{"id":6851,"date":"2014-01-27T16:33:24","date_gmt":"2014-01-27T16:33:24","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/01\/27\/comissao-da-verdade-realiza-visita-tecnica-em-vila-militar-no-rio\/"},"modified":"2014-01-27T16:33:24","modified_gmt":"2014-01-27T16:33:24","slug":"comissao-da-verdade-realiza-visita-tecnica-em-vila-militar-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/01\/27\/comissao-da-verdade-realiza-visita-tecnica-em-vila-militar-no-rio\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade realiza visita t\u00e9cnica em Vila Militar no Rio"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Integrantes da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) fizeram nesta quinta-feira (23) uma dilig\u00eancia t\u00e9cnica nas depend\u00eancias da antiga unidade da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito na Vila Militar de Deodoro, acompanhados por pessoas que foram torturadas na unidade durante a ditadura (1964-1985).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6850\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/cnv_rj_visita_932255100.jpg\" border=\"0\" width=\"216\" height=\"162\" \/><\/p>\n<address \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>Comiss\u00e3o Nacional da Verdade visita antiga vila Militar no Rio  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo a advogada Rosa Cardoso, uma das integrantes da comiss\u00e3o, os testemunhos e a an\u00e1lise dos peritos foram muito importantes para ajudar a reconhecer os locais de tortura, que passaram por muitas reformas ao longo dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cOs peritos d\u00e3o autenticidade t\u00e9cnica, porque t\u00eam compet\u00eancia para dizer que houve mudan\u00e7as e, confrontando com o testemunho das v\u00edtimas da tortura, podemos dizer que este \u00e9 o lugar do qual est\u00e3o falando\u201d, disse Rosa. Para ela, as informa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o fundamentais para a audi\u00eancia p\u00fablica de para sexta-feira (24) no audit\u00f3rio do Arquivo Nacional, para apurar casos de morte e tortura na Vila Militar. \u201cEstamos fechando as pontas do quebra-cabe\u00e7a, pois n\u00e3o falamos apenas para as pessoas mais pr\u00f3ximas, acostumadas a ler sobre tais fatos, que viveram esse per\u00edodo e que acreditam nos fatos sem apresenta\u00e7\u00e3o de maiores evid\u00eancias. Estamos falando para o futuro\u201d, explicou a advogada. Por isso, \u00e9 preciso apresentar a informa\u00e7\u00e3o de uma maneira muito consistente, acrescentou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A audi\u00eancia pretende investigar casos como o do sargento da Pol\u00edcia Militar do antigo Estado da Guanabara Severino Viana Colou e do estudante de medicina Chael Charles Schreier, de 23 anos, que morreram no local em maio e novembro de 1969, respectivamente.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O advogado Francisco Celso Calmon, integrante do F\u00f3rum Direito \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Verdade do Esp\u00edrito Santo, foi preso por ser militante da Vanguarda Revolucion\u00e1ria Palmares (VAR-Palmares) e passou cerca de quatro meses na Vila Militar. \u201cCa\u00ed junto com minha namorada, hoje m\u00e3e dos meus tr\u00eas filhos, que tinha apenas 16 anos e ficou encarcerada durante 40 dias\u201d, disse Calmon, ao lembrar que j\u00e1 estava l\u00e1 quando o estudante Chael foi preso. \u201cOuvi os gritos do Chael at\u00e9 ele n\u00e3o poder mais gritar\u201d, relatou. Calmon \u00e0 comiss\u00e3o uma lista com os nomes de 14 agentes do Estado que praticaram torturas na unidade de Deodoro, dois j\u00e1 falecidos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cPassaram mais de 50 presos por aqui. N\u00e3o me agrada voltar aqui, mas o que estamos fazendo aqui \u00e9 hist\u00f3ria, n\u00e3o s\u00f3 para n\u00f3s, n\u00e3o s\u00f3 para este relat\u00f3rio, como tamb\u00e9m para essa guarni\u00e7\u00e3o saber que aqui aconteceu isso [tortura]\u201d, disse o advogado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para ele, o mais importante \u00e9 que os algozes dos torturados sejam reconhecidos. \u201cE que tenham a hombridade de comparecer amanh\u00e3 [na confer\u00eancia] e esperamos que, al\u00e9m da Justi\u00e7a os criminalizar, talvez aconte\u00e7a um milagre, que seria uma autocr\u00edtica deles, das For\u00e7as Armadas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outra integrante da comiss\u00e3o, a advogada Eny Moreira, que defendeu dezenas de presos pol\u00edticos, juntamente com o jurista Her\u00e1clito Sobral Pinto, disse que &#8220;perdeu a conta&#8221; dos clientes torturados no local. \u201cNunca vi a tortura ser feita, mas sou testemunha de barb\u00e1ries\u201d, afirmou Eny, lembrando o dia 10 de novembro de 1972, quando o Jornal Nacional informou que a &#8216;terrorista&#8217; Aurora Maria Nascimento Furtado morreu em um tiroteio. \u201cA fam\u00edlia me pediu para liberar o corpo. Quando recebi o corpo, Aurora estava literalmente dilacerada: afundamento no maxilar, sem bicos dos seios, um dos olhos pendurado, rasgo do umbigo at\u00e9 a vagina, fratura externa no bra\u00e7o \u2013 a \u00faltima coisa que fizeram com ela foi pressionar com um torniquete de a\u00e7o seu c\u00e9rebro. Por isso, o olho saltou\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rosalina Santa Cruz tamb\u00e9m ficou presa na Vila Militar, mas em outra unidade, e l\u00e1 ficou com mais seis mulheres, todas na mesma cela, durante todo o ano de 1972. Rosalina lembrou que as mulheres eram sempre torturadas nuas e apenas por homens, geralmente, com choques na vagina. Seu irm\u00e3o, Fernando Santa Cruz, que foi preso no Rio, \u00e9 considerado desaparecido pol\u00edtico. \u201cMinha m\u00e3e [Elzita] tem 100 anos e ainda espera not\u00edcia do filho\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade foi criada em 2012 e deve encerrar seus trabalhos em dezembro deste ano, quando publicar\u00e1 o relat\u00f3rio final, com conclus\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es para reformas em institui\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Integrantes da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) fizeram nesta quinta-feira (23) uma dilig\u00eancia t\u00e9cnica nas depend\u00eancias da antiga unidade da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito na Vila Militar de Deodoro, acompanhados por pessoas que foram torturadas na unidade durante a ditadura (1964-1985). 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