{"id":6452,"date":"2013-09-12T04:18:00","date_gmt":"2013-09-12T04:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/09\/12\/e-hora-de-ir-ao-obama-para-saber-de-jango\/"},"modified":"2013-09-12T04:18:00","modified_gmt":"2013-09-12T04:18:00","slug":"e-hora-de-ir-ao-obama-para-saber-de-jango","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/09\/12\/e-hora-de-ir-ao-obama-para-saber-de-jango\/","title":{"rendered":"\u00c9 HORA DE IR AO OBAMA PARA SABER DE JANGO"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Vicente Goulart quer do Brasil um gesto de Estado para elucidar a morte do pai<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>\u00c9 esperado para os pr\u00f3ximos dias o an\u00fancio da data de exuma\u00e7\u00e3o do presidente Jo\u00e3o Goulart (1919-1976), deposto pelo golpe de 1964. No governo Dilma, fala-se em receber os restos mortais em Bras\u00edlia, com honras devidas a um chefe de Estado. Trata-se de elucidar as causas de sua morte em dezembro de 1976, em uma de suas fazendas, na Argentina. Jango voltou ao Pa\u00eds no caix\u00e3o, foi recebido pelo povo de S\u00e3o Borja (RS), sua terra natal, sem ter passado por aut\u00f3psia. Desde 1980 circulam rumores de ter sido envenenado, fato mais tarde confirmado por um ex-agente.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista exclusiva, Jo\u00e3o Vicente Goulart, 56 anos, seu filho mais velho e porta-voz da fam\u00edlia na longa busca pela verdade, relembra fatos e personagens que situam a morte de Jango no cen\u00e1rio de assassinatos seletivos da Opera\u00e7\u00e3o Condor &#8211; com apoio log\u00edstico e t\u00e9cnico de agentes americanos. Acha que a exuma\u00e7\u00e3o n\u00e3o resolve tudo e que ser\u00e1 preciso cumprir o que j\u00e1 foi determinado ao Minist\u00e9rio P\u00fablico: oitivas e desclassifica\u00e7\u00e3o de documentos. &#8220;Hoje o Brasil deveria tomar uma posi\u00e7\u00e3o de Estado, indo ao presidente Obama solicitar toda a documenta\u00e7\u00e3o relativa a seu ex-presidente, confinada em arquivos americanos&#8221;, diz, h\u00e1 exatos 52 anos da data em que seu pai assumiu, ap\u00f3s a ren\u00fancia de J\u00e2nio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando a fam\u00edlia Goulart passa a questionar a crise card\u00edaca como raz\u00e3o da sua morte?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Not\u00edcias de um assassinato no \u00e2mbito da Opera\u00e7\u00e3o Condor surgem a partir de 1980, no Uruguai. De gente como Enrique Foch D\u00edaz, autor do livro El Cr\u00edmen Perfecto.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele era amigo do Jango, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Vendeu terras para o pai, mas era ligado ao servi\u00e7o secreto. Jango tinha poucos interlocutores com o regime, ent\u00e3o preservava esse canal. Foch D\u00edaz era um velho piloto da For\u00e7a A\u00e9rea uruguaia, tinha contato com os militares. J\u00e1 meu pai era um homem pol\u00edtico, sabia conversar com diferentes setores e usar certos canais quando necess\u00e1rio. Pessoalmente, sempre desconfiei do Foch D\u00edaz. Pouco antes de prenderem o Ruben Rivero, que era nosso piloto e viria a morrer depois, de forma bem estranha, meu pai perguntou &#8220;olha, Rivero, tu tens alguma coisa a ver com os tupamaros? Se tens, me conta porque est\u00e3o me pressionando&#8230;&#8221;. Da\u00ed o Foch D\u00edaz aparece naquela situa\u00e7\u00e3o, dizendo &#8220;deixa comigo, presidente, vou apresent\u00e1-lo em Boiso Lanza&#8221;, que \u00e9 um quartel da Aeron\u00e1utica. E l\u00e1 pegaram o Rivero. No livro, Foch D\u00edaz fala em envenenamento, no contexto de um compl\u00f4 comercial contra Jango.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>E a comiss\u00e3o externa da C\u00e2mara, que investigou a morte de seu pai? Que peso teve nessa reviravolta dos fatos?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O art\u00edfice dela foi Brizola. Ele pediu ao Miro Teixeira (PDT-RJ) para abrir a comiss\u00e3o. Sua convic\u00e7\u00e3o vinha do fato de ter sido v\u00edtima de um envenenamento no Uruguai. Passou mal, foi bater no hospital, onde lhe fizeram a lavagem que o salvou. A comiss\u00e3o levantou depoimentos bem importantes, como o do Miguel Arraes e o do Neiva Moreira, que chegou a receber de um agente argelino a lista de nomes dos que cairiam na Opera\u00e7\u00e3o Condor. Em 2004, quando o Instituto Jo\u00e3o Goulart iniciou a produ\u00e7\u00e3o de um filme, fui atr\u00e1s do jornalista uruguaio Roger Rodriguez, do La Republica, que entrevistara o ex-agente Mario Neira Barreiro, em 2002. Barreiro revelou a ele que monitorava Jango.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>E por que a comiss\u00e3o n\u00e3o o ouviu?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Porque quando n\u00f3s fomos atr\u00e1s de Barreiro, em 2005, a comiss\u00e3o tinha sido encerrada. Tomamos um longo depoimento dele, eu inicialmente disfar\u00e7ado de jornalista da TV Senado. Barreiro dizia que &#8220;Jo\u00e3o Vicente n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para nada, o neg\u00f3cio dele \u00e9 criar gado no Maranh\u00e3o&#8230;&#8221;. Quando \u00e9 informado de que sou eu quem est\u00e1 l\u00e1, e me reconhece, come\u00e7a a falar muito, por horas. Usamos s\u00f3 um trecho no filme Jango em Tr\u00eas Atos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Como avalia esse personagem?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tenho d\u00favida de que nos monitorava. A batida de um carro que eu dirigia em Montevid\u00e9u, sem boletim de ocorr\u00eancia, sabia em detalhes. O telefone da fazenda repetia de cor. Agora, sobre a morte de Jango, tem que investigar. Conclu\u00edmos que era obriga\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, de posse daquele testemunho, levar um pedido ao ent\u00e3o procurador-geral da Rep\u00fablica, Ant\u00f4nio Fernando de Souza: trata-se de esclarecer a morte de um presidente no ex\u00edlio, derrubado por um golpe em que o Congresso decreta vaga a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, estando o presidente ainda em territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Barreiro est\u00e1 preso no Rio Grande do Sul, por outros crimes. Viu-o depois daquele encontro?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o. Ele conseguiu passar um e-mail cifrado para mim, via terceiros, dizendo que estava sob risco de morte. Liguei para o ent\u00e3o ministro Tarso Genro, da Justi\u00e7a, contei o caso e parece que lhe deram prote\u00e7\u00e3o. N\u00e3o o vi mais. Voltando \u00e0 batalha da nossa fam\u00edlia: aquele procurador-geral mandou o caso para o MP ga\u00facho, onde seria arquivado. E s\u00f3 n\u00e3o foi pelo despacho da procuradora-geral dos Direitos da Pessoa Humana, dra. Gilda Carvalho. Ela n\u00e3o s\u00f3 derrubou o arquivamento, como cobrou oitivas dentro e fora do Pa\u00eds e acesso a documentos. O Estado tem o dever de investigar at\u00e9 por se tratar da mem\u00f3ria de um presidente, portanto, um patrim\u00f4nio cultural e imaterial da Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>E a exuma\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 s\u00f3 um dos meios para investigar. E talvez nem leve a uma conclus\u00e3o. J\u00e1 foram chamados peritos argentinos, uruguaios e n\u00f3s queremos a inclus\u00e3o de cubanos, por serem altamente capacitados nesse tipo de an\u00e1lise. Laborat\u00f3rios de fora tamb\u00e9m participam. Autorizamos tudo, mas cobramos as oitivas dos americanos envolvidos na opera\u00e7\u00e3o. E a desclassifica\u00e7\u00e3o de documentos. Assim como apareceu recentemente um documento do Kissinger, confirmando a exist\u00eancia de um processo de elimina\u00e7\u00e3o de pessoas no Cone Sul, outros surgir\u00e3o. At\u00e9 come\u00e7o a achar que pode ter alguma coisa nessa exuma\u00e7\u00e3o, tamanha tem sido a dificuldade de investigar.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando seu pai morreu voc\u00ea e sua irm\u00e3 estavam fora do Pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Sim, em Londres, mas viemos para o enterro. Eu estava l\u00e1 h\u00e1 mais tempo. Me casei aos 19 anos e fui para estudar agronomia. Depois o pai mandou a Denise, minha irm\u00e3, porque as coisas andavam dif\u00edceis por aqui &#8211; mataram dois amigos dele, Zelmar Michelini e o Guti\u00e9rrez Ru\u00edz (senador e deputado uruguaios, respectivamente, exilados na Argentina), um comando entrou no escrit\u00f3rio dele, a situa\u00e7\u00e3o se complicava no Uruguai, na Argentina, j\u00e1 era dura no Brasil, o cerco fechou. Mas documentos provam que Jango queria, ent\u00e3o, voltar ao Brasil. Ele j\u00e1 estava fora do Pa\u00eds havia 12 anos, quando fora cassado por dez, no entanto (o general) Sylvio Frota dizia que se ele regressasse seria preso imediatamente.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">E h\u00e1 relatos dizendo o contr\u00e1rio, que Jango n\u00e3o queria voltar, mas, sim, montar casa fora, provavelmente em Paris.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ele jogava politicamente. Queria estar em Paris para se reunir com os exilados, tanto que foi ter com Arraes na Su\u00ed\u00e7a. Era presidente, sonhava voltar com todos eles. Disse que retornaria ao Brasil at\u00e9 para ser preso e ver no que dava. Tamb\u00e9m aproveitaria a onda do Carter, que passou a pressionar ditaduras sul-americanas. Os EUA j\u00e1 pensavam no projeto de globaliza\u00e7\u00e3o, algo que n\u00e3o poderia ser feito com ditaduras, mas governos civis e democr\u00e1ticos, desde que sem nacionalistas no meio. At\u00e9 o Ted Kennedy anunciou que viria ao encontro do pai, pousando l\u00e1 na fazenda. Depois, cancelou. E Jango iria aos EUA at\u00e9 para provar que n\u00e3o devia nada a ningu\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Havia processos contra ele no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Sim, muitos. Ele se defendeu em todos. Ao contr\u00e1rio do Brizola, que deixava para l\u00e1. Num deles, que corria na cidade de Rondon\u00f3polis (MT), onde tinha fazenda de gado, ao n\u00e3o conseguir cit\u00e1-lo pelas vias normais, o juiz o citou por edital. Jango iria aproveitar isso para entrar no Brasil, afinal, estava sendo chamado pela Justi\u00e7a. A ditadura ficou em polvorosa&#8230;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>E a sa\u00fade? Tinha emagrecido com uma dieta radical ou estava acima do peso, comendo de forma inadequada?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Era card\u00edaco. Sofreu um enfarte em 1969, no Uruguai, e se cuidava em Lyon, com o professor Fremont. Fez regime, tomava rem\u00e9dios regularmente, se sentia mais leve. Agora, pergunto: porque era card\u00edaco n\u00e3o poderia sofrer um atentado? No dia da morte, estava bem. Sobre isso falei com Julio, capataz da fazenda, \u00faltimo a estar com ele. O pai tinha um leil\u00e3o de gado no dia seguinte. Saiu pelo campo para ver os novilhos, separ\u00e1-los em lotes. Mais tarde, quando a m\u00e3e (Maria Tereza Goulart) foi dormir, ele fez um mate e ficou conversando com o Julio at\u00e9 uma da manh\u00e3. Combinaram de sair cedo no dia seguinte. Jango tomou rem\u00e9dios e foi para a cama. Passaram-se 15 minutos. Minha m\u00e3e percebeu um ronco forte. Ele pegou o travesseiro, abra\u00e7ou-o com for\u00e7a e afrouxou em seguida. J\u00e1 n\u00e3o respirava.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Barreiro explicou, didaticamente, como o veneno teria sido misturado ao rem\u00e9dio: troca-se s\u00f3 uma c\u00e1psula do frasco, ficando as demais intactas. Esses frascos ficavam onde? Com Jango? No Hotel Liberty, em Buenos Aires?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ficavam no Liberty quando chegavam da Fran\u00e7a. Tinha uma pessoa em Paris que se encarregava de compr\u00e1-los. E despachava para o hotel, porque ficamos um tempo vivendo l\u00e1 at\u00e9 comprar apartamento em Buenos Aires. Era um ponto de encontro de Jango com os amigos. Diz Barreiro que a troca foi feita no Liberty. Meu pai pegava os frascos e os distribu\u00eda &#8211; deixava uns em Buenos Aires, outros em Montevid\u00e9u, outros nas fazendas, outros com ele&#8230; Enfim, haveria um araponga infiltrado no hotel.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>E o Agente B, de que se fala no filme Dossi\u00ea Jango?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Essa figura misteriosa chegou a tirar coisas das gavetas do quarto de meu pai, depois informando ao SNI: &#8220;Ontem, clandestinamente, estive na casa do presidente Jo\u00e3o Goulart e subtra\u00ed: carta de Juan D. Per\u00f3n, carta de Ulysses Guimar\u00e3es&#8230;&#8221;. Relacionava documentos pessoais, documentos de terras, itens roubados do nosso apartamento no Uruguai. Tamb\u00e9m tem a ver com o Agente B o envio ao SNI das fotos do \u00faltimo anivers\u00e1rio de Jango. Ou era algu\u00e9m pr\u00f3ximo, j\u00e1 que os convidados posam para a c\u00e2mera, ou as imagens foram desviadas na fase da revela\u00e7\u00e3o. Os presentes foram todos enumerados e identificados para o SNI.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Na representa\u00e7\u00e3o ao MP, a fam\u00edlia pede o testemunho dos estrangeiros ligados \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Condor.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Antes que morram todos! Em 1992, o bioqu\u00edmico chileno Eugenio Berr\u00edos, da Dina (pol\u00edcia pol\u00edtica de Pinochet), morreu com duas balas no cr\u00e2nio: uma do ex\u00e9rcito uruguaio, outra do ex\u00e9rcito chileno. Era o homem do Projeto Andrea (que produziu venenos e at\u00e9 g\u00e1s sarin para eliminar opositores de Pinochet). Frederick Latrash est\u00e1 vivo. Foi chefe da CIA em Montevid\u00e9u. Eu o denunciei porque, como n\u00e3o se soubesse o paradeiro dele, descobri que era assessor do Senado americano e at\u00e9 fez a campanha do McCain. \u00c9 um homem de Estado. Quando conversamos com o Peter Kornbluh (autor do livro The Pinochet\u00b4s File), ele mesmo diz isso. Michel Townley est\u00e1 nos EUA. Come\u00e7ou como agente da CIA no Chile, foi para a Bol\u00edvia, mudou-se para o Uruguai e terminou no Brasil, na abertura. Passou por todos os golpes, \u00e9 uma fonte fundamental.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>E a participa\u00e7\u00e3o do delegado S\u00e9rgio Fleury, do Dops-SP, nos fatos?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Queremos ir atr\u00e1s disso. Ele andava no Uruguai desde 1972, per\u00edodo em que o movimento tupamaro crescia. Era uma guerrilha urbana, num pa\u00eds pequeno. N\u00e3o resta d\u00favida de que foi chamado para ensinar como eliminar por tortura. Fleury tinha conhecido aqui o Dan Mitrione (agente americano que atuara no Brasil, depois no Uruguai, sendo morto por tupamaros), ent\u00e3o tudo se conecta. Veja o caso de Cec\u00edlia Herber, esposa de um senador uruguaio. Em 1978, chegam caixas de vinho para tr\u00eas l\u00edderes do Partido Nacional, um deles, o senador Herber. Cec\u00edlia foi a primeira a provar de uma garrafa. Caiu fulminada. O suspeito \u00e9 Carlos Miles, qu\u00edmico que, em agosto de 1976, meses antes de meu pai morrer, reunia-se na chefatura de pol\u00edcia de Montevid\u00e9u com Latrash e o Fleury.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O establishment brasileiro ainda teme Jo\u00e3o Goulart?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os 50 anos do golpe (1964-2014) v\u00e3o trazer uma reflex\u00e3o que j\u00e1 come\u00e7ou na academia, por\u00e9m o medo \u00e9 que chegue ao povo. O que se ensina de Jango nas escolas? Nada. Fala-se em reforma do Estado. O que \u00e9 isso? Reforma agr\u00e1ria, tribut\u00e1ria, urbana, educacional, as mesmas que ele prop\u00f4s h\u00e1 50 anos e n\u00e3o andaram. Quando fez o Plano de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias dedicava 12% dos recursos para educa\u00e7\u00e3o &#8211; hoje n\u00e3o temos 3%. Jango comunista? Onde j\u00e1 se viu comunista com tanta terra? Ou distribuindo terra com t\u00edtulo de propriedade? Se fazia um governo fraco, por que n\u00e3o se esperou a elei\u00e7\u00e3o que estava prestes a acontecer? Um dia um jornalista indagou: &#8220;Presidente, o senhor n\u00e3o acha que o Pa\u00eds ainda n\u00e3o estava preparado para as reformas?&#8221; Ele respondeu: &#8220;N\u00e3o acho. Sen\u00e3o n\u00e3o estaria aqui, no ex\u00edlio&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Vicente Goulart quer do Brasil um gesto de Estado para elucidar a morte do pai \u00c9 esperado para os pr\u00f3ximos dias o an\u00fancio da data de exuma\u00e7\u00e3o do presidente Jo\u00e3o Goulart (1919-1976), deposto pelo golpe de 1964. 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