{"id":6434,"date":"2013-09-10T09:44:30","date_gmt":"2013-09-10T09:44:30","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/09\/10\/exilados-politicos\/"},"modified":"2013-09-10T09:44:30","modified_gmt":"2013-09-10T09:44:30","slug":"exilados-politicos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/09\/10\/exilados-politicos\/","title":{"rendered":"Exilados Pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>O bem que faz o fator humano: Eduardo Saboia, no caso da Bol\u00edvia, junta seu nome ao de admir\u00e1veis diplomatas que puseram sua vida e carreira em risco para seguir a consci\u00eancia  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6432\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/aracy-moebius.jpg\" border=\"0\" width=\"700\" height=\"1300\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">EM HAMBURGO Aracy, mulher de Guimar\u00e3es Rosa, auxiliou judeus a fugir da Alemanha nazista (Foto: Acervo fam\u00edlia Tess)<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Reportagem de\u00a0\u00a0Nathalia Watkins, publicada em edi\u00e7\u00e3o impressa deVEJA<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O BEM QUE FAZ O FATOR HUMANO<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Eduardo Saboia junta seu nome ao de admir\u00e1veis diplomatas que puseram sua vida e carreira em risco, desobedecendo ao governo para seguir o que sua consci\u00eancia ditava<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u201cUm diplomata \u00e9 um sonhador e eu jamais poderia, por isso, ser um pol\u00edtico que vai praticando atos irracionais. Talvez eu seja um pol\u00edtico, mas desses que s\u00f3 jogam xadrez quando podem faz\u00ea-lo a favor do homem. O pol\u00edtico pensa em minutos. Eu penso na ressurrei\u00e7\u00e3o do homem\u201d, disse Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa, o autor de Grande Sert\u00e3o: Veredas, livro que a presidente Dilma Rousseff est\u00e1 sempre relendo e cujas passagens mais marcantes ela sabe de cor.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Rosa, morto em 1967, serviu como c\u00f4nsul adjunto do Brasil em Hamburgo de 1938 a 1942, o auge do poder nazista na Alemanha. A experi\u00eancia nesse per\u00edodo deu-lhe a medida exata da miss\u00e3o humanit\u00e1ria da diplomacia.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O escritor e a chefe da se\u00e7\u00e3o de passaportes do consulado, Aracy Moebius de Carvalho, com quem se casaria, contrariaram o governo brasileiro e ajudaram incont\u00e1veis fam\u00edlias de judeus a escapar da morte nos campos de concentra\u00e7\u00e3o de Adolf Hitler. Aracy morreu em 2011, aos 102 anos, deixando uma li\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia que faz dela talvez a brasileira universalmente mais respeitada e admirada.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Aracy desafiava a obrigatoriedade de marcar com \u201cJ\u201d os passaportes dos judeus. Ela ludibriava o c\u00f4nsul juntando as autoriza\u00e7\u00f5es de visto com o resto da papelada que o c\u00f4nsul deveria assinar.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Guimar\u00e3es Rosa tomou conhecimento do esquema e a apoiou. Abrigou judeus em sua casa, transportou outros para pa\u00edses vizinhos escondidos no carro consular e cuidou de seus pertences, que, de outra forma, seriam confiscados pelos nazistas. Aracy e Guimar\u00e3es Rosa foram investigados pelas autoridades do Brasil e da Alemanha.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O governo Get\u00falio Vargas tinha simpatia pelo fascismo e era antissemita. A m\u00e1quina diplom\u00e1tica seguia \u00e0 risca os desejos do dono do poder na era Vargas. Em junho de 1937 o Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores emitiu uma resolu\u00e7\u00e3o secreta que restringia a entrada de \u201csemitas\u201d no pa\u00eds. Essa aberra\u00e7\u00e3o s\u00f3 teria fim em 1942, quando o governo brasileiro, finalmente, entendeu a monstruosidade do nazismo e aliou-se aos Estados Unidos, \u00e0 Inglaterra e \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica contra Hitler.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o existe nada de anormal em um Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores alinhar-se ao n\u00facleo do governo e sua ideologia. A pol\u00edtica externa \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica interna. Isso n\u00e3o \u00e9 uma deforma\u00e7\u00e3o brasileira. \u00c9 universal. Nos Estados Unidos, as rela\u00e7\u00f5es exteriores s\u00e3o conduzidas pelo Departamento de Estado. O nome diz tudo sobre a necessidade de alinhamento autom\u00e1tico e disciplinado da diplomacia com o poder central.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O extraordin\u00e1rio na diplomacia e em qualquer estrutura burocr\u00e1tica \u00e9 a coragem individual de se insurgir contra a institui\u00e7\u00e3o quando ela est\u00e1 claramente equivocada.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6433\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/italo-zappa-305x440.jpg\" border=\"0\" width=\"305\" height=\"440\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\"><strong>MO\u00c7AMBIQUE <\/strong>&#8212; O embaixador Italo Zappa ajudou exilados a obter documentos apesar da proibi\u00e7\u00e3o da ditadura militar brasileira (Foto: Marcos santilli)<\/address>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Em momentos mais duros da ditadura militar, que durou de 1964 a 1985, o Itamaraty foi orientado a n\u00e3o prestar nenhum tipo de ajuda ou servi\u00e7o a brasileiros inimigos do regime no exterior. Obviamente, era obrigat\u00f3rio no Itamaraty rebater como falsas quaisquer den\u00fancias de tortura praticadas por agentes do governo contra insurgentes no Brasil.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Em um ato de ins\u00f3lita coragem, o diplomata Miguel Darcy de Oliveira, servindo na chancelaria brasileira em Genebra no come\u00e7o dos anos 1970, entregava secretamente documentos comprovando abusos do regime \u00e0 Anistia Internacional e \u00e0 Cruz Vermelha. \u201cEra importante fazer circular aquelas informa\u00e7\u00f5es fora do pa\u00eds, onde havia liberdade de express\u00e3o\u201d, lembra Oliveira.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Descoberto, foi convocado para uma reuni\u00e3o no Brasil. Oliveira foi preso no Pal\u00e1cio do Itamaraty. Passou quarenta dias incomunic\u00e1vel. Ao ser libertado, fugiu para o Chile e depois para a Su\u00ed\u00e7a, onde viveu por dez anos como exilado pol\u00edtico. Diz Oliveira: \u201cN\u00e3o se pode abdicar do direito de pensar com a pr\u00f3pria cabe\u00e7a em situa\u00e7\u00f5es excepcionais\u201d.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Quando o Brasil j\u00e1 sa\u00edra do per\u00edodo mais sombrio da ditadura, nos anos sob comando do general Ernesto Geisel, o embaixador Italo Zappa teve seu grande momento. O governo brasileiro ainda se recusava a conceder documenta\u00e7\u00e3o oficial a exilados pol\u00edticos, mas mesmo assim Zappa emitiu passaportes, oficializou casamentos e registrou filhos dos exilados. Nunca achou nada de mais o que fez e dizia ter apenas respeitado \u201cdireitos constitucionais\u201d.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 vital para a sa\u00fade c\u00edvica das na\u00e7\u00f5es que os Rosa, Oliveira, Zappa e Saboia tenham a iniciativa de contrariar a m\u00e1quina diplom\u00e1tica quando ela, no af\u00e3 de agradar ao poder central, contraria os diretos constitucionais dos brasileiros ou se torna cega aos apelos humanit\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tr\u00eas semanas, <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/radar-on-line\/judiciario\/o-dia-em-que-joaquim-barbosa-foi-reprovado-no-itamaraty\/\">a coluna Radar de VEJA revelou<\/a> que em 1980 Joaquim Barbosa, o atual presidente do Supremo Tribunal Federal, se submeteu a uma prova oral no Instituto Rio Branco, porta de entrada para o Itamaraty. Joaquim tinha ido bem nos exames escritos, mas foi barrado depois da entrevista. O relat\u00f3rio do avaliador explicava que ele tinha uma \u201cautoimagem negativa\u201d e conclu\u00eda que aquela caracter\u00edstica \u201cpoderia parcialmente ter origem na sua condi\u00e7\u00e3o de colored\u201d. O epis\u00f3dio, at\u00e9 pela escolha da express\u00e3o em ingl\u00eas \u201ccolored\u201d, a forma oficial prevalente ent\u00e3o na burocracia americana para definir uma pessoa negra, deixa transparecer que, mesmo veladamente, o Itamaraty era uma reparti\u00e7\u00e3o que escolhia seus membros levando em conta a cor da pele.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Mas s\u00f3 o Itamaraty era racista no Brasil do come\u00e7o dos anos 80? \u00c9 dif\u00edcil afirmar que sim. Os diplomatas apenas incorporaram um preconceito fortemente disseminado na sociedade brasileira e no governo naquele tempo. Isso \u00e9 normal. O extraordin\u00e1rio seria se o avaliador tivesse se rebelado e admitido Joaquim Barbosa nos quadros da diplomacia brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Certamente o nome do avaliador seria conhecido, admirado e estaria ao lado de Saboia, Oliveira, Zappa e Rosa.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bem que faz o fator humano: Eduardo Saboia, no caso da Bol\u00edvia, junta seu nome ao de admir\u00e1veis diplomatas que puseram sua vida e carreira em risco para seguir a consci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6432,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6434"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6434"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6434\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6432"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}