{"id":6438,"date":"2013-09-10T17:48:32","date_gmt":"2013-09-10T17:48:32","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/09\/10\/ditadura-brasileira-era-o-modelo-dos-golpistas-chilenos\/"},"modified":"2013-09-10T17:48:32","modified_gmt":"2013-09-10T17:48:32","slug":"ditadura-brasileira-era-o-modelo-dos-golpistas-chilenos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/09\/10\/ditadura-brasileira-era-o-modelo-dos-golpistas-chilenos\/","title":{"rendered":"Ditadura brasileira era o modelo dos golpistas chilenos"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A historiadora brit\u00e2nica Tania Harmer, da London School of Economics, foi quem descobriu a exist\u00eancia dos pap\u00e9is diplom\u00e1ticos chilenos que descrevem a participa\u00e7\u00e3o do Brasil no golpe de 1973. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a historiadora revela como a ditadura instaurada no Brasil foi usada de modelo pelos chilenos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6437\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/pinochet48443.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O Estado de S\u00e3o Paulo: Al\u00e9m do apoio material do Brasil em 1973, a sra. aponta para o &#8216;exemplo&#8217; brasileiro aos militares chilenos. Como \u00e9 isso?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Tania Harmer: Os golpistas chilenos n\u00e3o queriam criar uma democracia nos moldes dos EUA, mas uma ditadura militar como a instaurada no Brasil em 1964. Eles queriam recriar esse Brasil no Chile para frear a &#8220;amea\u00e7a comunista&#8221; e &#8220;restabelecer a ordem&#8221;. E foi isso o que fizeram.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>E por que Salvador Allende e Cuba subestimaram a amea\u00e7a que a ditadura brasileira representava aos planos da esquerda latino-americana?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Primeiro, os EUA eram o foco principal dos movimentos de esquerda da regi\u00e3o. E havia a cren\u00e7a de que Washington era uma pot\u00eancia imperial, capaz de manipular tudo na Am\u00e9rica Latina, usando seu poder econ\u00f4mico, financeiro e pol\u00edtico. O regime militar que nasceu no Brasil ap\u00f3s o golpe de 1964 passou a ser visto pela esquerda como um fantoche do imperialismo americano. As charges nos jornais cubanos mostravam um ditador brasileiro com fios de marionete sendo manipulado pelo Tio Sam. Mas isso era equivocado, pois os generais brasileiros n\u00e3o estavam sob controle dos EUA, eles iam atr\u00e1s do que consideravam o interesse nacional do Brasil, mesmo se isso entrasse em conflito com os americanos. Foi um erro de interpreta\u00e7\u00e3o fundado na ortodoxia marxista e nunca houve uma compreens\u00e3o mais elaborada sobre as rela\u00e7\u00f5es entre Bras\u00edlia e Washington.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O que tornou a &#8216;quest\u00e3o chilena&#8217; t\u00e3o explosiva?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Parte da import\u00e2ncia que o Chile ganhou tem a ver com o contexto internacional do fim dos anos 1960 e o pavor, em algumas capitais, diante do risco de ver revolu\u00e7\u00f5es se espalharem. Hoje, n\u00e3o entendemos bem isso, pois, no fim, essa amea\u00e7a foi frustrada. Mas, na \u00e9poca, era uma possibilidade real. No in\u00edcio dos anos 1970, o regime militar brasileiro havia se consolidado totalmente, mas havia temores em sua vizinhan\u00e7a: na Bol\u00edvia, de Juan Jos\u00e9 Torres (governo nacionalista de esquerda), no Uruguai, com a guerrilha dos Tupamaros e, depois, no Chile.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O caso chileno era particular?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Sim, era um tipo de revolu\u00e7\u00e3o nova, fora do modelo cubano, um governo marxista democraticamente eleito. Todos os olhos, portanto, estavam voltados para o Chile, n\u00e3o apenas os do Brasil. Estudante brit\u00e2nicos, americanos e mexicanos de esquerda foram ao Chile ver o que estava acontecendo. O pa\u00eds era um centro para a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, era a sede da Cepal e, claro, destino de exilados de v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo o Brasil.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil e EUA atuaram juntos contra Allende?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Digamos que eles trocaram informa\u00e7\u00f5es, mas operaram em caminhos paralelos. Quando M\u00e9dici esteve com Nixon na Casa Branca, em dezembro de 1971, os brasileiros informaram aos americanos o que estavam fazendo contra Allende, abrindo as portas para uma colabora\u00e7\u00e3o futura. Mas havia diferen\u00e7as: em uma l\u00f3gica de equil\u00edbrio de poder, o Brasil temia um governo de esquerda na vizinhan\u00e7a, enquanto Bol\u00edvia e Uruguai tamb\u00e9m passavam por momentos delicados. Os EUA, por sua vez, viam Allende como um desafio a sua hegemonia regional e a sua credibilidade, dentro de um contexto de Guerra Fria, enquanto se negociava uma retirada do Vietn\u00e3.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por Roberto Simon, em O Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A historiadora brit\u00e2nica Tania Harmer, da London School of Economics, foi quem descobriu a exist\u00eancia dos pap\u00e9is diplom\u00e1ticos chilenos que descrevem a participa\u00e7\u00e3o do Brasil no golpe de 1973. Em entrevista ao jornal O Estado de S. 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