{"id":6913,"date":"2014-02-13T16:57:26","date_gmt":"2014-02-13T16:57:26","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/13\/medico-militar-nega-participacao-em-necropsia-que-atestou-suicidio-em-torturado\/"},"modified":"2014-02-13T16:57:26","modified_gmt":"2014-02-13T16:57:26","slug":"medico-militar-nega-participacao-em-necropsia-que-atestou-suicidio-em-torturado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/13\/medico-militar-nega-participacao-em-necropsia-que-atestou-suicidio-em-torturado\/","title":{"rendered":"M\u00e9dico militar nega participa\u00e7\u00e3o em necr\u00f3psia que atestou suic\u00eddio em torturado"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O laudo da necr\u00f3psia atesta que Colou havia se suicidado por enforcamento<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/jeocaz.files.wordpress.com\/2009\/03\/tortura15b15d.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"481\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9dico aposentado do Ex\u00e9rcito Hargreaves Figueiredo Rocha, de 82 anos, negou hoje (24), em audi\u00eancia p\u00fablica conjunta da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade e da Comiss\u00e3o da Verdade do Rio, na sede do Arquivo Nacional, que tenha participado da necr\u00f3psia do preso pol\u00edtico Severino Viana Colou, que, segundo depoimentos, foi torturado e morto pela Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito em 1969. Hargreaves trabalhava no Hospital Central do Ex\u00e9rcito na \u00e9poca e seu nome consta como um dos respons\u00e1veis pelo exame.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O laudo da necr\u00f3psia atesta que Colou, que era policial militar da Guanabara, havia se suicidado por enforcamento usando a pr\u00f3pria cal\u00e7a, mas depoimentos de ex-presos nas auditorias militares apontam para a ocorr\u00eancia de tortura. O m\u00e9dico aposentado afirmou desconhecer o motivo de seu nome aparecer no documento. O laudo traz rubricas na lateral que ser\u00e3o submetidas a um exame grafot\u00e9cnico para que possam ser identificadas.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esse documento est\u00e1 completamente equivocado. N\u00e3o sei porque meu nome est\u00e1 a\u00ed. O meu Ex\u00e9rcito era outro. Nunca tive que fazer nada que fosse contra a minha \u00e9tica profissional&#8221;, disse Hargreaves. Ele disse que poderia acionar a Justi\u00e7a por causa da cita\u00e7\u00e3o no documento, que classificou tamb\u00e9m de &#8220;falso&#8221;. O m\u00e9dico negou que tenha feito necr\u00f3psias no hospital e disse que trabalhava na cl\u00ednica m\u00e9dica e na pediatria. &#8220;Meu trabalho era pac\u00edfico. N\u00e3o tinha nada a ver com isso&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Outros agentes do regime foram convocados para depor, mas n\u00e3o compareceram. Celso Lauria, capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito na \u00e9poca e encarregado de um inqu\u00e9rito policial militar que investigou o grupo armado VAR-Palmares, apresentou um atestado m\u00e9dico, e o ent\u00e3o sargento Euler Moreira justificou a aus\u00eancia alegando que j\u00e1 tinha uma viagem programada e paga.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Ainda na parte da manh\u00e3, foi ouvido o ex-l\u00edder do grupo VAR-Palmares Ant\u00f4nio Roberto Espinosa, preso com Maria Auxiliadora Lara Barcelos e Chael Charles Schreier, morto sob tortura tamb\u00e9m na sede da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, na Vila Militar, zona oeste do Rio. O trio foi preso em uma casa no bairro Lins de Vasconcelos, ap\u00f3s ser denunciado pelo propriet\u00e1rio da casa que alugava. Os tr\u00eas tentaram resistir \u00e0 pris\u00e3o, mas n\u00e3o conseguiram fugir.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Na pris\u00e3o, Ant\u00f4nio conta ter sofrido com Chael e Maria Auxiliadora torturas f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas de diferentes tipos, como agress\u00f5es, choques el\u00e9tricos e sess\u00f5es no pau de arara. &#8220;Meu p\u00eanis chegou a ser amarrado a um arame, que era puxado por um militar que corria e eu tinha que seguir&#8221;. Contra a namorada, os supl\u00edcios eram principalmente de cunho sexual, com frequentes agress\u00f5es verbais e xingamentos. Com 25 anos na \u00e9poca, Maria era mantida nua na cela e os militares chegaram a usar uma tesoura com que amea\u00e7avam cortar seus mamilos. Ela se suicidou dois anos depois no metr\u00f4 de Berlim, cidade alem\u00e3 onde estava exilada.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Ao ser torturado, segundo Ant\u00f4nio, Chael recebeu uma coronhada de pistola que quebrou seu maxilar. O jornalista afirma acreditar que o golpe que matou o companheiro foi uma pancada de fuzil contra o t\u00f3rax. O preso foi levado para o Hospital Central do Ex\u00e9rcito, mas o general Galeno Penha Franco se recusou a declar\u00e1-lo morto na unidade. Um laudo foi feito a pedido do militar, e nele foram registrados todos os ferimentos da tortura, mas, mesmo assim, o Ex\u00e9rcito declarou que a causa da morte foi um ataque card\u00edaco em decorr\u00eancia dos ferimentos causados na troca de tiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O corpo foi levado para S\u00e3o Paulo, para se enterrado de acordo com rituais judaicos da fam\u00edlia de Chael, dentro de um caix\u00e3o lacrado e acompanhado por agentes. Ao chegarem \u00e0 sinagoga, no entanto, os militares foram barrados da cerim\u00f4nia por n\u00e3o serem judeus, e, \u00a0dentro do templo, uma junta m\u00e9dica fez secretamente uma nova aut\u00f3psia, que constatou a tortura. O caso ganhou repercuss\u00e3o internacional e foi capa da revista Veja na \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Capital Teresina<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O laudo da necr\u00f3psia atesta que Colou havia se suicidado por enforcamento<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6913"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6913"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6913\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}