{"id":6486,"date":"2013-09-18T17:38:11","date_gmt":"2013-09-18T17:38:11","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/09\/18\/audiencia-publica-ouve-mais-dois-torturados\/"},"modified":"2013-09-18T17:38:11","modified_gmt":"2013-09-18T17:38:11","slug":"audiencia-publica-ouve-mais-dois-torturados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/09\/18\/audiencia-publica-ouve-mais-dois-torturados\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia P\u00fablica ouve mais dois torturados"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6481\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/torturadesenho-317x160.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"160\" style=\"line-height: 1.3em;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>O economista Martinho Campos e o escritor Washington Rocha ir\u00e3o prestar na quinta-feira, 19, seus depoimentos na Comiss\u00e3o Estadual da Verdade e da Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria da Para\u00edba sobre as torturas f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas que sofreram durante o regime militar. A audi\u00eancia p\u00fablica ter\u00e1 in\u00edcio \u00e0s 09h30 na sede da Associa\u00e7\u00e3o Paraibana de Imprensa, \u00e0 Rua Visconde de Pelotas, 149, Centro, Jo\u00e3o Pessoa.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6482\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/martinho-168x167.jpg\" border=\"0\" width=\"168\" height=\"167\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Martinho Campos era estudante universit\u00e1rio, militante do Partido Oper\u00e1rio Revolucion\u00e1rio\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">Trotskista, \u00e0 \u00e9poca do golpe militar de 1964. Em novembro daquele ano foi preso por agentes da Delegacia de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) do Estado de Pernambuco. Depois disso, passou por uma delegacia no bairro de Caxang\u00e1, pela Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica, onde funcionava a DOPS; pela 2\u00aa Companhia de Guardas, em Recife, e pelo quartel do 15\u00ba Regimento de Infantaria (15 RI), em Jo\u00e3o Pessoa, onde foi torturado pelo Major Cordeiro. Foi levado, em seguida, para a Ilha de Fernando de Noronha, onde ficou cerca de cinco meses. Em todos os casos, foi v\u00edtima de torturas e humilha\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/martinho.jpg\"><\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em maio de 1965 foi levado de volta para Recife, sendo recolhido \u00e0 Casa de Deten\u00e7\u00e3o, no centro da cidade. Foi liberado nove meses depois, por for\u00e7a de um Habeas Corpus concedido pelo Superior Tribunal de Recursos. Em 16 de agosto de 1966, foi condenado, como revel, a oito anos de pris\u00e3o pela Justi\u00e7a Militar, tendo os direitos pol\u00edticos cassados por dez anos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 14 de abril de 1972 foi novamente preso, desta vez pelo DOI-Codi de S\u00e3o Paulo, onde fora torturado pelo ent\u00e3o major, hoje coronel, Carlos Alberto Brilhante Ulstra. Depois disso foi levado ao Deops de S\u00e3o Paulo, ao pres\u00eddio Tiradentes e, em 1973, para o Carandiru. Em julgamento realizado em 24 de abril daquele ano foi condenado a dois anos e seis meses de reclus\u00e3o, tamb\u00e9m com suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos por dez anos. Tendo sua pena de oito anos, resultante do julgamento de Pernambuco, em 1966, sido revogada pelo Superior Tribunal Militar, foi posto em liberdade, em livramento condicional, no dia 28 de dezembro de 1974.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Washington Rocha come\u00e7ou na milit\u00e2ncia pol\u00edtica de esquerda ainda menor de idade, quando estudava no Liceu Paraibano, em Jo\u00e3o Pessoa, tendo sido eleito delegado ao Congresso da UBES &#8211; Uni\u00e3o Brasileira dos Estudantes Secundaristas, realizado em Salvador (BA) no m\u00eas de dezembro de 1968. Naquele mesmo ano foi detido no DOPS, sendo levado ao Quartel do 1\u00ba Grupamento de Engenharia, na capital da Para\u00edba. No ano seguinte, sua matr\u00edcula no Liceu Paraibano foi vetada. Ficou na clandestinidade por tr\u00eas meses, tendo se apresentado voluntariamente ao Dops, onde permaneceu preso por alguns dias e, seguida, liberado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/374510_10200142946409785_119551417_n.jpg\"><\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6485\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/374510_10200142946409785_119551417_n-226x150.jpg\" border=\"0\" width=\"226\" height=\"150\" \/><br \/> <\/span>Ele s\u00f3 concluiu o segundo grau atrav\u00e9s de curso supletivo. Em 1970 foi aprovado no vestibular da UFPB para Direito, mas foi proibido de se matricular no curso. Foi preso no 15\u00ba Regimento de Infantaria, em Jo\u00e3o Pessoa, na companhia do jornalista J\u00f3rio Machado (depois deputado estadual e secret\u00e1rio de Estado \u2013 j\u00e1 falecido) e do engenheiro Potengi Lucena (ex-vereador em Jo\u00e3o Pessoa). Anos mais tarde, o ingresso na universidade de pessoas consideradas \u201csubversivas\u201d foi liberado mediante um termo condicional, que ele recusou-se a assinar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quando esse termo foi dispensado, ingressou no curso de medicina da UFPB. Quando cursava o segundo ano de medicina, em 1974, foi detido pela pol\u00edcia civil em frente \u00e0 Casa de Sa\u00fade S\u00e3o Vicente de Paula, onde acabara de visitar um irm\u00e3o que fora acidentado. Foi levado a uma cela da Central de Pol\u00edcia e depois levado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Federal em Jo\u00e3o Pessoa, \u00e0 unidade do IV Ex\u00e9rcito, em Recife, retornando \u00e0 sede da PF em Jo\u00e3o Pessoa e, em seguida, novamente ao IV Ex\u00e9rcito em Recife, onde fora submetido a v\u00e1rios tipos de tortura. Foi, mais uma vez, levado de volta \u00e0 PF na capital paraibana e, finalmente, liberado em maio de 1974.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211;\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">Comiss\u00e3o Estadual da Verdade e da Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria &#8211; PB<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O economista Martinho Campos e o escritor Washington Rocha ir\u00e3o prestar na quinta-feira, 19, seus depoimentos na Comiss\u00e3o Estadual da Verdade e da Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria da Para\u00edba sobre as torturas f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas que sofreram durante o regime militar. 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