{"id":6331,"date":"2013-08-26T13:00:42","date_gmt":"2013-08-26T13:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/26\/ministerio-do-exercito-abrigou-tortura-na-ditadura-diz-ex-aluno-da-unb\/"},"modified":"2013-08-26T13:00:42","modified_gmt":"2013-08-26T13:00:42","slug":"ministerio-do-exercito-abrigou-tortura-na-ditadura-diz-ex-aluno-da-unb","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/26\/ministerio-do-exercito-abrigou-tortura-na-ditadura-diz-ex-aluno-da-unb\/","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito abrigou tortura na ditadura, diz ex-aluno da UnB"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Distante pouco mais de 500 metros do Pal\u00e1cio do Planalto, o Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito foi utilizado como centro de deten\u00e7\u00e3o e de tortura durante a ditadura militar. A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 do ex-aluno da Universidade de Bras\u00edlia (UnB)\u00a0H\u00e9lio Doyle, que prestou depoimento nesta sexta-feira \u00e0 Comiss\u00e3o da Mem\u00f3ria e Verdade da UnB, com o tamb\u00e9m ex-aluno \u00c1lvaro Lins. Ambos participaram do movimento estudantil nos anos 1960 e 1970.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fui preso duas vezes e levado para a Pol\u00edcia Federal e de l\u00e1 encaminhado ao Setor Militar Urbano (SMU) onde funcionava o Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI-Codi). Em outra pris\u00e3o fui levado para o Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito e me colocaram em uma sala com isolamento ac\u00fastico. Eles tinham me levado com outros militantes. O erro foi que eles n\u00e3o nos encapuzaram e eu pude saber exatamente onde eu estava. Um sintoma de que o lugar era usado para interrogar e torturar os militantes pol\u00edticos \u00e9 que voc\u00ea tinha ali salas com isolamento&#8221;, disse Doyle, formado em jornalismo pela UnB e que integrava a Ala Vermelha, dissid\u00eancia do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Doyle, que tamb\u00e9m integra a Comiss\u00e3o da Verdade dos Jornalistas do Distrito Federal, relatou que os minist\u00e9rios do Ex\u00e9rcito e da Marinha foram identificados como centro de deten\u00e7\u00e3o por outros colegas de profiss\u00e3o que tamb\u00e9m foram presos e que ouvidos pela comiss\u00e3o. &#8220;N\u00f3s colhemos depoimentos de tr\u00eas jornalistas que tamb\u00e9m disseram que foram levados para a Esplanada e que ficaram na garagem do Minist\u00e9rio da Marinha&#8221;, disse. Um deles, Rom\u00e1rio Schetino j\u00e1 foi ouvido pela comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00c1lvaro Lins contou \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade que sofreu persegui\u00e7\u00e3o da reitoria por sua milit\u00e2ncia no movimento estudantil, especialmente do ex-reitor da UnB, Jos\u00e9 Carlos de Almeida Azevedo. Reconhecido como lideran\u00e7a estudantil, \u00c1lvaro, foi preso duas vezes entre 1968 &#8211; ano em que entrou na universidade para fazer o curso de F\u00edsica &#8211; e 1969, quando foi jubilado. &#8220;O Azevedo, reitor da \u00e9poca, for\u00e7ou meu jubilamento. Eu estava preso quando houve a prova de recupera\u00e7\u00e3o e o Azevedo n\u00e3o aceitou essa justificativa para que eu fizesse a prova em outro momento&#8221;, diz. \u00c1lvaro n\u00e3o concluiu o curso de gradua\u00e7\u00e3o. Azevedo, que tamb\u00e9m era Capit\u00e3o de Mar e Guerra da Marinha, foi respons\u00e1vel pela exclus\u00e3o de 56 estudantes da Universidade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Com o AI-5 (Ato Institucional n\u00ba 5)\u00a0e ap\u00f3s a segunda pris\u00e3o, tinha tr\u00eas possibilidades, abandonar a pol\u00edtica, ir para o exterior e a clandestinidade. Pouco tempo depois sa\u00ed de casa e entrei para a clandestinidade com o nome de Paulo Rodrigues Sampaio, passei dois anos em S\u00e3o Paulo e depois fui para o Rio de Janeiro com outro nome. Trabalhei em f\u00e1bricas como oper\u00e1rio para articular o movimento sindical. Permaneci na clandestinidade at\u00e9 1980&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.terra.com.br\/noticias\/infograficos\/desaparecidos-da-ditadura\/\" style=\"line-height: 1.3em;\">Desaparecidos da ditadura<\/a><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O Terra apresenta as hist\u00f3rias de 15 dentre centenas de brasileiros cujos destinos seguem enevoados em tempos de democracia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6295\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/iframe.jpg\" border=\"0\" width=\"195\" height=\"146\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os ex-alunos tamb\u00e9m falaram sobre epis\u00f3dios como a pris\u00e3o de um policial infiltrado entre os alunos da UnB e a conviv\u00eancia com Honestino Guimar\u00e3es, lideran\u00e7a estudantil e ex-presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE). Em 1968, os alunos protestavam contra a morte do estudante secundarista Edson Luis de Lima Souto, assassinado por policiais militares no Rio de Janeiro. Durante os protestos, os estudantes prenderam Edrovando Guimar\u00e3es Gutierres, policial infiltrado, que recebeu o apelido de Pera Dourada. A pol\u00edcia cercou\u00a0a UnB exigindo a liberta\u00e7\u00e3o de Pera Dourada. Os estudantes propuseram trocar o espi\u00e3o pelos colegas presos. O policial foi devolvido e os universit\u00e1rios libertados em frente \u00e0 reitoria.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s esse epis\u00f3dio, o Ex\u00e9rcito invadiu a UnB para prender oito estudantes. Somente Honestino Guimar\u00e3es foi preso, permanecendo na cadeia at\u00e9 novembro. Em setembro, o Conselho Diretor da UnB o expulsou\u00a0da universidade. Ele entrou para a clandestinidade e desapareceu, ap\u00f3s ter sido preso em 1973.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Honestino era uma grande refer\u00eancia para a gente, depois que ele entrou para a clandestinidade ainda nos encontramos algumas vezes, mas depois perdi o seu rastro&#8221;, disse Lins. Em 1996, ap\u00f3s 23 anos do seu desaparecimento, o governo reconheceu oficialmente que Honestino era, de fato, um dos mortos da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Distante pouco mais de 500 metros do Pal\u00e1cio do Planalto, o Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito foi utilizado como centro de deten\u00e7\u00e3o e de tortura durante a ditadura militar. 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