{"id":64,"date":"2012-05-07T17:05:31","date_gmt":"2012-05-07T17:05:31","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/07\/em-frente-ao-dops-pela-comissao-nacional-da-verdade\/"},"modified":"2012-05-07T17:05:31","modified_gmt":"2012-05-07T17:05:31","slug":"em-frente-ao-dops-pela-comissao-nacional-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/07\/em-frente-ao-dops-pela-comissao-nacional-da-verdade\/","title":{"rendered":"Em frente ao DOPS, pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dos cerca de 100 manifestantes que participaram de um ato em frente ao pr\u00e9dio do antigo Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS), do Rio de Janeiro, 70% eram de pessoas que n\u00e3o eram nascidas durante a ditadura. \u201cA juventude est\u00e1 na rua. E continuar\u00e1 na rua porque entendeu que a luta por mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma luta do passado\u201d, disse Eduardo Beniacar, estudante de ci\u00eancias sociais da Universidade Federal Fluminense.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-62\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/136x101-images-2012-05-dops1.jpg\" border=\"0\" width=\"136\" height=\"101\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Militantes dos direitos humanos participaram nesta quinta-feira (3), em frente ao pr\u00e9dio do antigo Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) do Rio de Janeiro, no Centro da cidade, do protesto pela Mem\u00f3ria, Justi\u00e7a e Verdade. A manifesta\u00e7\u00e3o fez parte da Semana Nacional pela Mem\u00f3ria e Justi\u00e7a, que contou com atos de protesto em diferentes estados, e pediu a imediata instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, criada para apurar viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos ocorridas no pa\u00eds entre 1946 e 1988 e sancionada pelo governo federal em novembro de 2011.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dos cerca de 100 manifestantes, 70% eram de pessoas que n\u00e3o eram nascidas durante a ditadura militar. \u201cA juventude est\u00e1 na rua. E continuar\u00e1 na rua porque entendeu que a luta por mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma luta do passado. Hoje ainda se mata, e muito, os jovens desse pa\u00eds, principalmente os pobres e negros\u201d, disse Eduardo Beniacar, estudante de ci\u00eancias sociais da Universidade Federal Fluminense, antes de juntar-se a outros grupos de jovens que faziam panela\u00e7os e enquetes teatrais mostrando repress\u00e3o e tortura na esquina da rua dos Inv\u00e1lidos e da rua da Rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-63\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/136x101-images-2012-05-dops2.jpg\" border=\"0\" width=\"136\" height=\"101\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Se a performance dos jovens chamava a aten\u00e7\u00e3o dos populares que passavam pelo local durante a hora de almo\u00e7o, tamb\u00e9m revelava que o tema ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou a opini\u00e3o p\u00fablica. Em uma r\u00e1pida enquete, nove entre dez transeuntes consultados pela Carta Maior disseram que n\u00e3o sabiam do que se tratava a Comiss\u00e3o da Verdade. A exce\u00e7\u00e3o foi Jefferson da Silva, de 26 anos. \u201c\u00c9 legal relembrar os torturados e pedir por justi\u00e7a. Eu apoio, com certeza sou a favor da Comiss\u00e3o da Verdade. N\u00e3o pode deixar impune, tem que saber o que aconteceu\u201d, disse o ajudante de guindaste das obras ao lado do antigo pr\u00e9dio da Pol\u00edcia Central da ent\u00e3o capital federal.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O local foi escolhido para o protesto por representar os desmandos passados e atuais do pa\u00eds. Integrante do Coletivo Mem\u00f3ria e Justi\u00e7a, Ana Miranda lembrou que o pr\u00e9dio abriga a pol\u00edcia desde 1915, e foi palco de viola\u00e7\u00f5es humanas seja durante o Estado Novo de Get\u00falio Vargas, quando abrigou presos como Luiz Carlos Prestes e Olga Ben\u00e1rio, que saiu da famigerada cela das mulheres apenas para ser entregue ao governo de Hitler, seja durante a ditadura militar de 1964-85.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mais recentemente, durante o governo estadual de Anthony Garotinho, entre 1998 e 2002, com direito a cerim\u00f4nia oficial, o pr\u00e9dio foi cedido ao Arquivo P\u00fablico para abrigar os documentos do DOPS e um centro de mem\u00f3ria e refer\u00eancia da hist\u00f3ria do Brasil, como j\u00e1 ocorre em estados como S\u00e3o Paulo. No entanto, hoje est\u00e1 em obras apenas para ser transformado em museu da pol\u00edcia civil. \u201c\u00c9 uma luta antiga da gente que est\u00e1 nas m\u00e3os da pol\u00edcia e \u00e9 muito dif\u00edcil eles cederem. Mas politicamente seria muito importante. N\u00e3o haveria lugar melhor no Rio para fazer funcionar uma comiss\u00e3o estadual da verdade do que naquele pr\u00e9dio\u201d, afirmou Ana Miranda, fazendo refer\u00eancia ao projeto de se instalar uma comiss\u00e3o da verdade tamb\u00e9m no \u00e2mbito estadual fluminense.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Corte Interamericana<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Al\u00e9m da instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade, representantes de movimentos da sociedade civil, entidades estudantis e partidos pol\u00edticos tamb\u00e9m pediram a abertura de todos os arquivos da ditadura militar, o resgate da mem\u00f3ria das lutas populares, a puni\u00e7\u00e3o para todos os torturadores e o cumprimento integral da senten\u00e7a da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que em dezembro de 2010 condenou o Estado brasileiro por abusos durante a ditadura militar de 1964-85 e declarou sem efeitos jur\u00eddicos a lei da Anistia. A lei foi promulgada pelos militares em 1979 e, teoricamente, impede a investiga\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o dos agentes do estado sob o argumento de que a anistia foi geral, tanto para perseguidos como para perseguidores.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Presente ao protesto, Vit\u00f3ria Grabois, que \u00e9 filha de Maur\u00edcio, irm\u00e3 de Andr\u00e9 e ex-mulher de Gilberto, os tr\u00eas desaparecidos na guerrilha do Araguaia, lembrou o hist\u00f3rico da a\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 condena\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro pela corte internacional. \u201cA luta come\u00e7ou com os comit\u00eas brasileiros pela anistia. Em 1982, 22 familiares de desaparecidos entraram com a\u00e7\u00e3o na 1\u00aa vara da Justi\u00e7a Federal de Bras\u00edlia pedindo Atestado de \u00d3bito, localiza\u00e7\u00e3o e circunst\u00e2ncias das mortes de seus familiares. Essa a\u00e7\u00e3o durou cerca de 16 anos e foi arquivada, s\u00f3 sendo desarquivada em 2003 e julgada em 2007. Enquanto nada acontecia, em 1995 n\u00f3s entramos na Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, a\u00ed j\u00e1 com o grupo Tortura Nunca Mais e a Comiss\u00e3o de Familiares, Mortos e Desaparecidos de S\u00e3o Paulo. Tamb\u00e9m no sistema interamericano demorou 13 anos, somente em 2008 foi encaminhado para a corte. A\u00ed a corte foi \u00e1gil, em dezembro de 2010 proferiu a senten\u00e7a condenando o Estado brasileiro\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Rede Democr\u00e1tica<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos cerca de 100 manifestantes que participaram de um ato em frente ao pr\u00e9dio do antigo Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS), do Rio de Janeiro, 70% eram de pessoas que n\u00e3o eram nascidas durante a ditadura. \u201cA juventude est\u00e1 na rua. E continuar\u00e1 na rua porque entendeu que a luta por mem\u00f3ria, verdade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":62,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}