{"id":6296,"date":"2013-08-14T23:25:16","date_gmt":"2013-08-14T23:25:16","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/14\/filhos-de-militares-perseguidos-relatam-sofrimento-dos-pais-durante-a-ditadura\/"},"modified":"2013-08-14T23:25:16","modified_gmt":"2013-08-14T23:25:16","slug":"filhos-de-militares-perseguidos-relatam-sofrimento-dos-pais-durante-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/14\/filhos-de-militares-perseguidos-relatam-sofrimento-dos-pais-durante-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Filhos de militares perseguidos relatam sofrimento dos pais durante a ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A emo\u00e7\u00e3o marcou os depoimentos de tr\u00eas filhos de militares nas comiss\u00f5es Nacional e Estadual da Verdade, nesta segunda-feira, no Audit\u00f3rio da Caixa de Assist\u00eancia dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro (Caarj), no pr\u00e9dio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no centro da capital fluminense. Os pais deles sofreram persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e tortura no per\u00edodo de ditadura militar (1964-1985). Segundo os tr\u00eas, a press\u00e3o foi estendida \u00e0s fam\u00edlias.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6295\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/iframe.jpg\" border=\"0\" width=\"195\" height=\"146\" \/><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Desaparecidos da ditadura<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O Terra apresenta as hist\u00f3rias de 15 dentre centenas de brasileiros cujos destinos seguem enevoados em tempos de democracia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ainda em comum, eles contaram hist\u00f3rias de medo. Pedro Luiz Moreira Lima, filho do brigadeiro Rui Moreira Lima, disse que faz parte da &#8220;gera\u00e7\u00e3o do medo&#8221;. Ele relatou que chegou a ser sequestrado para que o pai fosse preso. O brigadeiro foi perseguido por ter se negado a participar do golpe militar de 1964. &#8220;\u00c9 uma dor profunda. A gente se emociona porque \u00e9 a nossa hist\u00f3ria&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O medo de Cl\u00e1udia Gerpe Duarte era tanto que costumava at\u00e9 trocar as capas de livros. &#8220;Me lembro que um deles era de N\u00e9lson Werneck Sodr\u00e9 (militar que teve os direitos pol\u00edticos cassados durante a ditadura), eu arrancava a capa e encapava de marrom, porque tinha medo que entrassem na minha casa e encontrassem o livro&#8221;, disse a filha do major-brigadeiro Fausto da Silveira Gerpe.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia declarou que o pai comandava a Base A\u00e9rea de Bel\u00e9m, no Par\u00e1, quando recebeu ordens da Aeron\u00e1utica para prender Jo\u00e3o Goulart, que ocupava o cargo de vice-presidente da Rep\u00fablica no governo do presidente J\u00e2nio Quadros. Segundo Cl\u00e1udia, na \u00e9poca havia informa\u00e7\u00f5es de que Jo\u00e3o Goulart, que estava fora do Pa\u00eds quando J\u00e2nio renunciou, pousaria em Bel\u00e9m retornando do exterior para ocupar o cargo vago com a ren\u00fancia .<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Papai respondeu que caso o vice-presidente fosse para l\u00e1 (base), seria recebido com honras de Presidente da Rep\u00fablica, porque, de acordo com a nossa Constitui\u00e7\u00e3o, ele era o presidente. O Ex\u00e9rcito come\u00e7ou a marchar contra a base a\u00e9rea, bem como a Marinha. Papai, sentindo que poderia ocorrer uma carnificina, decidiu se render com as seguintes condi\u00e7\u00f5es: ficaria preso no quartel-general do Ex\u00e9rcito e n\u00e3o no da Aeron\u00e1utica. Junto comigo e a minha m\u00e3e, embarcar\u00edamos no dia seguinte, pela manh\u00e3, para o Rio de Janeiro com todos os nossos pertences&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, as condi\u00e7\u00f5es foram aceitas e, depois de passar a noite no quartel-general do Ex\u00e9rcito, os tr\u00eas embarcaram para o Rio. O pai ficou preso no Forte do Leme, zona sul do Rio. &#8220;Me lembro de ter ido visit\u00e1-lo v\u00e1rias vezes. Papai foi preso porque queria cumprir o que determina a nossa Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Carlos Augusto da Costa, filho do coronel Dagoberto Rodrigues, que dirigia o Departamento de Correios e Tel\u00e9grafos no governo Jo\u00e3o Goulart, tamb\u00e9m dep\u00f4s e lembrou que uma das vezes em que esteve preso foi levado junto com a irm\u00e3 ao quartel da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, na Tijuca, zona norte do Rio. &#8220;A nossa casa foi invadida por agentes do DOI-Codi (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna). Nunca podia imaginar que ia acordar com um rev\u00f3lver (calibre)\u00a038 na minha cabe\u00e7a. Fomos levados encapuzados para o quartel da Bar\u00e3o de Mesquita. Perguntaram o que est\u00e1vamos fazendo no Brasil&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com ele, depois disso, a fam\u00edlia teve que se mudar para o Uruguai e, ao fazer uma viagem para o Brasil, foi mais uma vez preso. &#8220;Eu n\u00e3o era participante de grupo armado e inventaram que, vindo do Uruguai, eu estava trazendo armas.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas o medo tamb\u00e9m serviu para dar for\u00e7a. Carlos disse que alguns filhos das fam\u00edlias perseguidas passaram a lutar e resistir contra a ditadura. &#8220;N\u00f3s \u00e9ramos perseguidos, mas o medo se transformou numa forma contr\u00e1ria. Uma gera\u00e7\u00e3o de luta. N\u00f3s todos lutamos&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Pedro Luiz Moreira fez quest\u00e3o de lembrar a participa\u00e7\u00e3o das mulheres durante a ditadura. &#8220;A minha m\u00e3e, a m\u00e3e da Claudinha Gerpe e tantas outras sustentaram a dor dos maridos e dos filhos. O medo dos filhos reagirem em uma luta armada. Essas mulheres foram hero\u00ednas. Todas elas foram fant\u00e1sticas porque tiveram que segurar a onda dos maridos e dos filhos&#8221;, destacou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na avalia\u00e7\u00e3o de Carlos Augusto, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade \u00e9 uma oportunidade de mostrar uma parte da hist\u00f3ria do Pa\u00eds. &#8220;As gera\u00e7\u00f5es merecem saber o que aconteceu. No ex\u00edlio, a gente conseguia lutar, mas aqui no Brasil s\u00f3 de abrir o olho era um perigo. \u00c9 bom poder ter voz novamente&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para Cl\u00e1udia Gerpe, a comiss\u00e3o representa um avan\u00e7o no Pa\u00eds. &#8220;Tem que continuar da melhor maneira poss\u00edvel. Tem que abrir e continuar sempre&#8221;, defendeu.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com Pedro Luiz, a comiss\u00e3o \u00e9 um meio de liberdade. &#8220;Pela primeira vez na hist\u00f3ria n\u00f3s n\u00e3o estamos apavorados. Pela primeira vez eu estou podendo falar. Estou com 63 anos. A gente n\u00e3o falava. Tinha sempre de tomar cuidado, calar a boca&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A emo\u00e7\u00e3o marcou os depoimentos de tr\u00eas filhos de militares nas comiss\u00f5es Nacional e Estadual da Verdade, nesta segunda-feira, no Audit\u00f3rio da Caixa de Assist\u00eancia dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro (Caarj), no pr\u00e9dio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no centro da capital fluminense. 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