:51","date_gmt":"2013-07-22T12:59:51","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/22\/comissoes-da-verdade-tem-procurado-esclarecer-violacoes-a-paraibanos-na-ditadura-militar\/"},"modified":"2013-07-22T12:59:51","modified_gmt":"2013-07-22T12:59:51","slug":"comissoes-da-verdade-tem-procurado-esclarecer-violacoes-a-paraibanos-na-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/22\/comissoes-da-verdade-tem-procurado-esclarecer-violacoes-a-paraibanos-na-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"Comiss\u00f5es da Verdade t\u00eam procurado esclarecer viola\u00e7\u00f5es a paraibanos na Ditadura Militar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Entre os anos de 1964 e 1974, per\u00edodo da Ditadura Militar, at\u00e9 2013, muita coisa mudou. O mundo passou por transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sociais e econ\u00f4micas; a ci\u00eancia fez descobertas inacredit\u00e1veis; a tecnologia evoluiu com o advento do celular e internet e o sonho do brasileiro pela conquista plena da liberdade e da democracia deu passos importantes. Entretanto, entre o passado e o presente, uma imensa lacuna permanece aberta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pbagora.com.br\/ew3press\/conteudo\/20130720170500.jpg\" border=\"0\" width=\"200\" height=\"150\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O abismo ainda \u00e9 profundo as novas gera\u00e7\u00f5es desconhecem os horrores de um per\u00edodo em que a liberdade do brasileiro era cerceada. Torturas, mortes e medo marcaram a \u00e9poca. Os abusos, atrocidades, torturas e mortes ocorridos no per\u00edodo da Ditadura Militar ainda est\u00e3o obscuros. Para esclarecer essas viola\u00e7\u00f5es do per\u00edodo mais dif\u00edcil da hist\u00f3ria do Brasil \u00e9 que Comiss\u00f5es da Verdade t\u00eam sido instadas em todo o Brasil. Na Para\u00edba, a Comiss\u00e3o Estadual da Verdade e da Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria da Para\u00edba, tem feito um mergulho na hist\u00f3ria, resgatando elementos escondidos pelo regime ditatorial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente a Comiss\u00e3o esteve no munic\u00edpio de Sap\u00e9 para coletar depoimentos de trabalhadores rurais, familiares e lideran\u00e7as que integraram as Ligas Camponesas. Na d\u00e9cada de 1960, o movimento organizado por camponeses, que reivindicava reforma agr\u00e1ria, foi alvo da repress\u00e3o da ditadura militar. Em seu depoimento a presidente da Liga Camponesa de Sap\u00e9 e vi\u00fava do l\u00edder assassinado Jo\u00e3o Pedro Teixeira, emocionou a todos. \u201cDepois de tanto tempo me sinto muito feliz por, de certa forma, fazer justi\u00e7a a tudo o que aconteceu naquela \u00e9poca. O que os grandes propriet\u00e1rios de terras e donos de engenho fizeram com meu marido n\u00e3o pode ficar impune\u201d, destacou a vi\u00fava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro depoimento marcante foi o do presidente da Liga Camponesa de Santa Rita, Ant\u00f4nio Dantas. Ele lembrou o ex\u00edlio de 60 dias em Cuba, sendo capturado novamente ao voltar para o Brasil. \u201cFui perseguido e esse tempo que passei fora foi o suficiente para que a pol\u00edcia da \u00e9poca invadisse o cart\u00f3rio de Santa Rita, onde fundei a Liga, para levar e sumir com toda a documenta\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, avisei aos meus companheiros que se caso eu n\u00e3o voltasse deveriam continuar o trabalho. Me sinto feliz e orgulhoso do meu passado. Se eu fosse jovem hoje iria continuar fazendo revolu\u00e7\u00e3o como os jovens de hoje passaram a fazer nas ruas\u201d, comentou Dantas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o, professor Paulo Giovani Nunes, avaliou a realiza\u00e7\u00e3o das audi\u00eancias como sendo positiva para os trabalhos desenvolvidos na Para\u00edba. \u201cTodos os depoimentos prestados hoje, bem como a documenta\u00e7\u00e3o que j\u00e1 coletamos, ser\u00e3o utilizados para compor nosso relat\u00f3rio final. Os trabalhos est\u00e3o avan\u00e7ando e contamos com a colabora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios grupos de trabalho compostos por estudantes, pesquisadores e outros que de maneira volunt\u00e1ria t\u00eam auxiliado nossas atividades\u201d, destacou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a coordenadora do grupo de trabalho Graves Viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos no Campo ou Contra ind\u00edgenas e membro da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, Maria Rita Kehl, a audi\u00eancia contribuiu para os trabalhos desenvolvidos nacionalmente. \u201cFoi uma audi\u00eancia importante e de muito valor simb\u00f3lico. J\u00e1 t\u00ednhamos muita informa\u00e7\u00e3o sobre as v\u00edtimas, mas o que eu possu\u00eda particularmente da Para\u00edba estava no livro dos mortos e desaparecidos. Agora espero receber todo esse material como vamos fazer com outros estados brasileiros durante nossas visitas\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Universidades tamb\u00e9m instalam Comiss\u00f5es da Verdade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca por respostas para as atrocidades ocorridas no per\u00edodo da Ditadura Militar motivou as principais universidades p\u00fablicas da Para\u00edba a instalarem as suas Comiss\u00f5es da Verdade. Na \u00faltima sexta-feira, a Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB), instalou oficialmente a sua Comiss\u00e3o da Verdade e da Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria. A solenidade foi presidida pelo reitor Rangel Junior, que assinou a Portaria de cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presidida pelo professor Jos\u00e9 Benjamim, a Comiss\u00e3o ter\u00e1 o prazo de um ano para realizar os seus trabalhos, dando a sua contribui\u00e7\u00e3o para esclarecer os casos de abusos praticados contra estudantes, professores e funcion\u00e1rios da UEPB no per\u00edodo da Ditadura. A comiss\u00e3o permitir\u00e1 o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es para os fins de consecu\u00e7\u00e3o dos trabalhos e transpar\u00eancia de conhecimentos, tanto para fins de investiga\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o, quanto para capacita\u00e7\u00e3o rec\u00edproca de agentes de Estado e da sociedade civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o tem, ainda, como membros os professores Edmundo de Oliveira Gaud\u00eancio, e Gilbergues Santos Soares; o t\u00e9cnico administrativo da UEPB, Luan da Costa Medeiros e o estudante do curso de Direito, Camilo de L\u00e9lis Diniz de Farias. Duas novas portarias ser\u00e3o publicadas para contemplar as mulheres nos trabalhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reitor Rangel Junior observou que a escolha dos nomes para compor a Comiss\u00e3o teve crit\u00e9rios e levou em conta, entre outros aspectos, a hist\u00f3ria e o comprometimento dos professores e do estudante com a busca da verdade. Ele disse que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil escavar a hist\u00f3ria e trazer \u00e0 tona epis\u00f3dios deprimentes envolvendo pessoas que foram castigadas e torturadas pelo regime ditatorial. \u201cNo entanto, as novas gera\u00e7\u00f5es precisam reencontrar essa hist\u00f3ria e lutar para que esse per\u00edodo n\u00e3o volte mais\u201d, frisou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reitor lembrou que na UEPB muitos estudantes e professores foram v\u00edtimas dos abusos praticados pelos militares. \u201cNo caso da UEPB, ainda na \u00e9poca da URNe, muitos estudantes foram v\u00edtimas de atos arbitr\u00e1rios e queremos revirar os arquivos e resgatar esses fatos\u201d, destacou Rangel Junior. A ideia \u00e9 contribuir com informa\u00e7\u00f5es para o trabalho da Comiss\u00e3o Estadual e a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presidente da Comiss\u00e3o, o professor Benjamim fez um relato hist\u00f3rico. Tamb\u00e9m lembrou que muitos professores e estudantes da UEPB foram perseguidos e citou como exemplo o ent\u00e3o presidente do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE), Jos\u00e9 Filho, que teve sua vida cerceada pelos militares. \u201cVamos fazer um elo entre o passado e o presente, atualizando dados para as novas gera\u00e7\u00f5es\u201d, disse. Voltando no tempo, Benjamim citou como exemplo a interven\u00e7\u00e3o feita pelos militarem em Campina Grande e que desencadeou uma das grandes crises financeiras da UEPB, s\u00f3 superadas anos depois, com a Estadualiza\u00e7\u00e3o. \u201cA ditadura sangrou a ent\u00e3o URNe, levando a Institui\u00e7\u00e3o a atravessar uma crise hist\u00f3rica. Foi uma persegui\u00e7\u00e3o feroz\u201d, definiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O chefe de Gabinete do governador, Waldir Porf\u00edrio, mostrou a import\u00e2ncia dos trabalhos que os membros da Comiss\u00e3o ter\u00e3o nos pr\u00f3ximos 12 meses. Como membro da comiss\u00e3o estadual, Waldir citou alguns epis\u00f3dios envolvendo professores e estudantes da UEPB na \u00e9poca do regime. Ele se disp\u00f4s a contribuir com a Comiss\u00e3o fornecendo, inclusive, o seu arquivo pessoal para estudo dos membros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o Estadual, Paulo Giovani Ant\u00f4nio Nunes, destacou a import\u00e2ncia dos trabalhos das comiss\u00f5es para esclarecer as viola\u00e7\u00f5es do regime e tamb\u00e9m se disp\u00f4s a contribuir com os membros da comiss\u00e3o, fornecendo documentos e relat\u00f3rios de pessoas torturadas pelo regime. Por sua vez, o professor da UFCG, F\u00e1bio Freitas, fez um discurso efusivo e disse que as comiss\u00f5es surgiram para fazer justi\u00e7a \u00e0 hist\u00f3ria, come\u00e7ando pelas lutas memor\u00e1veis que resultaram na Lei da Anistia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>UFCG tira nome de ditador do seu audit\u00f3rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00faltimos resqu\u00edcios da ditadura n\u00e3o existem mais na Universidade Federal de Campina Grande. No momento hist\u00f3rico vivido pelo Pa\u00eds, em que a sociedade sai \u00e0s ruas reivindicando mudan\u00e7as, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) revela o outro lado de uma p\u00e1gina de sua hist\u00f3ria, relegada ao esquecimento pelas feridas de um per\u00edodo de repress\u00e3o e persegui\u00e7\u00f5es.No dia 10 de maio de 2013 o Colegiado Pleno do Conselho Superior da institui\u00e7\u00e3o aprovou, por unanimidade de votos de seus membros, a mudan\u00e7a do nome do principal audit\u00f3rio da institui\u00e7\u00e3o, localizado no campus central. O nome do ex-reitor Guillardo Martins Alves, substitu\u00eddo, e apagada da institui\u00e7\u00e3o. A partir de agora, o audit\u00f3rio se chama \u201cAudit\u00f3rio Jo\u00e3o Roberto Borges de Souza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guillardo Martins, \u00e0 \u00e9poca capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito, foi nomeado interventor na UFPB com a destitui\u00e7\u00e3o do reitor M\u00e1rio Moacyr Porto, em 1964. Durante o seu reitorado, segundo o conselheiro Luciano Mendon\u00e7a, autor da proposta de mudan\u00e7a, a institui\u00e7\u00e3o viveu \u201cuma das p\u00e1ginas mais tristes e sinistras de sua hist\u00f3ria, com a instala\u00e7\u00e3o de um verdadeiro clima de terrorismo\u201d. Em 1969, o estudante de Medicina Jo\u00e3o Roberto Borges foi impedido de continuar sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, em repres\u00e1lia \u00e0 sua milit\u00e2ncia nos movimentos estudantis. Em outubro daquele ano, seu corpo foi encontrado em um a\u00e7ude do munic\u00edpio de Catol\u00e9 do Rocha, no Sert\u00e3o paraibano, e sua morte atribu\u00edda aos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO mart\u00edrio de Jo\u00e3o Roberto Borges de Souza, e de muitos de seus companheiros de milit\u00e2ncia e gera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi em v\u00e3o, pois seu exemplo contribuiu para manter a chama acessa da resist\u00eancia contra o Regime Militar\u201d, ressaltou Luciano Mendon\u00e7a. A deputada J\u00f4 Moraes, que foi namorada do homenageado, disse que aos poucos o Brasil est\u00e1 passando a sua hist\u00f3ria a limpo, permitindo as novas gera\u00e7\u00f5es conhecerem os horrores de um dos per\u00edodos mais dif\u00edceis da hist\u00f3ria do pa\u00eds. \u201cEssas comiss\u00f5es s\u00e3o importantes para esclarecer as viola\u00e7\u00f5es do per\u00edodo da ditadura\u201d comentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela observa que o pr\u00f3prio clamor das ruas mostra o desejo do Brasileiro em ver dias melhores, com os direitos e deveres previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal respeitados longe de todo tipo de opress\u00e3o. O reitor da UFCG Edilson Amorim disse que a institui\u00e7\u00e3o fez justi\u00e7a a sua hist\u00f3ria. Na pr\u00f3xima semana Edilson Amorim tamb\u00e9m vai instalar a Comiss\u00e3o da Verdade da UFCG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Fonte &#8211; PBAgora<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os anos de 1964 e 1974, per\u00edodo da Ditadura Militar, at\u00e9 2013, muita coisa mudou. 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