{"id":6480,"date":"2013-09-18T17:31:44","date_gmt":"2013-09-18T17:31:44","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/09\/18\/ex-preso-politico-aponta-ambiguidade-na-postura-de-igrejas-cristas-durante-a-ditadura\/"},"modified":"2013-09-18T17:31:44","modified_gmt":"2013-09-18T17:31:44","slug":"ex-preso-politico-aponta-ambiguidade-na-postura-de-igrejas-cristas-durante-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/09\/18\/ex-preso-politico-aponta-ambiguidade-na-postura-de-igrejas-cristas-durante-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Ex-preso pol\u00edtico aponta ambiguidade na postura de igrejas crist\u00e3s durante a ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>O ex-preso pol\u00edtico Aguinaldo Padilha destacou hoje (18), em audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, a postura amb\u00edgua das igrejas protestante e cat\u00f3lica em rela\u00e7\u00e3o ao regime militar. &#8220;Todas tiveram papel muito amb\u00edguo&#8221;, disse Padilha na audi\u00eancia, feita em parceria com a Comiss\u00e3o da Verdade do Rio de Janeiro.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Antes de 64, setores da Igreja Cat\u00f3lica principalmente e, de forma minorit\u00e1ria, as igrejas protestantes, apoiaram o movimento que criou aquele clima pol\u00edtico que possibilitou o golpe, incentivando a histeria anticomunista. Depois, esses setores tiveram um papel mais importante ainda na consolida\u00e7\u00e3o da ditadura. Mas, ao mesmo tempo, havia setores que resistiam. A partir de 1969 e 1970, alguns bispos come\u00e7aram a se posicionar de maneira cr\u00edtica ao regime militar, inclusive apoiando, dando guarida e prote\u00e7\u00e3o aos perseguidos&#8221;, lembrou o metodista Padilha, coordenador do grupo de trabalho que trata da atua\u00e7\u00e3o de igrejas crist\u00e3s na \u00e9poca da ditadura, seja como apoiadoras do regime ou no suporte a movimentos de resist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com os depoimentos, o grupo espera conhecer detalhes dessa ambiguidade. &#8220;Hoje, n\u00f3s ouvimos duas hist\u00f3rias important\u00edssimas, de duas pessoas ligadas \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, que deram detalhes da sua milit\u00e2ncia e de como se relacionaram com a igreja, sendo acolhidas por alguns setores, e de como outros se omitiram na defesa dos direitos delas&#8221;, ressaltou Padilha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De manh\u00e3, houve dois depoimentos. A audi\u00eancia prossegue nesta tarde e ouve novos depoimentos amanh\u00e3 (18). O primeiro a ser ouvido foi o economista Marcos Arruda, que era ge\u00f3logo e integrante da Juventude Universit\u00e1ria Cat\u00f3lica na d\u00e9cada de 1960. Ele contou que foi perseguido desde que entrou para o diret\u00f3rio estudantil na faculdade e que, mudando-se para S\u00e3o Paulo, come\u00e7ou a trabalhar com educa\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios na organiza\u00e7\u00e3o A\u00e7\u00e3o Popular.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Arruda disse que, em 1970, quando tentava ajudar uma militante que queria deixar a esquerda armada e entrar para a A\u00e7\u00e3o Popular, acabou preso e torturado. Ela foi presa quatro dias antes e revelou, sob tortura, onde seria o encontro. &#8220;Fui preso pela Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante e torturado, como muitos na \u00e9poca. Passei pelo pau-de-arara e pelas brutalidades habituais por muitas horas. Depois de tudo isso, tive convuls\u00f5es que me salvaram a vida, porque foram obrigados a me levar para um hospital militar. No pau-de-arara, antes mesmo de apanhar, a gente j\u00e1 sofre com o n\u00f3 forte nas m\u00e3os, que incham e parecem gangrenar. \u00c9 uma dor lancinante.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Arruda disse que chegou a ser torturado junto com a militante, com os militares amea\u00e7ando mat\u00e1-la, se ele n\u00e3o revelasse nomes. &#8220;Aconteceu de um grupo ser preso e precisar ser torturado na nossa sala, e tivemos um tempo para respirar. Ela, ent\u00e3o, conseguiu me dizer, por um buraco na tomada da cela, que se arrependia de ter me entregado, e que preferia que eu a deixasse morrer para n\u00e3o mudar a minha hist\u00f3ria. Essa \u00e9 a pior tortura que algu\u00e9m pode sofrer. A culpa de ser respons\u00e1vel pela dor do outro&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Nos nove meses em que ficou preso, Arruda foi visitado por dois capel\u00e3es. Ele disse a um dos religiosos, em S\u00e3o Paulo, que sua vida dependia de avisar a fam\u00edlia de que ele estava preso. O capel\u00e3o chegou a dar a extrema un\u00e7\u00e3o a Arruda, mas foi embora e n\u00e3o alertou os pais dele. O segundo foi um bispo que o visitou no Hospital do Ex\u00e9rcito, no Rio de Janeiro, e pediu que ficasse &#8220;na sua&#8221;, quando fosse solto, sem fazer den\u00fancias que envergonhassem o pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nesse per\u00edodo, no entanto, a fam\u00edlia de Arruda foi ajudada pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Para escapar de nova pris\u00e3o, ele fugiu para os Estados Unidos, com apoio da Confer\u00eancia dos Bispos Cat\u00f3licos dos Estados Unidos e de l\u00edderes protestantes americanos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O segundo depoimento de hoje foi de Maria A\u00edda Bezerra, integrante de uma organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica que assessorava movimentos sociais. Depois de ter uma amiga presa e torturada, Maria A\u00edda, que chegou a mudar 16 vezes de endere\u00e7o para escapar da persegui\u00e7\u00e3o, recebeu ajuda de igrejas evang\u00e9licas, mas acabou tendo que se apresentar a um quartel do Ex\u00e9rcito em Petr\u00f3polis, no Rio, onde ficou presa por 15 dias e foi interrogada. A pernambucana Maria A\u00edda disse que seu maior medo era descobrirem seu trabalho em defesa da da reforma agr\u00e1ria no Nordeste, mas isso n\u00e3o ocorreu. &#8220;N\u00e3o cheguei a ser torturada fisicamente, mas s\u00f3 o terror de estar ali, at\u00e9 mesmo de ser convocada, j\u00e1 era uma tortura.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tentando buscar ajuda para a amiga Let\u00edcia Cotrim, que estava detida, Maria A\u00edda procurou o ent\u00e3o arcebispo do Rio, dom Eug\u00eanio Sales. &#8220;A conversa n\u00e3o foi boa. N\u00e3o deu certo. Ele n\u00e3o acreditava que a comunidade crist\u00e3 dele estava sendo perseguida e n\u00e3o quis intervir. Ele nos considerava subversivos e era contra crist\u00e3os de esquerda&#8221;, disse Maria A\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ela fugiu do Brasil duas vezes, com medo de ser presa, e teve contato com organiza\u00e7\u00f5es da juventude cat\u00f3lica europeia, que se mobilizavam em torno de causas internacionais e observavam as ditaduras da Am\u00e9rica Latina com aten\u00e7\u00e3o. Com essa experi\u00eancia, Maria A\u00edda voltou ao Brasil para ajudar os movimentos de resist\u00eancia, e teve tamb\u00e9m o apoio de igrejas metodistas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Di\u00e1rio de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-preso pol\u00edtico Aguinaldo Padilha destacou hoje (18), em audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, a postura amb\u00edgua das igrejas protestante e cat\u00f3lica em rela\u00e7\u00e3o ao regime militar. &#8220;Todas tiveram papel muito amb\u00edguo&#8221;, disse Padilha na audi\u00eancia, feita em parceria com a Comiss\u00e3o da Verdade do Rio de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6480"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6480\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}