{"id":651,"date":"2012-05-24T03:30:16","date_gmt":"2012-05-24T03:30:16","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/24\/organizacao-denuncia-participacao-de-medicos-na-ditadura-argentina\/"},"modified":"2012-05-24T03:30:16","modified_gmt":"2012-05-24T03:30:16","slug":"organizacao-denuncia-participacao-de-medicos-na-ditadura-argentina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/24\/organizacao-denuncia-participacao-de-medicos-na-ditadura-argentina\/","title":{"rendered":"Organiza\u00e7\u00e3o denuncia participa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos na ditadura argentina"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Relat\u00f3rio elaborado pela organiza\u00e7\u00e3o argentina \u201cM\u00e9dicos com Mem\u00f3ria\u201d afirma que mais de mil e duzentos profissionais da sa\u00fade colaboraram nas salas de tortura e cometeram crimes de lesa humanidade durante a ditadura militar. Com isso, sustenta a organiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 colaboraram com o horror de uma \u00e9poca, mas avalizaram, com seu sil\u00eancio, o sistema de sa\u00fade privatizante imposto pelo neoliberalismo desde mar\u00e7o de 1976. Muitos m\u00e9dicos ainda permanecem impunes. O artigo \u00e9 de Francisco Luque.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Embora seu juramento \u00e9tico estabele\u00e7a que devam velar pela sa\u00fade e a vida das pessoas, muitos fizeram o contr\u00e1rio. Segundo um relat\u00f3rio elaborado pela organiza\u00e7\u00e3o argentina \u201cM\u00e9dicos com Mem\u00f3ria\u201d, mais de mil e duzentos profissionais da sa\u00fade colaboraram nas salas de tortura e cometeram crimes de lesa humanidade durante a ditadura militar. Com isso, sustenta a organiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 colaboraram com o horror de uma \u00e9poca, mas avalizaram, com seu sil\u00eancio, o sistema de sa\u00fade privatizante imposto pelo neoliberalismo desde mar\u00e7o de 1976. Muitos m\u00e9dicos ainda permanecem impunes.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"> <br \/> <\/span>\u201cA imposi\u00e7\u00e3o do sistema repressivo por parte das for\u00e7as armadas contou n\u00e3o s\u00f3 com o sil\u00eancio de uma sociedade amea\u00e7ada, mas com a participa\u00e7\u00e3o ativa e a cumplicidade de civis, como \u00e9 o caso da interven\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos e outros profissionais da sa\u00fade\u201d, explica em um relat\u00f3rio esta organiza\u00e7\u00e3o, criada em 2009, cujo objetivo tem sido elucidar o funcionamento do sistema de sa\u00fade durante a ditadura e identificar m\u00e9dicos, enfermeiros, psic\u00f3logos e t\u00e9cnicos m\u00e9dicos \u2013 civis e militares &#8211; envolvidos em crimes de lesa humanidade. Formada por v\u00edtimas da repress\u00e3o, a \u201cM\u00e9dicos com Mem\u00f3ria\u201d decidiu procurar a verdade e denunciar os profissionais da sa\u00fade que colaboraram com a ditadura.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Dois mil e duzentos m\u00e9dicos s\u00e3o suspeitos de colaborar com a ditadura e, dos duzentos que j\u00e1 foram identificados em diferentes processos judiciais, a Justi\u00e7a argentina s\u00f3 condenou uma dezena. Outros vinte profissionais j\u00e1 foram processados em causas por delitos de lesa humanidade.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u201cAs pessoas sequestradas eram detidas e atendidas em condi\u00e7\u00f5es infra-humanas. As mulheres pariam seus filhos em condi\u00e7\u00f5es execr\u00e1veis, encapuzadas e, assim como estavam, destru\u00eddas, eram separadas de seus filhos sem que se soubesse mais deles\u201d, afirma o relat\u00f3rio, que assegura que \u201cna estrutura operativa de cada centro clandestino ou pris\u00e3o militar ou p\u00fablica, os sequestrados eram torturados com o apoio de pessoal de sa\u00fade, militar ou civil\u201d.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O organograma destes centros de tortura estava composto por pessoal m\u00e9dico militar de carreira ou ingresso como profissional \u00e0s for\u00e7as armadas, das for\u00e7as de seguran\u00e7a ou como m\u00e9dicos civis contratados ou colaboradores, que prestavam servi\u00e7os em hospitais, centros psiqui\u00e1tricos ou maternidades p\u00fablicas.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u201cParticiparam em atos aberrantes, chegando a atuar diretamente nos crimes que eram cometidos com o aval da maioria das institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, tanto p\u00fablicas como privadas, das obras sociais, universidades, entre outras\u201d, acrescenta o relat\u00f3rio.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A \u201cM\u00e9dicos com Mem\u00f3ria\u201d detectou mais de 500 centros clandestinos de deten\u00e7\u00e3o e 200 centros de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade que foram utilizados para a tortura. Tamb\u00e9m comprovaram a exist\u00eancia de trinta maternidades clandestinas que funcionavam dentro de centros assistenciais p\u00fablicos.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u201cOs militares chegavam aos hospitais durante a noite acompanhados, muitas vezes, pelo m\u00e9dico encarregado do servi\u00e7o de obstetr\u00edcia do estabelecimento. Os soldados chamavam o m\u00e9dico de plant\u00e3o, a parteira, e transferiam as mulheres em trabalho de parto para outros recintos, fortemente vigiados. A mulher era atada \u00e0 maca ou algemada e, \u00e0s vezes, encapuzada para que n\u00e3o visse quem participava enquanto o parto era feito. Tamb\u00e9m realizavam partos clandestinos para depois entregar os beb\u00eas para falsas ado\u00e7\u00f5es. Muitos beb\u00eas n\u00e3o foram recuperados e muitos m\u00e9dicos t\u00eam um pacto de sil\u00eancio por haver participado neste inferno\u201d, afirmou \u00e0 Televis\u00e3o P\u00fablica Carlos Ferreyra, cofundador da \u201cM\u00e9dicos com Mem\u00f3ria\u201d.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>&#8220;Os que participaram nos partos foram c\u00famplices da apropria\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as nascidas em cativeiro e colaboraram dando informa\u00e7\u00e3o sobre a aplica\u00e7\u00e3o de drogas aos detidos que depois eram atirados ao vazio nos voos da morte&#8221;, agrega o documento.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Para Ferreyra, um dos aspectos que escondia a barb\u00e1rie imposta pelo terrorismo de Estado tem rela\u00e7\u00e3o com a ideia de desmantelar o sistema p\u00fablico de sa\u00fade existente at\u00e9 aquela \u00e9poca, a\u00e7\u00e3o que estava fortemente comprometida com grupos econ\u00f4micos nacionais e transnacionais interessados em implantar um sistema sanit\u00e1rio excludente. A ideia da ditadura foi criar um \u201cmercado de sa\u00fade\u201d, o que permitiu que o setor privado crescesse de forma inusitada.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A \u201cM\u00e9dicos com Mem\u00f3ria\u201d afirma tamb\u00e9m que houve cerca de trinta m\u00e9dicos que se rebelaram ao n\u00e3o aceitarem a obriga\u00e7\u00e3o que lhes era imposta e perderam suas vidas. Outros, ao contr\u00e1rio, embora soubessem que estavam infringindo o juramento hipocr\u00e1tico, \u201csupervisionavam as condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas dos detidos, a fim de continuar com a tortura, al\u00e9m de produzir boletins cl\u00ednicos, forenses, e certid\u00f5es de nascimento e de \u00f3bito falsas e ap\u00f3crifas\u201d.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u201cN\u00f3s, m\u00e9dicos, n\u00e3o podemos ficar impass\u00edveis diante destes fatos que s\u00e3o a origem do delito de oculta\u00e7\u00e3o de identidade\u201d, afirma o relat\u00f3rio e exige dos profissionais que informem o destino dos corpos \u201cque se empilhavam nos necrot\u00e9rios dos hospitais infectando as salas de cirurgia com cheiros nauseabundos\u201d. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O grupo estimula a cria\u00e7\u00e3o de \u201ccomiss\u00f5es da mem\u00f3ria\u201d com o objetivo de investigar os n\u00edveis de participa\u00e7\u00e3o das diferentes estruturas de sa\u00fade no terrorismo de Estado.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u201c\u00c9 fundamental promover esse compromisso com as institui\u00e7\u00f5es, em especial com as faculdades de Medicina de todo o pa\u00eds, onde se sabe que alguns docentes elaboraram as famosas listas negras que deram lugar \u00e0 desapari\u00e7\u00e3o de muitos estudantes universit\u00e1rios\u201d, afirmou Ferreyra \u00e0 ag\u00eancia Telam.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Carta Maior<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio elaborado pela organiza\u00e7\u00e3o argentina \u201cM\u00e9dicos com Mem\u00f3ria\u201d afirma que mais de mil e duzentos profissionais da sa\u00fade colaboraram nas salas de tortura e cometeram crimes de lesa humanidade durante a ditadura militar. 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