{"id":6349,"date":"2013-08-29T01:33:49","date_gmt":"2013-08-29T01:33:49","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/29\/e-dificil-solucionar-desaparecimentos-diz-novo-coordenador-da-comissao-da-verdade\/"},"modified":"2013-08-29T01:33:49","modified_gmt":"2013-08-29T01:33:49","slug":"e-dificil-solucionar-desaparecimentos-diz-novo-coordenador-da-comissao-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/08\/29\/e-dificil-solucionar-desaparecimentos-diz-novo-coordenador-da-comissao-da-verdade\/","title":{"rendered":"&#8216;\u00c9 dif\u00edcil&#8217; solucionar desaparecimentos, diz novo coordenador da Comiss\u00e3o da Verdade"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>O novo coordenador da CNV (Comiss\u00e3o Nacional da Verdade), advogado e ex-ministro da Justi\u00e7a Jos\u00e9 Carlos Dias reconheceu na tarde desta ter\u00e7a-feira (27), em entrevista coletiva \u00e0 imprensa em Bras\u00edlia, que \u00e9 \u201cmuito dif\u00edcil\u201d para o grupo encerrar seus trabalhos at\u00e9 o ano que vem com as respostas sobre as principais viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos na \u00e9poca da ditadura militar (1964-1985), como identificar os autores dos assassinatos e localizar os restos mortais dos desaparecidos pol\u00edticos no per\u00edodo.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dias foi escolhido na segunda (26) pelos outros quatro conselheiros na CNV como o novo coordenador, cargo que vem sendo ocupado em forma de rod\u00edzio entre os conselheiros. A lei que criou a comiss\u00e3o, em novembro de 2011, diz que ela tem \u201ca finalidade de examinar e esclarecer as graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos praticadas no per\u00edodo fixado\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O prazo previsto para a CNV concluir seus trabalhos \u00e9 maio de 2014, mas dever\u00e1 ser dilatado para novembro do mesmo ano.<br \/> Indagado sobre as chances de a CNV apontar, por exemplo, o destino das ossadas dos guerrilheiros do Araguaia e das dezenas de desaparecidos durante a ditadura, al\u00e9m de elucidar casos como o atentado no Riocentro, em 1981, o coordenador admitiu: \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil. Muito dif\u00edcil porque se passaram 40 anos. Um n\u00famero muito grande de agentes da repress\u00e3o est\u00e1 morrendo. Ainda hoje n\u00f3s fal\u00e1vamos de uma pessoa que estamos querendo ouvir e est\u00e1 com 90 anos. Isso tudo dificulta\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dias afirmou, por\u00e9m, que \u201cmuita coisa j\u00e1 foi levantada\u201d por outros grupos de recupera\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. \u201cO trabalho que a comiss\u00e3o de mortos e desaparecidos realizou \u00e9 extraordin\u00e1rio e se encontra num livro important\u00edssimo que \u00e9 o nosso brevi\u00e1rio. Todos os nossos trabalhos n\u00f3s tomamos como refer\u00eancia esse livro. E o livro feito pelas fam\u00edlias de mortos e desaparecidos. S\u00e3o dois volumes importantes. A Comiss\u00e3o de Anistia tamb\u00e9m realizou um trabalho extraordin\u00e1rio. N\u00f3s estamos trabalhando em cima disso, n\u00e3o estamos criando uma novidade\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, Dias afirmou que a CNV tem se empenhado em \u201cdesenvolver novos campos e estamos conseguindo novas conquistas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma das apostas da comiss\u00e3o \u00e9 um banco de dados formado at\u00e9 aqui por c\u00f3pias de 584,549 mil documentos produzidos no per\u00edodo e arquivados em diferentes \u00f3rg\u00e3os do Estado, como o Arquivo Nacional de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O trabalho \u00e9 coordenado pela consultora da CNV e cientista pol\u00edtica Glenda Mezarobba, em parceria com o professor do IME (Instituto de Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica) da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) Roberto Marcondes Cesar Junior.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A esperan\u00e7a da CNV \u00e9 que o sistema ajude a identificar, na pr\u00f3pria massa de documentos que v\u00eam sendo coletados desde o in\u00edcio da comiss\u00e3o, ind\u00edcios sobre o paradeiro de desaparecidos e principais agentes envolvidos no crime.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Carlos Dias afirmou que a CNV pretende ouvir nos pr\u00f3ximos meses um total de 348 agentes da repress\u00e3o ou pessoas que de alguma forma colaboraram com a repress\u00e3o. Alguns dever\u00e3o ser convidados, outros poder\u00e3o ser convocados, e sua presen\u00e7a na CNV garantida com apoio de agentes da Pol\u00edcia Federal. Os membros da CNV mantiveram reuni\u00e3o com a dire\u00e7\u00e3o-geral da Pol\u00edcia Federal para pedir apoio nesse sentido.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Indagado sobre o grau de colabora\u00e7\u00f5es dos comandos das For\u00e7as (Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica) na localiza\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o dos agentes militares da repress\u00e3o, Dias afirmou que o apoio \u201cvaria\u201d de caso a caso.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c0s vezes sim, \u00e0s vezes n\u00e3o. N\u00f3s estamos mantendo o di\u00e1logo. E esse di\u00e1logo alcan\u00e7a qual objetivo? Demonstrar que o golpe de 1964 n\u00e3o foi o golpe militar, mas civil e militar, e que portanto a responsabilidade pela ditadura n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos militares, mas tamb\u00e9m da sociedade, dos civis que sustentaram a luta para a derrubada do governo, da democracia. E a\u00ed houve participa\u00e7\u00e3o sim dos civis, de empres\u00e1rios, de v\u00e1rias for\u00e7as sociais, indiscutivelmente. Portanto o que queremos mostrar e sensibilizar \u00e9 que os militares de hoje n\u00e3o podem ser responsabilizados por aquilo que foi feito pelos seus antecessores e portanto eles devem colaborar e eu acho que isso vai se conseguindo conquistar a cren\u00e7a de que \u00e9 a hora de passar a hist\u00f3ria a limpo. E que portanto n\u00e3o cabe o esp\u00edrito de corpora\u00e7\u00e3o de defender aqueles que praticaram as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos daquela \u00e9poca\u201d, disse Dias.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Folha indagou quando os comandos das For\u00e7as colaboram e quando n\u00e3o colaboram, mas o coordenador desconversou: \u201cCaso a caso, \u00e9 dif\u00edcil, eu n\u00e3o seria honesto de dizer que h\u00e1 uma colabora\u00e7\u00e3o total e eu tamb\u00e9m n\u00e3o seria honesto de dizer que n\u00e3o h\u00e1 colabora\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 havendo o di\u00e1logo, est\u00e3o colaborando em muitos casos para a elucida\u00e7\u00e3o de fatos e temos aqui assessores que est\u00e3o mantendo esse tipo de trabalho, em contato com altas esferas militares\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O novo coordenador tamb\u00e9m comentou recentes rusgas entre membros da CNV. Ele disse que n\u00e3o h\u00e1 desaven\u00e7as, mas \u201ctemperamentos diferentes\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sobre eventual revis\u00e3o da Lei de Anistia, o que \u00e9 defendido por parte dos conselheiros, Dias disse que \u00e9 contr\u00e1rio, mas que a comiss\u00e3o tomar\u00e1 uma decis\u00e3o \u00fanica, \u201cno momento oportuno\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o temos que entrar nesse debate, nessa discuss\u00e3o. Temos, isso sim, que reescrever a hist\u00f3ria e dizer \u2018olha, fatos ocorreram dessa forma\u2019. N\u00e3o temos que ter como bandeira revoga\u00e7\u00e3o ou reinterpreta\u00e7\u00e3o da lei da anistia. N\u00e3o, \u00e9 dar um basta para o que aconteceu, reescrever a hist\u00f3ria e daqui para frente podermos garantir que n\u00f3s nunca mais teremos necessidade de anistia porque n\u00e3o teremos mais ditadura, \u00e9 o que se espera\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Boainforma\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo coordenador da CNV (Comiss\u00e3o Nacional da Verdade), advogado e ex-ministro da Justi\u00e7a Jos\u00e9 Carlos Dias reconheceu na tarde desta ter\u00e7a-feira (27), em entrevista coletiva \u00e0 imprensa em Bras\u00edlia, que \u00e9 \u201cmuito dif\u00edcil\u201d para o grupo encerrar seus trabalhos at\u00e9 o ano que vem com as respostas sobre as principais viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6349"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6349\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}