{"id":6301,"date":"2013-08-14T23:52:51","date_gmt":"2013-08-14T23:52:51","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/14\/perseguidos-militares-revelam-dificuldades-por-emprego-na-ditadura\/"},"modified":"2013-08-14T23:52:51","modified_gmt":"2013-08-14T23:52:51","slug":"perseguidos-militares-revelam-dificuldades-por-emprego-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/14\/perseguidos-militares-revelam-dificuldades-por-emprego-na-ditadura\/","title":{"rendered":"Perseguidos, militares revelam dificuldades por emprego na ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Dois militares que foram perseguidos pela ditadura e participaram de associa\u00e7\u00f5es que lutaram pela anistia prestaram depoimento na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira\u00a0para a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) e para a Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio de Janeiro. Ambos s\u00e3o membros da Unidade de Mobiliza\u00e7\u00e3o Pela Anistia (UNMA) e tamb\u00e9m contaram como foi a persegui\u00e7\u00e3o fora dos quart\u00e9is, com dificuldades para conseguir emprego.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O primeiro a depor foi Joaquim Aur\u00e9lio de Oliveira, que estava prestes a ser promovido cabo da Marinha, e foi preso por participar de uma assembleia permanente no pr\u00e9dio do Sindicato dos Metal\u00fargicos, contra a pris\u00e3o de membros da associa\u00e7\u00e3o dos marinheiros. &#8220;A Marinha considerou motim e fomos julgados e condenados.&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Joaquim chegou a ser mantido no Complexo Penitenci\u00e1rio de Bangu, com presos de alta periculosidade. Ele passou cerca de sete meses na pris\u00e3o comum at\u00e9 ser enviado ao pres\u00eddio de Ilha Grande, onde ficavam os presos pol\u00edticos. No total, foram dois anos e 27 dias de c\u00e1rcere, per\u00edodo em que relatou ter testemunhado assassinatos e quase ter morrido em uma greve de fome de 16 dias para ser transferido para o &#8220;continente&#8221;, onde teria mais acesso \u00e0 fam\u00edlia, que s\u00f3 o visitou uma vez.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao sair, no entanto, contou que a persegui\u00e7\u00e3o continuou, pois n\u00e3o conseguia emprego em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, como a Petrobras e a subsidi\u00e1ria Petroflex, apesar de ter sido aprovado em concurso para ambas, por sua forma\u00e7\u00e3o de eletricista. Joaquim s\u00f3 foi reintegrado \u00e0 Marinha em 1991, por uma decis\u00e3o judicial e hoje \u00e9 suboficial da reserva.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O segundo a depor foi Wanderlei Rodrigues da Silva, presidente da UNMA, que foi expulso da Marinha e n\u00e3o chegou a ser preso, mas teve as mesmas dificuldades para conseguir emprego. &#8220;Quando eu sa\u00ed da Marinha, n\u00e3o tinha onde morar. Tive que ser alojado na casa da irm\u00e3 de um amigo, no M\u00e9ier, e, para buscar trabalho, tinha que ir andando at\u00e9 o Centro, porque n\u00e3o tinha como pagar a condu\u00e7\u00e3o&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Voc\u00ea era cortado e diziam que voc\u00ea era subversivo e n\u00e3o tinha capacidade de viver em grupo. Alguns colegas se suicidaram por n\u00e3o resistirem a isso&#8221;, contou Wanderlei.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quando conseguiu trabalho, na multinacional Olivetti, na qual se aposentou, Wanderlei quase perdeu oito meses, depois que come\u00e7ou a trabalhar. Uma carta da Marinha foi enviada ao escrit\u00f3rio, com uma recomenda\u00e7\u00e3o de que todos os ex-marinheiros expulsos da for\u00e7a n\u00e3o poderiam ser demitidos. Por engano, a carta chegou a ele pr\u00f3prio: &#8220;Recomenda\u00e7\u00e3o da Marinha naquela \u00e9poca era ordem. Rasguei a carta e queimei. Por isso consegui trabalhar l\u00e1 por 27 anos e me aposentei. Depois de me aposentar, me juntei \u00e0 UNMA na luta para garantir os direitos dos anistiados pol\u00edticos, porque ainda n\u00e3o foi conclu\u00edda a nossa anistia&#8221;, observou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois militares que foram perseguidos pela ditadura e participaram de associa\u00e7\u00f5es que lutaram pela anistia prestaram depoimento na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira\u00a0para a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) e para a Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio de Janeiro. 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