{"id":714,"date":"2012-05-25T03:17:36","date_gmt":"2012-05-25T03:17:36","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/25\/um-mes-da-morte-de-maria-celia-vilela-2\/"},"modified":"2012-05-25T03:17:36","modified_gmt":"2012-05-25T03:17:36","slug":"um-mes-da-morte-de-maria-celia-vilela-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/25\/um-mes-da-morte-de-maria-celia-vilela-2\/","title":{"rendered":"Um m\u00eas da morte de Maria C\u00e9lia Vilela"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Morreu, dia 27 de abril, Maria C\u00e9lia Vilela.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Pessoalmente n\u00e3o fui pr\u00f3ximo e com ela sequer tinha amizade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Mas, por \u00a0conta da pesquisa para o livro sobre a organiza\u00e7\u00e3o de esquerda &#8220;A\u00e7\u00e3o Popular&#8221; que estou terminando de preparar, conheci a Maria C\u00e9lia que viveu num tempo em que mulheres valentes ensinavam a homens quando era preciso ser homem.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na resist\u00eancia \u00e0 ditadura e na luta pelo socialismo ela n\u00e3o foi um quadro revolucion\u00e1rio, mas nem por isso menos importante.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Maria Celia era uma pessoa pr\u00f3xima da AP, fazia parte da log\u00edstica da organiza\u00e7\u00e3o, abastecendo com dinheiro, roupas e alimenta\u00e7\u00e3o seus militantes e dirigentes. Mas junto do suprimento necess\u00e1rio ela entregava tamb\u00e9m a sua ternura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um dia, ela conheceu em S\u00e3o Paulo Jair Ferreira de S\u00e1 ou Dorival, principal dirigente da AP, que a procurou n\u00e3o para conversar sobre a linha, estrat\u00e9gia e t\u00e1tica pol\u00edtica da AP.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dorival pediu a Maria Celia que fizesse companhia a Umberto C\u00e2mara Neto, porque o ex-diretor da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE) e militante da AP estava solit\u00e1rio, quase depressivo. A partir de ent\u00e3o ela passou a almo\u00e7ar, ir a cinema, passear e jogar conversa fora com o militante fragilizado. N\u00e3o havia discuss\u00e3o pol\u00edtica, mas apenas a solidariedade, vermelha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em setembro de 1973, Maria C\u00e9lia foi presa por agentes do DOI-CODI paulista, ent\u00e3o comandado pelo carniceiro torturador e oficial do ex\u00e9rcito Carlos Alberto Brilhante Ustra.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os torturadores n\u00e3o tinham sobre o que interrog\u00e1-la e por isso n\u00e3o tocaram num fio do seu cabelo, mas n\u00e3o tiveram limites na tortura psicol\u00f3gica: os ratos de pelo cor de oliva e de porrete na m\u00e3o a deixavam nua e obrigavam-na a assistir as torturas f\u00edsicas contra sua irm\u00e3, cunhado e amigos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Carregando no ventre o seu primeiro filho, a mulher enfrentou com coragem as atrocidades na masmorra da brutalidade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por isso tudo cheguei a conclus\u00e3o na minha pesquisa que, al\u00e9m de uma boa esposa, m\u00e3e, tia, irm\u00e3 e amiga, Maria C\u00e9lia tamb\u00e9m foi mulher especial. Uma das tais.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">Um abra\u00e7o a todos,<\/p>\n<p class=\"p1\">Otto Filgueiras<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morreu, dia 27 de abril, Maria C\u00e9lia Vilela. Pessoalmente n\u00e3o fui pr\u00f3ximo e com ela sequer tinha amizade. 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