{"id":7185,"date":"2014-04-15T22:16:35","date_gmt":"2014-04-15T22:16:35","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/15\/futebol-e-a-ditadura\/"},"modified":"2014-04-15T22:16:35","modified_gmt":"2014-04-15T22:16:35","slug":"futebol-e-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/15\/futebol-e-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Futebol e a ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O futebol e a ditadura andaram muito pr\u00f3ximos na Am\u00e9rica Latina, mas essa liga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acontece no regime democr\u00e1tico. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 do historiador e jornalista L\u00facio de Castro durante uma das mesas (\u201cFutebol e ditaduras na Am\u00e9rica Latina\u201d) de debates da 2\u00aa Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que est\u00e1 acontecendo em Bras\u00edlia desde sexta-feira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7184\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/futebol%2Be%2Bditadura%2Blogo.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"202\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nessa mesma\u00a0 mesa sentou-se o escritor uruguaio Eduardo Galeno que, \u00e0s folhas tantas, numa entrevista \u00e0 imprensa disse que o futebol aparece mais nas p\u00e1ginas de Economia do que nas de Esporte: \u201cQuando abro as p\u00e1ginas dos jornais, sinto que estava lendo a editoria de economia. Afinal, ali s\u00f3 se falam dos valores dos passes de jogadores, como se todos tivessem um pre\u00e7o. Se houvesse respeito ao futebol, os atletas seriam respeitados e n\u00e3o confundidos com mercadorias\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Eduardo Galeano, 73 anos, jornalista, est\u00e1 no time dos grandes escritores da Am\u00e9rica Latina. \u00c9 autor do livro As Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina, considerado pelas esquerdas como um dos cl\u00e1ssicos entre as obras que tratam\u00a0 da hist\u00f3ria e desenvolvimento econ\u00f4mico do continente, passando pelo carimbo da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de seus governantes. O livro foi publicado no Brasil (tradu\u00e7\u00e3o de Galeno de Freitas) pela editora Paz e Terra, em 1977. O conselho editorial da Paz e Terra era formado por Ant\u00f4nio C\u00e2ndido, Celso Furtado e Fernando Henrique Cardoso. O Brasil, claro, ocupa bons espa\u00e7os por estas veredas abertas pelo escritor uruguaio.<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nesse livro, Eduardo Galeano tira um fino no Rio Grande do Norte. Est\u00e1 num dos subt\u00edtulos do cap\u00edtulo \u201cO rei a\u00e7\u00facar e outros monarcas agr\u00edcolas\u201d. O subt\u00edtulo \u00e9 \u201cA venda de camponeses\u201d. A seca serve de mote para a an\u00e1lise de Galeano, no caso a seca de 1970. Um dos trechos diz:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA seca de 1970 lan\u00e7ou multid\u00f5es famintas sobre as cidades do Nordeste. Saquearam trens e lojas; aos berros imploraram chuva a S\u00e3o Jos\u00e9 Os flagelados lan\u00e7aram-se na estrada.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Galeano exagerou na caneta. Flagelado nordestino n\u00e3o berra para S\u00e3o Jos\u00e9 pedindo chuva. Reza.\u00a0 O exagero pode ser atribu\u00eddo ao tradutor. Mais adiante, no rastro dessa retirada dos flagelados, \u00e9 citado o Rio Grande do Norte. Est\u00e1 escrito assim:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cUm telegrama de 1970 informa: \u201cA pol\u00edcia do Estado de Pernambuco deteve no \u00faltimo domingo, no munic\u00edpio de Bel\u00e9m do S\u00e3o Francisco, 210 camponeses que iam ser vendidos aos propriet\u00e1rios rurais do Estado de Minas Gerais a 18 d\u00f3lares por cabe\u00e7a. Os camponeses eram provenientes da Para\u00edba e Rio Grande do Norte, dos estados mais castigados pela seca.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dos livros de Eduardo Galeano (s\u00e3o mais de vinte, e eu tenho quatro) o que gosto de acariciar \u00e9 o que fala de futebol: \u201cFutebol ao sol e \u00e0 sombra\u201d, tradu\u00e7\u00e3o de Eric Nepomuceno e Maria do Carmo Brito, edi\u00e7\u00e3o da L&#038;PM, de 1995. Deliciosas cr\u00f4nicas que fazem lembrar, no estilo, uma troca de bolas entre Nelson Rodrigues \u2013 Paulo Mendes Campos \u2013 Carlos Drummond de Andrade \u2013 Armando Nogueira. Nos textos de Galeano est\u00e3o escalados grandes craques brasileiros, entre eles, Le\u00f4nidas, Ademir, Domingos da Guia, Zizinho, Fria\u00e7a, Nilton Santos, Jairzinho, S\u00f3crates, Rom\u00e1rio, Pel\u00e9, Vav\u00e1, Zico, Heleno de Freitas, Falc\u00e3o, claro, Garrincha. Confira este canto sobre Garrincha:<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gol de Garrincha<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi em 1958, na It\u00e1lia. A sele\u00e7\u00e3o do Brasil jogava contra o Florentina, a caminho do Mundial da Su\u00e9cia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Garrincha invadiu a \u00e1rea, deixou um beque sentado e se livrou de outro, e de outro. Quando j\u00e1 tinha enganado at\u00e9 o goleiro, descobriu que havia um jogador na linha do gol: Garrincha fez que sim, fez que n\u00e3o, fez de conta que chutava no \u00e2ngulo e o pobre coitado bateu com o nariz na trave. Ent\u00e3o, o arqueiro tornou a incomodar. Garrincha meteu-lhe a bola entre as pernas e entrou no arco.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Depois, com a bola embaixo do bra\u00e7o, voltou lentamente ao campo. Caminhava olhando para o ch\u00e3o, Chaplin em c\u00e2mara lenta, como que pedindo desculpas por aquele gol que levantou a cidade de Floren\u00e7a inteira.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Le\u00f4nidas de Paula<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Da noite de s\u00e1bado para domingo parou o cora\u00e7\u00e3o de Le\u00f4nidas Ferreira de Paula, empres\u00e1rio do campo, ra\u00edzes plantadas na agricultura e pecu\u00e1ria com segmentos na ind\u00fastria de latic\u00ednios. L\u00edder nato dirigiu v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es. Foi presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Rio Grande do Norte, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Criadores do Rio Grande do Norte (Anorc), presidente do Sindicato a Ind\u00fastria de Latic\u00ednios,\u00a0 presidente do Conselho Administrativo do Sebrae, diretor da Fiern. Exerceu ainda o cargo de Secret\u00e1rio de Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado do Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cordial, bom administrador, eficiente, bom papo, simples. Tinha 70 anos. Seu sepultamento aconteceu na manh\u00e3 no cemit\u00e9rio Morada da Paz, em Ema\u00fas, com grande acompanhamento.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Chuva<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Chuvas m\u00e9dias no final de semana, mais concentradas no Oeste e Serid\u00f3, acumuladas de sexta-feira para o amanhecer de ontem: Para\u00fa, 76 mil\u00edmetros, Patu, 36, S\u00e3o Francisco do Oeste, 30, Rafael Fernandes e Coronel Jo\u00e3o Pessoa, 28, Upanema, 26, Portalegre e Vi\u00e7osa, 20 (Oeste). No Serid\u00f3: S\u00e3o Jo\u00e3o do Sabugi, 23, Ouro Branco e Flor\u00e2nia, 12, Cruzeta, 11, Santana do Matos, 10.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ariano<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O escritor Ariano Suassuna, que \u00e9 um dos homenageados da 2\u00aa Bienal Brasil do Livro e da Literatura, que se realiza em Bras\u00edlia, ser\u00e1 o palestrante de hoje, noite de lua cheia sobre a Esplanada.\u00a0 A Bienal segue at\u00e9 o dia 21, consagrado a Tiradentes.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Bazar <\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foi aberto ontem e vai at\u00e9 quinta, 17 (das 9 \u00e0s 19 horas), o Bazar de P\u00e1scoa montado no Espa\u00e7o Renata Motta Gastronomia, que fica na rua Monsenhor Hon\u00f3rio, 218, no Tirol.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Profeta <\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ainda do escritor Eduardo Galeano, vidrado em futebol, diante das cr\u00edticas de que a Copa da Fifa vai fracassar por conta do atraso das obras, e dando corda no seu otimismo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o acredito nos profetas b\u00edblicos, muito menos nos profetas esportivos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Tribuna do Norte<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futebol e a ditadura andaram muito pr\u00f3ximos na Am\u00e9rica Latina, mas essa liga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acontece no regime democr\u00e1tico. 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