{"id":6278,"date":"2013-08-09T00:22:51","date_gmt":"2013-08-09T00:22:51","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/09\/militantes-da-ap-narram-torturas-a-comissao-da-verdade-da-paraiba\/"},"modified":"2013-08-09T00:22:51","modified_gmt":"2013-08-09T00:22:51","slug":"militantes-da-ap-narram-torturas-a-comissao-da-verdade-da-paraiba","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/09\/militantes-da-ap-narram-torturas-a-comissao-da-verdade-da-paraiba\/","title":{"rendered":"Militantes da AP narram torturas \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade da Para\u00edba"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um dos torturadores da ditadura militar, que atuava em Campina Grande, trabalha atualmente como promotor no estado do Cear\u00e1. Foi o que revelaram, na \u00faltima ter\u00e7a-feira (6), v\u00edtimas e testemunhas das torturas. Ele era conhecido como Sargento Marinho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6277\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/comissao_da_verdade_da_paraiba46652.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEra o pior de todos\u201d, disseram as v\u00edtimas durante audi\u00eancia p\u00fablica promovida em Campina Grande pela Comiss\u00e3o Estadual da Verdade e da Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria da Para\u00edba.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse Sargento Marinho era um terror. Torturou todo mundo aqui em Campina Grande nas granjas e no quartel do ex\u00e9rcito. Soube que hoje ele \u00e9 um promotor p\u00fablico no interior do Cear\u00e1. Esse homem n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de defender a sociedade, porque promovia tortura durante o regime militar\u201d, afirmou o hoje suplente de vereador Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo Moreira Dantas, um dos ouvidos pela Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m foram ouvidos os testemunhos de Maura Pires Ramos, Jos\u00e9lia Wellen e Jorge de Aguiar Leite. O evento aconteceu no audit\u00f3rio do Centro de Extens\u00e3o Jos\u00e9 Farias N\u00f3brega, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), situado no bairro de Bodocong\u00f3.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A primeira a prestar depoimento foi a torturada Maura Ramos, que pertencia \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o A\u00e7\u00e3o Popular e militava, em 1968, no movimento estudantil da Universidade Regional do Nordeste, tendo sido presidente do Diret\u00f3rio Acad\u00eamico de Letras e Pedagogia e presa no 30\u00ba Congresso da UNE de Ibi\u00fana-SP.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Maura relatou que foi sequestrada quando sa\u00eda do trabalho no dia 29 de abril de 1974 por agentes do DOI-Codi, sendo levada algemada a um lugar da zona rural de Campina Grande. \u201cDigo que era uma granja por conta dos cantos dos p\u00e1ssaros e de galos, al\u00e9m de outros animais. Pois bem, naquele lugar me deram murros, mandaram me despir, ficando somente de calcinha. Logo em seguida, come\u00e7aram as sess\u00f5es de choques el\u00e9tricos em minhas orelhas, meus seios, dedos dos p\u00e9s\u201d, relatou Maura Ramos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ela disse que se encontravam presas com ela Jos\u00e9lia Ramos Wallen, Roberto Carlos Cantalice (estudante secundarista) e Dilza Rodrigues de Fran\u00e7a. Todos foram levados para Recife num assoalho de uma Kombi, encapuzados, alguns dias ap\u00f3s as sess\u00f5es de tortura na granja. O Major C\u00e2mara, do Ex\u00e9rcito, era quem comandava as pris\u00f5es e as torturas em Campina, junto com o Sargento Marinho.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na pris\u00e3o em Recife pediram a Maura para assinar um papel em branco, mas ela n\u00e3o aceitou. Na cela com ela estava uma mo\u00e7a de nome \u201cMaria\u201d, que era de Bel\u00e9m do Par\u00e1, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o conhecia. Foi trazida de volta para Campina Grande, deitada num assoalho do carro, \u201ce liberada no meio da rua toda esfarrapada\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Contou ainda que a fam\u00edlia havia procurado por ela nos quart\u00e9is do Ex\u00e9rcito e da pol\u00edcia militar e nas delegacias, mas todos negavam a pris\u00e3o de Maura Ramos. Foi lida uma das cartas feita pela sua m\u00e3e ao prefeito de Campina Grande pedindo a sua interven\u00e7\u00e3o para localizar a filha desaparecida. \u201cEu sofri muitas dores, tive muito medo, e minha fam\u00edlia tamb\u00e9m sofreu muito com meu desaparecimento\u201d, disse Maura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A segunda a prestar o seu testemunho foi a professora Jos\u00e9lia Ramos Wellen, que havia sido sequestrada tamb\u00e9m no dia 29 de abril de 1974. Contou que foi levada para um local onde, pelos sons, tinham caracter\u00edsticas de ser uma granja dos arredores de Campina Grande, j\u00e1 que a viagem n\u00e3o demorou. Ela foi levada encapuzada e deitada no ch\u00e3o do carro.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9lia disse que depois de uma sess\u00e3o de murros e gritos, colocaram fios el\u00e9tricos nas olheiras, seios e dedos dos p\u00e9s durante v\u00e1rias horas. \u201cFoi um tormento muito grande. Queriam que eu falasse sobre os nomes de pessoas que pertenciam \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o A\u00e7\u00e3o Popular\u201d, lembra ela. \u201cA v\u00edtima foi o povo brasileiro, n\u00e3o fui eu sozinha\u201d, afirmou Jos\u00e9lia Ramos, ao se referir \u00e0s atrocidades praticadas pelo regime militar no Brasil.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na parte da tarde, a Comiss\u00e3o Estadual da Verdade e da Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria da Para\u00edba iniciou os trabalhos com o testemunho do poeta e suplente de vereador de Campina Grande Jo\u00e3o Dantas. Ele contou que foi preso em 1971 porque colecionava cartaz de teatro, cinemas etc, e um dia retirou do aeroporto de Campina Grande um cartaz contendo fotos de pessoas procuradas pela pol\u00edcia federal, tidas como \u201cterroristas\u201d e \u201csubversivas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Dantas disse que \u00e0 noite o Ex\u00e9rcito foi at\u00e9 a sua casa e o levou preso, encapuzado e conduzido a uma granja. Ali foi torturado por tr\u00eas pessoas que, pelo sotaque, n\u00e3o eram de Campina Grande, e tamb\u00e9m pelo Major C\u00e2mara e o Sargento Marinho, ambos do Ex\u00e9rcito. Denunciou que as granjas pertenciam aos irm\u00e3os empres\u00e1rios do setor b\u00e9lico Bartolomeu Bezerra e Manoel Bezerra.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O depoimento de Jorge de Aguiar Leite, o Jorj\u00e3o\u201d, foi o \u00faltimo na audi\u00eancia da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade da Para\u00edba. Ele fez parte do movimento secundarista antes do golpe militar, ocupando a secretaria e depois a vice-presid\u00eancia do Centro Estudantal Campinense na gest\u00e3o do ent\u00e3o presidente Derly Pereira. Em 1969, tendo como fundamento o Decreto 477, foi suspenso por um ano quando fazia economia na Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas de Campina Grande.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Jorj\u00e3o contou que em 12 de janeiro de 1973 foi preso sob acusa\u00e7\u00e3o de envolvimento em atividades subversivas, tendo sido submetido a violentas sess\u00f5es de torturas f\u00edsicas e morais na \u201cGranja do Terror\u201d, em Campina Grande, cedida por Manuelito Bezerra, comerciante de armas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cColocaram um fio el\u00e9trico na minha orelha e outro no p\u00e9. Depois tiravam e colocavam no meu p\u00eanis. Era um terror. Dois dias depois, fui conduzido \u00e0 cidade do Recife, onde fiquei preso e incomunic\u00e1vel at\u00e9 o m\u00eas de mar\u00e7o, no DOI-Codi. L\u00e1 respondi a v\u00e1rios interrogat\u00f3rios perante os \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o sediados em Pernambuco\u201d, relatou Jorj\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ele disse que o pessoal do DOI-Codi s\u00f3 perguntava sobre as pessoas que ele escondera do PCBR na sua casa, mas nunca sobre os membros da A\u00e7\u00e3o Popular. \u201cSe eles chegassem at\u00e9 a AP eu estava lascado, porque emprestei minha fazenda para que a dire\u00e7\u00e3o nacional da A\u00e7\u00e3o Popular realizasse confer\u00eancia nacional por tr\u00eas anos consecutivos, Inclusive, a decis\u00e3o do ingresso da AP no PCdoB se realizou na minha fazenda\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Relatou ainda que, dentre as pessoas do PCBR que ele escondeu em sua resid\u00eancia, duas delas foram mortas pelo regime militar. \u201cUm era chamado de Comprido, ou Fernando Sand\u00e1lia, que foi morto em tiroteio. Outra era conhecida como Maria, do Rio Grande do Norte, que apareceu enforcada, estranhamente, por seu cinto\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Para\u00edba<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A audi\u00eancia foi a terceira realizada pela Comiss\u00e3o Estadual da Verdade e da Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria do Estado da Para\u00edba, formada pelos membros Paulo Giovani (presidente), L\u00facia Guerra (vice-presidente), Iranice Muniz (secret\u00e1ria), Waldir Porf\u00edrio, F\u00e1bio Freitas, Irene Marinheiro e Jo\u00e3o Manoel de Carvalho.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 foram ouvidos os testemunhos das v\u00edtimas do regime militar: J\u00f4 Moraes (Socorro Fragoso), Assis Lemos, Ophelia Amorim, Neide Ara\u00fajo, Elizabeth Teixeira e Ant\u00f4nio Dantas.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Portal do Governo do Estado da Para\u00edba<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos torturadores da ditadura militar, que atuava em Campina Grande, trabalha atualmente como promotor no estado do Cear\u00e1. 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