{"id":6897,"date":"2014-02-10T11:41:23","date_gmt":"2014-02-10T11:41:23","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/10\/exposicao-no-rio-revive-inicio-da-ditadura-militar\/"},"modified":"2014-02-10T11:41:23","modified_gmt":"2014-02-10T11:41:23","slug":"exposicao-no-rio-revive-inicio-da-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/10\/exposicao-no-rio-revive-inicio-da-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o no Rio revive in\u00edcio da ditadura militar"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Guardi\u00e3o do acervo de v\u00e1rios artistas e intelectuais brasileiros, o Instituto Moreira Salles (IMS) do Rio de Janeiro fez desse legado a mat\u00e9ria-prima de um evento que procura reviver o ano em que o Brasil mergulhou na ditadura militar.\u00a0Em 1964\u00a0&#8211;\u00a0Arte e Cultura no Ano do Golpe foi aberta \u00a0s\u00e1bado dia 8, \u00e0s 19h, com a releitura do espet\u00e1culo musical\u00a0Opini\u00e3o. A partir de domingo (9) o p\u00fablico poder\u00e1 visitar a exposi\u00e7\u00e3o que traz um panorama da vida cultural naquele ano.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/02\/07\/8fev2014---a-exposicao-em-1964--arte-e-cultura-no-ano-do-golpe-traz-exemplares-e-capas-da-revista-pif-paf-de-8-de-fevereiro-a-23-de-novembro-no-instituto-moreira-salles-no-rio-de-janeiro-1391822596218_800x532.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Estreado em dezembro de 1964, o\u00a0show\u00a0foi considerado um marco na resist\u00eancia cultural ao regime militar. Na releitura, a cantora Joyce vai interpretar o repert\u00f3rio que na \u00e9poca foi cantado por Nara Le\u00e3o (depois substitu\u00edda por Maria Beth\u00e2nia), acompanhada pelo grupo Casuarina. O jornalista S\u00e9rgio Cabral, bi\u00f3grafo de Nara, participar\u00e1 do espet\u00e1culo fazendo coment\u00e1rios e contando hist\u00f3rias do\u00a0show original.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Haver\u00e1 uma \u00fanica apresenta\u00e7\u00e3o, mas a \u00edntegra do espet\u00e1culo ser\u00e1 disponibilizada nosite\u00a0especialmente criado pelo IMS . Tamb\u00e9m far\u00e3o parte do evento, que se estender\u00e1 at\u00e9 novembro, debates, outros dois espet\u00e1culos musicais e uma mostra de filmes que estavam em cartaz naquele ano. A mostra, ali\u00e1s, j\u00e1 come\u00e7ou, antes mesmo da abertura do evento, com a exibi\u00e7\u00e3o, no \u00faltimo fim de semana, dos filmes\u00a0O Processo, de Orson Welles,\u00a0Ivan, o Terr\u00edvel &#8211; parte 2, de Sergei Eisenstein, e\u00a0A Noite, de Michelangelo Antonioni.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO centro do projeto \u00e9 o\u00a0site, que vai ser alimentado e atualizado ao longo do ano, e a exposi\u00e7\u00e3o, ambos com o objetivo b\u00e1sico de mostrar 1964 pelos olhos dos artistas que fazem parte de nosso acervo\u201d, explica o curador do evento, Paulo Roberto Pires, tamb\u00e9m editor da revista de ensaiosSerrote, do IMS. \u201cA proposta \u00e9 fazer uma imers\u00e3o ao longo do ano no dia a dia de 1964. Algumas coisas na mostra s\u00e3o muito pol\u00edticas e outras n\u00e3o. Como, por exemplo, o ensaio sobre a Festa de Iemanj\u00e1, que a fot\u00f3grafa Maureen Bisilliat estava \u00a0fazendo em 1964 e as fotos de publicidade da \u00e9poca\u201d, detalha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O acervo do fot\u00f3grafo Jorge Bodansky, que o IMS acaba de receber, tamb\u00e9m est\u00e1 na mostra. Fazem parte da cole\u00e7\u00e3o imagens de Bras\u00edlia nos dias do golpe, como uma foto em que estudantes ouvem no r\u00e1dio as not\u00edcias sobre o que estava ocorrendo no pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da cronologia da \u00e9poca, o site ter\u00e1 trechos de filmes, imagens e uma atualiza\u00e7\u00e3o semanal, com cr\u00f4nicas, colunas e outros textos produzidos em 1964 pelos autores que integram o acervo do instituto, como Rachel de Queiroz, Otto Lara Resende e Mill\u00f4r Fernandes. \u00a0\u201cA ideia \u00e9 mostrar ao p\u00fablico de hoje como eram as diferentes vis\u00f5es da \u00e9poca, antes e depois do golpe\u201d, diz o curador.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na literatura, foi no ano de 1964 que Clarice Lispector publicou dois de seus livros mais importantes,\u00a0A Paix\u00e3o Segundo G.H.\u00a0e\u00a0A Legi\u00e3o Estrangeira. Tamb\u00e9m naquele ano, Otto Lara Resende lan\u00e7ou seu discutido romance\u00a0O Bra\u00e7o Direito\u00a0e Mill\u00f4r a sua revista de humor\u00a0Pif-Paf, que apesar da vida curta (apenas oito n\u00fameros) ficou na hist\u00f3ria como o marco inicial da imprensa alternativa no Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Paulo Roberto, a proposta de uma remontagem do\u00a0Opini\u00e3o\u00a0partiu do pr\u00f3prio diretor do espet\u00e1culo em 1964, Augusto Boal, falecido em 2009. \u201cNa ocasi\u00e3o, ele conversou com a Joyce e disse que n\u00e3o faria sentido reproduzir os textos [de Oduvaldo Vianna Filho, Armando Costa e Paulo Pontes] porque estavam muito vinculados ao contexto da \u00e9poca. Ent\u00e3o decidimos n\u00e3o fazer uma reconstitui\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo, mas sim uma releitura\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o golpe, o bar era um ref\u00fagio para muita gente que estava sendo perseguida pelo novo regime, mas, ao que tudo indica, agentes da repress\u00e3o tamb\u00e9m iam l\u00e1. \u201cO S\u00e9rgio Cabral conta que estava no ZiCartola quando foi informado que estavam \u00e0 sua procura. &#8216;Foge daqui porque est\u00e3o te seguindo\u201d, disseram ao jornalista. Ele se levantou e foi pra casa. N\u00e3o aconteceu nada.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dois outros espet\u00e1culos musicais alusivos a 1964 ser\u00e3o encenados no audit\u00f3rio do IMS, um dele um tributo a Baden Powell, cujo acervo pessoal tamb\u00e9m se encontra no Instituto. \u201c1964 foi o ano em que Baden iniciou sua carreira internacional, gravando um disco na Fran\u00e7a\u201d, diz o curador. Segundo ele, a exposi\u00e7\u00e3o ter\u00e1 atualiza\u00e7\u00f5es at\u00e9 novembro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os ingressos para o show custam R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia entrada. A exposi\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser visitada de ter\u00e7a-feira a domingo, das 11h \u00e0s 20h. A entrada \u00e9 franca. O IMS fica na Rua Marqu\u00eas de S\u00e3o Vicente, 476, G\u00e1vea, zona sul do Rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Jornal do Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guardi\u00e3o do acervo de v\u00e1rios artistas e intelectuais brasileiros, o Instituto Moreira Salles (IMS) do Rio de Janeiro fez desse legado a mat\u00e9ria-prima de um evento que procura reviver o ano em que o Brasil mergulhou na ditadura militar.\u00a0Em 1964\u00a0&#8211;\u00a0Arte e Cultura no Ano do Golpe foi aberta \u00a0s\u00e1bado dia 8, \u00e0s 19h, com a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6897"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6897\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}