{"id":6226,"date":"2013-07-24T18:47:41","date_gmt":"2013-07-24T18:47:41","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/24\/memoria-da-ditadura-e-revanchismo-sim-joca-souza-leao-opiniao-jc-jornal-do-commercio\/"},"modified":"2013-07-24T18:47:41","modified_gmt":"2013-07-24T18:47:41","slug":"memoria-da-ditadura-e-revanchismo-sim-joca-souza-leao-opiniao-jc-jornal-do-commercio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/24\/memoria-da-ditadura-e-revanchismo-sim-joca-souza-leao-opiniao-jc-jornal-do-commercio\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria da ditadura &#8211; \u00c9 revanchismo, sim &#8211; Joca Souza Le\u00e3o &#8211; opini\u00e3o JC \/ Jornal do Commercio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201c JUSTI\u00c7A, \u00a0 REVANCHE, \u00a0 VINGAN\u00c7A. \u201c \u00a0 \u00a0 \u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\"> Raul Ellwanger.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u201cA \u00a0 justa \u00a0 vingan\u00e7a \u00a0 ou \u00a0 a \u00a0 justi\u00e7a \u00a0 injusta ?\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>1 \u00a0&#8211; \u00a0FIC\u00c7\u00d5ES \u00a0 NO \u00a0 BRASIL \u00a0DE \u00a0 \u00a02012.  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Durante o regime militar, o Coronel Brusca participou de modo ativo durante v\u00e1rios anos da tarefa de dizimar opositores ao regime militar, martirizando dezenas de fam\u00edlias de pessoas que resistiam \u00e0 tirania e mesmo \u00a0outras alheias a isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2012, um delegado n\u00e3o identificado e 6 policiais invadem a casa do Coronel Brusta, sem qualquer ordem judicial, amea\u00e7am e aterrorizam sua esposa, filhos, netinhas; o algemam, botam num cambur\u00e3o, d\u00e3o coronhadas no seu peito, cusparadas, telefones, chutes, berros. \u00a0Chegados numa casa inc\u00f3gnita, o penduram no pau-de-arara, simulam afogamentos, com cabos conectados entre o anus e a mucosa nasal descarregam corrente el\u00e9trica. O torturado n\u00e3o tem nenhuma possibilidade de defesa, sua deten\u00e7\u00e3o \u00e9 clandestina, seu sequestro n\u00e3o existe na vida real ou legal. Incrementam a sevicia f\u00edsica com a psicol\u00f3gica, empalando a v\u00edtima entre risadas, e decepam seus dedos. \u00a0O mart\u00edrio dura 48 horas seguidas, sem \u00e1gua ou comida, quando o Coronel expira devido aos supl\u00edcios. A mesma equipe produz o desaparecimento do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o primeiro momento, seus failiares buscam a Delegacia, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, um Habeas-Corpus judicial atrav\u00e9s de advogados. \u00a0A resposta \u00e9 sempre a mesma: n\u00e3o est\u00e1 preso sob a custodia do Estado Brasileiro. Tornou-se um desaparecido, talvez eterno. \u00a0N\u00e3o \u00e9 nem mesmo um detido-desaparecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na evidencia de que o coronel durante o regime de exce\u00e7\u00e3o p\u00f3s-64 ordenou\/praticou\/acobertou uma ou varias vezes crimes de seq\u00fcestro\/tortura\/morte\/desaparecimento for\u00e7ado , estamos diante de um legitimo caso de \u201crevanchismo\u201d. \u00a0Os vitim\u00e1rios est\u00e3o aplicando uma vingan\u00e7a ao torturador, \u00a0a mesma puni\u00e7\u00e3o \u00a0 justa e equivalente \u00e0quela que ele aplicou antes , \u00a0na mesma medida e qualidade. \u00a0No caso de reincid\u00eancia, a vindita se repetir\u00e1 uma vez a cada caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que seja este o nosso instinto gen\u00e9tico, n\u00e3o est\u00e1 feita a justi\u00e7a. Para a viol\u00eancia ilegal inicial se op\u00f4s outra viol\u00eancia, igualmente ilegal, imoral e desumana. \u00a0A igualdade extra-legal das penas afasta a verdadeira justi\u00e7a, sua isonomia parece justa, mas \u00e9 apenas revanche, vingan\u00e7a, vindita. Praticou-se a \u00a0\u201cvendetta\u201d \u00a0mafiosa \u00a0baseada numa rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as brutas, \u00a0sem ordenamento jur\u00eddico \u00a0que \u00a0diga o que constitui \u00a0um crime, qual ser\u00e1 sua puni\u00e7\u00e3o, quais os ritos garantidores do processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00a0transpar\u00eancia \u00a0justa \u00a0da \u00a0pena \u00a0igualit\u00e1ria \u00a0velou \u00a0a \u00a0Justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u00a0&#8211; \u00a0ARGENTINA \u00a0 SEM \u00a0 FIC\u00c7\u00d5ES \u00a0 EM \u00a0 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os senhores Vitela, Trazero, Mignone e dezenas de militares das 4 armas desde general a soldado, \u00a0e tamb\u00e9m policiais, padres, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, carcereiros, civis, ju\u00edzes, advogados, delatores, m\u00e9dicos s\u00e3o levados \u00e0 Justi\u00e7a na Argentina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo todos os procedimentos legais, em acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o e as Conven\u00e7\u00f5es Internacionais e leis processuais, com a mais ampla defesa e publicidade, cuidados em sua sa\u00fade vetusta, sem qualquer apremio psicol\u00f3gico, respeitados como cidad\u00e3os, bem vestidos e transportados, acumulando d\u00e9cadas de ocultamento organizado de provas e amea\u00e7as a testemunhas, contando com suas \u201ctorcidas\u201d barulhentas, proferindo inclusive amea\u00e7as para o futuro, usando de todos os recursos dilat\u00f3rios, v\u00e3o sendo condenados a penas vari\u00e1ves, desde poucos anos at\u00e9 somat\u00f3rias de \u00a0perp\u00e9tuas. Recorrendo, n\u00e3o t\u00eam \u00eaxito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e3o condenados pela justi\u00e7a democr\u00e1tica, republicana, legal, de modo p\u00fablico e medi\u00e1tico. Foram condenados por uma ampla gama de crimes, pelo delito gen\u00e9rico \u00a0de serem \u201crepressores\u201d, e \u00a0pagar\u00e3o suas penas normalmente por crimes comuns e de lesa-humanidade. N\u00e3o houve nenhum resqu\u00edcio de revanche, de vingan\u00e7a, de viol\u00eancia ilegal. \u00a0Os atormentadores tiveram todas as garantias do Estado de Direito. \u00a0Na forma da lei, foram condenados: veredito legal, moral, humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pena que recebem n\u00e3o guarda nenhuma compara\u00e7\u00e3o ou comensura\u00e7\u00e3o com os crimes que praticaram. \u00c9 infinitamente menor, \u00e9 mais branda, \u00a0tem origem prevista, \u00e9 menos traum\u00e1tica, \u00e9 menos socializada, \u00e9 humanit\u00e1ria, teve ampla defesa. \u00a0N\u00e3o passa de um safan\u00e3o, se comparada com um s\u00f3 dos choques el\u00e9tricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apareceu o v\u00e9u da Justi\u00e7a, mesmo na desigual \u00a0justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 \u00a0&#8211; \u00a0OUSAR \u00a0VENCER \u00a0A \u00a0LUTA \u00a0PELAS \u00a0PALAVRAS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAo \u00a0nomear \u00a0o \u00a0 familiar \u00a0de \u00a0um \u00a0 seq\u00fcestrado(a) \/ detido-desaparecido(a) \/ torturado(a) \/ assasinado(a) \u00a0como \u00a0\u201crevanchista\u201d, estamos \u00a0 caluniando, \u00a0acusando \u00a0e \u00a0vitimizando \u00a0por \u00a0segunda vez \u00a0quem j\u00e1 foi e segue sendo punido dia a dia, seja o detido-desaparecido e\/ou seu familar.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Dicion\u00e1rio Houaiss, temos como \u00a0sinonimo de revanche as palavras \u00a0\u201cdesforra\u201d \u00a0e \u00a0\u201cvingan\u00e7a\u201d, entre outras. \u00a0Tamb\u00e9m \u00a0\u201crepres\u00e1lia, desafronta\u201d. \u00a0O mesmo que \u00a0\u201ctornar a disputar a prova\u201d. \u00a0A mesma prova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Petit Larousse, \u00a0 temos \u00a0\u201crevanche\u201d como \u00a0\u201crendre la pareille\u201d, que seria como \u00a0\u201centregar, devolver o mesmo\u201d. \u00a0Do latim \u00a0\u201crevindicare\u201d, seu \u00e9timo vem de \u00a0\u201crevinger\u201d \u00a0(revingar) igual a \u00a0 \u201cdesejo de vingan\u00e7a\u201d. Foneticamente o frances \u201crevAnge(r)\u201d \u00a0conduz a \u00a0\u201crevanche\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 \u00a0 \u201cen revanche\u201d \u00a0 podemos traduzir por \u00a0\u201cem compensa\u00e7\u00e3o\u201d. \u00a0 \u201cCompensar\u201d \u00a0no Houaiss significa \u00a0 \u201drestabelecer o equil\u00edbrio\u201d, \u00a0os pratos iguais da balan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do latim \u00a0\u201cvindic\u201d , \u00a0\u00e9 \u00a0a \u00a0\u201cvindita\u201d \u00a0a \u00a0\u201crepara\u00e7\u00e3o de uma ofensa em que o ofendido retruca ao seu ofensor com uma a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o que lhe traga igual dano\u201d. \u00a0Conforme \u00a0Houaiss, o mesmo que \u201cdesagravo\u201d, eliminar o agravo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Pedro M. de Olive e Juan Penalver, \u00a0 \u201cvindicaci\u00f3n\u201d \u00a0\u00e9 \u00a0 \u201cdar a cada uno lo que \u00a0es \u00a0suyo\u201d . \u00a0O mesmo que \u201cjusta venganza o satisfaci\u00f3n que se toma de alg\u00fan agravio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A demanda da sociedade por justi\u00e7a n\u00e3o se enquadra em nenhum dos termos estudados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Justi\u00e7a n\u00e3o oferece nem d\u00e1 a revanche. Revanche n\u00e3o cria nem \u00e9 justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os criminosos impunes livram uma tenaz e sutil luta no campo das id\u00e9ias para escapar da justa justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7am por vencer a disputa das id\u00e9ias pela via do engano das palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atribuem \u00a0a quem pede justi\u00e7a p\u00fablica, os mesmos atos injustos seus que ocultam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mentem ao chamar de revanche o que \u00e9 justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falsificam o car\u00e1ter das partes opostas ao igualar os desiguais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caluniam a vitima punida ilegalmente ao assemelh\u00e1-la ao seviciador ainda \u201clegalmente\u201d impune.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vencer a disputa pelas id\u00e9ias e palavras claras ajuda \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mario Villani, sobrevivente de campo de exterm\u00ednio ESMA na Argentina na d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodav\u00eda hoy tengo que pelear contra una parte de m\u00ed que se pasa de rosca pensando \u201ca estos hijos de puta los quiero reventar\u201d porque en ese caso yo no me diferencio de ellos. Yo no soy como ellos y eso lo tengo que defender a muerte.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c JUSTI\u00c7A, \u00a0 REVANCHE, \u00a0 VINGAN\u00c7A. \u201c \u00a0 \u00a0 \u00a0 Raul Ellwanger. \u201cA \u00a0 justa \u00a0 vingan\u00e7a \u00a0 ou \u00a0 a \u00a0 justi\u00e7a \u00a0 injusta ?\u201d \u00a0 1 \u00a0&#8211; \u00a0FIC\u00c7\u00d5ES \u00a0 NO \u00a0 BRASIL \u00a0DE \u00a0 \u00a02012.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6226"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6226\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6226"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6226"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6226"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}