{"id":6233,"date":"2013-07-25T03:13:43","date_gmt":"2013-07-25T03:13:43","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/25\/bebe-sequestrada-e-deixada-em-orfanato-em-1974-pode-ser-filha-de-guerrilheiros\/"},"modified":"2013-07-25T03:13:43","modified_gmt":"2013-07-25T03:13:43","slug":"bebe-sequestrada-e-deixada-em-orfanato-em-1974-pode-ser-filha-de-guerrilheiros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/07\/25\/bebe-sequestrada-e-deixada-em-orfanato-em-1974-pode-ser-filha-de-guerrilheiros\/","title":{"rendered":"Beb\u00ea sequestrada e deixada em orfanato em 1974 pode ser filha de guerrilheiros"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Hist\u00f3ria de menina criada Bel\u00e9m pode esclarecer casos de crian\u00e7as desaparecidas nas m\u00e3os de militares no Araguaia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6230\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/0m5lw3kf50r7hxjjnnqq6qkaw.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address \/>A tia Sandra (esquerda) \u00e9 a mais parecida com Lia, que reencontrou a fam\u00edlia do pai morto em 2009  <!--more-->  <\/address>\n<address><\/address>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Lia Cec\u00edlia da Silva Martins, uma microempres\u00e1ria que vive na cidade de Catal\u00e3o, em Goi\u00e1s, \u00e9 o elo perdido que pode esclarecer um dos mais escabrosos crimes da ditadura militar: o desaparecimento for\u00e7ado de beb\u00eas e crian\u00e7as filhos de militantes do PCdoB fuzilados no Araguaia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sequestrada com poucos meses de idade e levada para um internato em Bel\u00e9m, no Par\u00e1, hoje aos 39 anos, Lia \u00e9 um desses beb\u00eas cuja sobreviv\u00eancia assusta os militares que tentaram eliminar todos os vest\u00edgios da guerrilha, sumindo inclusive com os \u00f3rf\u00e3os do conflito. H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es que levam ao desaparecimento de oito crian\u00e7as pelas m\u00e3os de militares. Os ind\u00edcios mais fortes rondam tr\u00eas casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lia, o mais forte deles, ao ser entregue por dois homens que se apresentaram como autoridades (um como delegado e o outro como militar) ao orfanato Lar de Maria, um centro esp\u00edrita no bairro S\u00e3o Br\u00e1s, em Bel\u00e9m, em junho de 1974, tinha o corpo cravejado de picadas de mosquito e estava esqu\u00e1lida. A institui\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u00e9poca, era dirigida por um coronel do Ex\u00e9rcito, Oli de Castro, seu fundador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Pelos fragmentos de hist\u00f3ria que chegam a Lia, antes a dupla teria tentado internar o beb\u00ea numa creche conhecida por Ber\u00e7o de Bel\u00e9m, da igreja cat\u00f3lica, no mesmo bairro, mas as freiras que geriam a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o aceitaram o inusitado pedido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crian\u00e7a foi ent\u00e3o deixada com o casal Sandoval e Eum\u00e9lia Martins, que cuidavam do centro esp\u00edrita e do orfanato, com a promessa de apanh\u00e1-la de volta. Nunca mais foram vistos. Afei\u00e7oada ao beb\u00ea, Eum\u00e9lia a registrou clandestinamente como filha do casal no dia 1\u00ba de julho de 1974 no cart\u00f3rio mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Lia soube que havia sido adotada aos nove anos de idade, mas s\u00f3 em 2009 se interessou pela hist\u00f3ria ao ler uma reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo. Era o relato de um dos guias dos militares, Jos\u00e9 Maria Alves da Silva, o Z\u00e9 Catingueiro, apontando a exist\u00eancia de \u201cum beb\u00ea branco\u201d retirado da m\u00e3e pelos militares e que poderia ser filho de um guerrilheiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6231\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/9mw271c0si8linqp6d0qsx2db.jpg\" border=\"0\" width=\"316\" height=\"236\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address>Lia e tia Maria Eliana se encontram em restaurante em Bras\u00edlia<\/address>\n<address><\/address>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO relato tinha detalhes parecidos com os da minha vida. Decidi ent\u00e3o entrar em contato com o jornal\u201d, diz ela. Os epis\u00f3dios seguintes mudaram a vida de Lia e dos Castro, uma fam\u00edlia cearense que h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas andava atr\u00e1s de vest\u00edgios do ex-estudante de farm\u00e1cia e bioqu\u00edmica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ant\u00f4nio Teodoro de Castro, quadro do PCdoB, conhecido entre os militantes por Raul, desaparecido no Araguaia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tra\u00e7os faciais e DNA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um a um, ela foi conhecendo os oito irm\u00e3os de Raul. Primeiro a advogada Merc\u00eas, depois Maria Eliana, Paulo, Roberto, Vit\u00f3ria, Socorro, Laura e Sandra. Num restaurante em Bras\u00edlia, onde se encontrava com Maria Eliana, veio a testemunhar um fato curioso: um amigo da fam\u00edlia Castro foi ao encontro de Maria Eliana e, depois de um abra\u00e7\u00e1-la, estranhou o distanciamento de Lia: \u201cpoxa Sandra, voc\u00ea nem me cumprimentou\u201d, disse, dirigindo-se a Lia, que reagiu com certa perplexidade. Lia \u00e9 parecida com as irm\u00e3s do guerrilheiro, mas a semelhan\u00e7a mais not\u00e1vel \u00e9 com Sandra, com a qual foi confundida em outras ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2010, Lia decidiu tirar a limpo sua hist\u00f3ria. Um primeiro teste, de compara\u00e7\u00e3o dos detalhes faciais com as tias tornaria desnecess\u00e1rio prosseguir a investiga\u00e7\u00e3o, mas ela aceitou fazer um teste de DNA. O laudo apontou 90% de coincid\u00eancias entre seu c\u00f3digo gen\u00e9tico e os de seis de seus tios. Os outros 10% poderiam ser eliminados se os restos mortais de Raul fossem encontrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o temos d\u00favida de que a Lia \u00e9 filha de nosso irm\u00e3o\u201d, afirma Maria Eliana. Para confirmar oficialmente a paternidade, ela solicitou que a Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos da Secretaria Especial de Direitos Humanos (CMD-SEDH) fa\u00e7a o mesmo teste atrav\u00e9s do banco de sangue de familiares de desaparecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pedido, encaminhado numa peti\u00e7\u00e3o de 24 p\u00e1ginas assinada pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto e pela advogada Camila Gomes de Lima, ao qual o IG teve acesso com exclusividade, pode desvendar o \u00faltimo segredo da hist\u00f3ria de Lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Filha da guerrilha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGostaria de saber quem \u00e9 minha m\u00e3e\u201d, diz ela. \u201cMe falaram que era estrangeira, que se incorporou \u00e0 guerrilha e que fazia tamb\u00e9m observa\u00e7\u00f5es sobre o movimento de p\u00e1ssaros\u201d, afirma. A peti\u00e7\u00e3o requer tr\u00eas informa\u00e7\u00f5es: a fun\u00e7\u00e3o e legisla\u00e7\u00e3o que rege o banco de sangue criado pela SEDH; o resultado dos exames de amostras de sangue deixados por Lia e seus prov\u00e1veis tios; e, o mais importante, que os mesmos c\u00f3digos de DNA sejam cruzados com os de familiares de 12 guerrilheiras desaparecidas que conviveram com Ant\u00f4nio Teodoro de Castro durante o per\u00edodo em que ele esteve no conflito, entre 1972 e final de 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem muitas lendas sobre o \u201cbeb\u00ea branco\u201d sequestrado pelos militares. A primeira, a de que seria filha de Raul com uma mo\u00e7a da regi\u00e3o, conhecida por Regina; a segunda, a de que seria resultado do romance do guerrilheiro com a tal estrangeira; e, por \u00faltimo, que seria filho de Raul com uma das militantes do PCdoB que morreram no Araguaia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6232\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/7bb9d8lq0gh0jwbwjo1bf31ay.jpg\" border=\"0\" width=\"316\" height=\"236\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address>Merc\u00eas foi a primeira tia, irm\u00e3 do pai guerrilheiro, que Lia conheceu<\/address>\n<address><\/address>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 plaus\u00edvel que a Lia seja filha de The\u00f3 (com o guerrilheiro era chamado em fam\u00edlia) com uma das guerrilheiras. Se n\u00e3o for, pelo menos descartaremos uma das hip\u00f3teses\u201d, diz Eliana. \u201cNos relatos nada \u00e9 exatamente preciso. Por isso \u00e9 razo\u00e1vel que se fa\u00e7a o confronto com as guerrilheiras\u201d, afirma a advogada Camila. Ela reclama da morosidade da CMD-SEDH que, segundo afirma, tem adotado uma postura d\u00fabia sobre casos do g\u00eanero. As amostras de sangue est\u00e3o com o \u00f3rg\u00e3o h\u00e1 mais de um ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jornalista Myrian Alves, que h\u00e1 duas d\u00e9cadas pesquisa a guerrilha, diz que diante da inconsist\u00eancia das duas primeiras hip\u00f3teses, \u00e9 mais prov\u00e1vel que Lia seja filha de Raul com outra militante do PCdoB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porta da esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Eliana conta que o coordenador CMD, Giles Gomes, justificou a in\u00e9rcia do governo argumentando que o caso \u00e9 delicado por envolver a privacidade de familiares e sugeriu a alternativa de quem n\u00e3o quer inc\u00f4modo: que as amostras sejam colhidas depois de uma negocia\u00e7\u00e3o com parentes das guerrilheiras. A sugest\u00e3o foi aceita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O requerimento dos advogados \u00e9 uma primeira tentativa de convencer o governo federal a cumprir sua obriga\u00e7\u00e3o, prevista na Constitui\u00e7\u00e3o e nos tratados internacionais. O documento foi protocolado no dia 1\u00ba de abril, mas mesmo que a lei determine resposta em at\u00e9 cinco dias, at\u00e9 hoje a CMD n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso a demora persista, a fam\u00edlia de Raul pretende recorrer \u00e0 mesma Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Oraniza\u00e7\u00e3o de Estdos Americanos (OEA), que j\u00e1 condenou o estado brasileiro por graves viola\u00e7\u00f5es no caso da Guerrilha do Araguaia. Ela seguiria o precedente adotado num caso semelhante pela fam\u00edlia Maria Mascarena Gelman, no Uruguai, que recorreu a CIDH e obrigou o governo de seu pa\u00eds a identificar seus pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Lia viveu por 30 anos o mist\u00e9rio de sua origem, mas s\u00f3 decidiu mergulhar mesmo na busca depois que seus pais adotivos morreram. Ela guardou segredo sobre os contatos com os prov\u00e1veis tios por mais de um ano e s\u00f3 aceitou fazer o teste de DNA depois que Sandoval faleceu, em 2010, aos 89 anos. Antes, quando tinha 16, um dos seis irm\u00e3os da fam\u00edlia adotiva, Paulo, chegou a sugerir que procurasse o apresentador Silvio Santos e levasse sua hist\u00f3ria para o quadro Porta da Esperan\u00e7a, do SBT. Desistiu ao perceber que Sandoval se sentira constrangido e inseguro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Arrancada da m\u00e3e<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMeu pai adotivo me amou muito e tinha medo de me perder. Tamb\u00e9m o amo e decidi ent\u00e3o que enquanto vivesse n\u00e3o tocaria no assunto. Mas nunca deixei de buscar os meus pais verdadeiros. O que me contaram \u00e9 que fui arrancada dos bra\u00e7os de minha m\u00e3e na pris\u00e3o. Agora que sei quem \u00e9 meu pai, um homem de car\u00e1ter e idealista, vou ajudar a encontr\u00e1-lo. Quero dar a ele um enterro digno\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lia \u00e9 uma mulher simples, mas sua vis\u00e3o de mundo \u00e9 de uma objetividade e resigna\u00e7\u00e3o raras para quem a vida n\u00e3o para de provocar os sobressaltos. Durante as buscas pelo pai verdadeiro, apaixonou-se pelo tamb\u00e9m microempres\u00e1rio M\u00e1rcio Carneiro, dono de uma empresa de capacita\u00e7\u00e3o de recursos humanos em Catal\u00e3o. Do casamento, nasceu Cec\u00edlia, a neta do guerrilheiro que, por um daqueles golpes do destino, depois de uma luta paralela travada pelo casal, faleceu de leucemia aos 14 meses de idade em 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao seu tempo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMinha hist\u00f3ria \u00e9 forte, mas tenho preparo espiritual. Fui criada dentro de um centro esp\u00edrita e sei que tudo vai acontecer no seu tempo\u201d diz, resignada. \u201cA Lia \u00e9 um a d\u00e1diva\u201d, afirma Maria Eliana, emocionada com as descobertas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca pela m\u00e3e, mais uma luta, \u00e9 um mosaico cujas pe\u00e7as j\u00e1 teriam sido juntadas ou descartadas se n\u00e3o fosse a neglig\u00eancia do Estado brasileiro e do PCdoB. A fam\u00edlia encaminhou \u00e0 SEDH uma lista de doze guerrilheiras que conviveram com Raul at\u00e9 este ser preso e fuzilado em 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O pedido prioriza os testes de DNA com familiares de cinco guerrilheiras: Sueli Yomiko Kanayama; Lucia Maria de Souza, conhecida por S\u00f4nia; Luiza Augusta Guarlippe, a Tuca; Dinalva Concei\u00e7\u00e3o Teixeira, a Dina \u2013 guerrilheira mais famosa do Araguaia \u2013; e Telma Regina Cordeiro Correa, cujo apelido, Lia, por coincid\u00eancia, foi um dos prenomes de batismo da \u00f3rf\u00e3 que chegou ao Lar de Maria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como segunda op\u00e7\u00e3o, foram inclu\u00eddas na lista encaminhada a SEDH os nomes das guerrilheiras Maria C\u00e9lia Corr\u00eaa, Helenira Rezende de Souza Nazareth, Jana Moroni Barroso e Walkiria Afonso da Costa, fuzilada em 25 de outubro de 1974, a \u00faltima personagem da guerrilha capturada viva e executada pelos militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os casos Osvald\u00e3o e Dina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esclarecimento do caso Lia deve levar os familiares a pressionar pela busca de outras crian\u00e7as desaparecidas no Araguaia. Um deles \u00e9 conhecido como o caso do \u201cmenino negro\u201d, de tr\u00eas anos de idade, cujos relatos apontam para a possibilidade de tratar-se de mais um filho de Osvaldo Orlando da Costa, o Osvald\u00e3o, um militante de dois metros de altura, militar, engenheiro, lutador de boxe e o mais ca\u00e7ado dos guerrilheiros. Foi tamb\u00e9m o que mais la\u00e7os \u2013 amorosos e de amizade \u2013 criou com os camponeses da regi\u00e3o. Chegou l\u00e1 em 1966 como dono de garimpo e mariscador (ca\u00e7ador que vende pele de animais) e, como Dina, faz parte das lendas do Araguaia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O suposto filho de Osvaldo, segundo os moradores, teria sido retirado da m\u00e3e, Maria Castanheira, em Araguarina, e nunca mais foi visto. Da mesma cidade teriam sido levadas outras crian\u00e7as, entre elas Lia. Abalada pela persegui\u00e7\u00e3o, Maria teria morrido \u201cdos nervos\u201d, segundo relato de camponeses. \u201cJos\u00e9 Reis, um dos oficiais que estiveram no comando da repress\u00e3o no Araguaia me contou que o filho de Osvaldo foi adotado por um militar que o levou para Fortaleza\u201d, conta jornalista Myrian Alves. O menino, segundo ela, chama-se Giovani e seu desaparecimento \u00e9 amplamente conhecido na regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro caso envolve Dina. Ao ser presa por Curi\u00f3 em julho de 1974, junto com Tuca, dizem os moradores, ela estava gr\u00e1vida e, antes de ser executada, teria dado a luz a uma menina. Os pesquisadores dizem que os casos dos beb\u00eas e crian\u00e7as desaparecidas no Araguaia fazem parte de uma hist\u00f3ria oral, sem documentos de comprova\u00e7\u00e3o. Os rastros podem estar em orfanatos \u2013 como o de Bel\u00e9m \u2013, destinos frequentes de \u00f3rf\u00e3os de oponentes executados pelas For\u00e7as Armadas ao longo dos conflitos ocorridos no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; IG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria de menina criada Bel\u00e9m pode esclarecer casos de crian\u00e7as desaparecidas nas m\u00e3os de militares no Araguaia A tia Sandra (esquerda) \u00e9 a mais parecida com Lia, que reencontrou a fam\u00edlia do pai morto em 2009<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6233"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6233"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6233\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}