{"id":7200,"date":"2014-04-22T14:12:27","date_gmt":"2014-04-22T14:12:27","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/22\/expedicao-no-araguaia-relembra-fragmentos-da-guerrilha\/"},"modified":"2014-04-22T14:12:27","modified_gmt":"2014-04-22T14:12:27","slug":"expedicao-no-araguaia-relembra-fragmentos-da-guerrilha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/22\/expedicao-no-araguaia-relembra-fragmentos-da-guerrilha\/","title":{"rendered":"Expedi\u00e7\u00e3o no Araguaia relembra fragmentos da guerrilha"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quando o Curi\u00f3 pulou em cima da Dina, ela, mesmo ferida, no ch\u00e3o, apenas com uma bala no rev\u00f3lver, atirou e acertou a boca do major. E ainda teria dito: Voc\u00ea pode me prender que voltaremos daqui a 20 anos.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">UJS<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7199\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/guerrilha_ok59821.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Di\u00e1rio do Araguaia \u2013 manuscrito 3\u00ba dia: 18 de abril, encontro com a Guerrilha  <!--more-->  <\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O dia chegou. Por volta das 9h30 do dia 18 de abril de 2014, pouco mais de 40 jovens embarcaram em nove voadeiras (pequenos barcos) de Xambio\u00e1, no Tocantis, rumo \u00e0 Vila Santa Cruz dos Mart\u00edrios, localizada a duas horas do outro lado do Rio Araguaia, j\u00e1 no Par\u00e1. Ali, junto aos moradores locais, come\u00e7aram a reviver tamb\u00e9m Osvald\u00e3o, Valqur\u00edria, Juca, Grabois, os irm\u00e3os Petit, Arroyo, Amauri, Doca, Duda, Cristina, Rosa, Joca, Peri, Ari, S\u00f4nia e muitos outros guerrilheiros.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Santa Cruz dos Mart\u00edrios \u00e9 um local de dif\u00edcil acesso, com uma popula\u00e7\u00e3o cuja vida est\u00e1 irremediavelmente ligada ao seu meio. S\u00e3o camponeses, lavradores, pescadores e vaqueiros dentre as 47 fam\u00edlias e 150 pessoas registrados pela Ag\u00eancia Municipal de Sa\u00fade. A escolha do Partido Comunista do Brasil em se fixar nessa terra, no entorno do vale do baixo Araguaia e curso m\u00e9dio de Tocantins se deu por alguns fatores: o militar \u2013 uma regi\u00e3o coberta de mata fechada, onde as For\u00e7as Armadas teriam muita dificuldade para usar meios militares avan\u00e7ados, como canh\u00f5es, tanques e avia\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e, tamb\u00e9m, uma regi\u00e3o \u201cn\u00e3o queimada\u201d, com fraca presen\u00e7a da repress\u00e3o; e o pol\u00edtico \u2013 a regi\u00e3o tenderia a se tornar bastante povoada por camponeses pobres, pois levas e levas de lavradores expulsos de outros lugares j\u00e1 rumavam para o Araguaia, sendo assim, os guerrilheiros poderia elaborar um trabalho pol\u00edtico e social junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 a toa que em Santa Cruz do Mart\u00edrio \u00e9 f\u00e1cil encontrar pessoas de outros estados, como Minas Gerais, Bahia e Maranh\u00e3o. A faixa et\u00e1ria que predomina na regi\u00e3o \u00e9 a idosa, o que significa que muitos moradores fotografaram com as pr\u00f3prias retinas a Guerrilha do Araguaia. At\u00e9 hoje, o conflito \u00e9 profundamente marcado e enraizado no cora\u00e7\u00e3o dos moradores da regi\u00e3o. Muitos camponeses sofreram torturas ou perderam suas vidas por apoiarem, mesmo que sentimentalmente, os guerrilheiros. Outros foram obrigados a caminhar com o ex\u00e9rcito para ajud\u00e1-lo no reconhecimento da regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Tudo \u00e9 ainda t\u00e3o presente que as primeiras instru\u00e7\u00f5es dadas aos jovens quando pisaram em Santa Cruz foram as de que em nenhuma circunst\u00e2ncia se deveria pressionar os moradores sobre o epis\u00f3dio. Se quiserem contar, ir\u00e3o contar. Se n\u00e3o quiserem, n\u00e3o ir\u00e3o. Outra instru\u00e7\u00e3o coincide com a data exata da caravana no local: era uma sexta-feira da Paix\u00e3o e a comunidade \u00e9 religiosa. Bebida alco\u00f3lica, por exemplo, s\u00f3 depois da meia noite.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Encontro com a Guerrilha<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A primeira atividade do dia foi uma aula com dois moradores da regi\u00e3o. Abel Pojo \u00e9 turism\u00f3logo e gerente do Parque Estadual da Serra dos Mart\u00edrios\/Andorinhas e Paulo C\u00e9sar \u00e9 professor de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica na escola estadual de Xambio\u00e1. Ambos passaram uma perspectiva mais particular de quem mora e conviveu com camponeses presentes durante a Guerrilha do Araguaia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Abel, estudante de turismo e agente da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), explicou que a presen\u00e7a da guerrilha impactou at\u00e9 a nomenclatura do parque estadual na regi\u00e3o. O local sempre foi conhecido como Serra das Andorinhas, devido ao grande n\u00famero do p\u00e1ssaro no local. Mas, conta a hist\u00f3ria que na \u00e1rea da serra, \u00e0s margens do rio Araguaia, perto da Vila Santa Cruz, no munic\u00edpio de S\u00e3o Geraldo do Araguaia, foram descobertas centenas de grava\u00e7\u00f5es rupestres, feitas por povos pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Essas inscri\u00e7\u00f5es, encontradas por navegadores portugueses por volta de 1590, receberam o nome de \u201cMart\u00edrio\u201d porque os marinheiros, homens r\u00fasticos, consideraram os desenhos semelhantes \u00e0 coroa dos mart\u00edrios de Cristo. A partir de ent\u00e3o, o lugar ficou conhecido como Parque Estadual Serra dos Mart\u00edrios\/Andorinhas. \u201cNo entanto, com o t\u00e9rmino da guerrilha, o governo rebatizou a Serra dos Mart\u00edrios como Serra das Andorinhas, para n\u00e3o associar o nome com o confronto sangrento da Guerrilha do Araguaia. S\u00f3 muito tempo depois, j\u00e1 com a Lei de Anistia, que o nome voltou a ser o que era\u201d, explicou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Paulo Cesar apontou uma perspectiva muito interessante do ponto de vista dos moradores locais: \u201cEm uma noite, a cidade de tr\u00eas mil habitantes foi tomada por milhares de militares. De repente, eles acordaram e viram na porta do mercado que estavam acostumados a ir cartazes com a foto dos \u2018paulistas\u2019, como os guerrilheiros eram chamados. Dina era a melhor parteira da regi\u00e3o e Murilo tinha uma farm\u00e1cia. Eles transmitiam seguran\u00e7a. Aquelas pessoas de confian\u00e7a, de repente, foram taxados de terroristas e tiveram pre\u00e7os fixados para quem os encontrassem vivos ou mortos. Todos ficaram confusos porque n\u00e3o havia ali informa\u00e7\u00e3o nem havia interesse por parte dos militares de posicionamento sobre o outro lado da hist\u00f3ria. A popula\u00e7\u00e3o era totalmente desinformada e, por isso mesmo, ficou com medo de tudo aquilo\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s os destacamentos se reunirem e fazerem suas respectivas perguntas aos convidados, eles se dividiram em grupos para conhecerem os igarap\u00e9s de \u00e1guas cristalinas e fazerem pesquisa de campo com os moradores de Santa Cruz.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Relatos<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com o respeito e a admira\u00e7\u00e3o do povo do lugar, os comunistas da Guerrilha do Araguaia conseguiram levar benef\u00edcios para aquele parcela exclu\u00edda e manter uma rela\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo de amizade. Dona Geralda, moradora de Santa Cruz, deu seu depoimento para um dos destacamentos: \u201cEles davam rem\u00e9dio e conquistavam o pessoal. Conquistavam assim, dizendo que o pessoal tinha uma cegueira de falar. Eles eram todos do bem, o problema eram os militares. Quando o helic\u00f3ptero passava tinha que levantar meu filho de seis meses pra cima, pra dizer que eu estava ali desarmada, sem esconder ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Seu Pa\u00e7oca, outro morador local que convivia com os guerrilheiros na vila, acrescentou para outro destacamento: \u201cDina era a melhor parteira e visitava a gente aqui. Ari tinha a farm\u00e1cia e falava de hospital, escola. Depois que o Ari desapareceu, a farm\u00e1cia dele sumiu e nunca mais tivemos esse tipo de assist\u00eancia\u201d. De fato, em Santa Cruz dos Mart\u00edrios n\u00e3o h\u00e1 sequer posto m\u00e9dico. H\u00e1 uma ambul\u00e2ncia fluvial para casos extremos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Seu Domingos, que chegou em dezembro em Santa Cruz, mas sempre viveu pela regi\u00e3o, ainda concluiu: \u201cEles convidavam o povo para a democracia e foi isso que eles nos ensinaram. Eles nos conquistaram, anos depois, a liberdade, mas tiveram que pagar o pre\u00e7o. E n\u00f3s tamb\u00e9m pagamos, pois perdemos tudo que t\u00ednhamos\u201d.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Cinema sagrado<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s as atividades, l\u00e1 para as nove horas da noite, os jovens socialistas presenciaram uma cena emocionante. A caravana levou, pela primeira vez \u00e0 comunidade, o filme \u201cAraguaia: Campo Sagrado\u201d, do diretor Evandro Medeiros. A ideia do document\u00e1rio \u00e9 abordar a Guerrilha a partir de narrativas de camponeses que sofreram tortura e viol\u00eancia por parte do ex\u00e9rcito. S\u00e3o ouvidos tamb\u00e9m camponeses que, muitas vezes por falta de op\u00e7\u00e3o e obrigados, ajudaram os militares nas rondas pelas matas \u00e0 procura dos focos da Guerrilha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Muitos desses camponeses s\u00e3o moradores da regi\u00e3o e familiares dos moradores. Aparecia algum semblante conhecido, pronto: era risada, burburinho e emo\u00e7\u00e3o. Dona Geralda, a camponesa que concedeu entrevista aos moradores, chegou a perguntar se ainda estava viva, pois nunca havia sentido seu cora\u00e7\u00e3o bater t\u00e3o forte.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00e3o muitas as consequ\u00eancias desse per\u00edodo na vida da popula\u00e7\u00e3o local. Muitos ainda sofrem perturba\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas. Por muito tempo, houve um sil\u00eancio entre os camponeses, mas hoje as coisas j\u00e1 est\u00e3o come\u00e7ando a mudar. Mais importante do que fazer esse document\u00e1rio, \u00e9 voltar depois aqui e presenciar o rosto de cada um que participou. Tenho muito a agradecer essa caravana\u201d, explicou F\u00e1bio, um dos produtores do filme.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00f3xima parada: Xambio\u00e1 (TO)<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A caravana do projeto \u201cLutas que constru\u00edram o Brasil\u201d seguir\u00e1 pela manh\u00e3 do dia 19 de abril, em dois carros \u201cpau de arara\u201d rumo \u00e0 cidade de S\u00e3o Geraldo do Araguaia, do lado paraense do Rio. Ser\u00e3o 39 quil\u00f4metros de estrada de ch\u00e3o. De l\u00e1, pegam novamente os pequenos barcos voadeiras para Xambio\u00e1, cidade do Tocantins muito conhecida por todos militantes da UJS e que serviu de ponto de apoio tanto para o ex\u00e9rcito como para a Guerrilha.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Araguaianas \u2013 notas de uma viagem<\/strong><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>1. 2.200 quil\u00f4metros rodados e muitas horas \u2013<\/strong> Se tomarmos o ponto de partida sendo S\u00e3o Paulo, a caravana do Araguaia j\u00e1 percorreu cerca de 2.200 quil\u00f4metros. Saiu de avi\u00e3o no dia 16 de abril \u00e0s 9h50, chegando em Palmas \u00e0s 15h30, uma dist\u00e2ncia de pouco mais de 1.700 km. Ap\u00f3s dois dias na capital do Tocantins, os jovens partiram \u00e0 meia noite, de \u00f4nibus, rumo a Xambio\u00e1 (TO), rodando mais 482 km em nove horas e trinta minutos. Em Xambio\u00e1, atravessaram o Rio Araguaia de barco at\u00e9 chegaram \u00e0 Vila Santa Cruz dos Mart\u00edrios (PA). A pr\u00f3xima parada \u00e9 em S\u00e3o Geraldo do Araguaia (PA).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Campo sagrado \u2013<\/strong> Filme de 2011, com 50 minutos e dire\u00e7\u00e3o de Evandro Medeiros. A narrativa aborda os duros acontecimentos da invas\u00e3o militar ao sul do Par\u00e1 para sufocar o mais importante evento de resist\u00eancia ao regime dos generais, organizada na clandestinidade pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), entre 1972 a 1975. A pel\u00edcula \u00e9 contundente pelos depoimentos de camponeses, ex-mateiros e soldados que atuaram naquele epis\u00f3dio. A justificativa para o t\u00edtulo [campo sagrado] tem tr\u00eas explica\u00e7\u00f5es: primeiro, o \u201csolo sagrado\u201d, porque at\u00e9 hoje muitos corpos de guerrilheiros mortos ainda n\u00e3o foram encontrados na regi\u00e3o; segundo, o \u201ctema sagrado\u201d, porque h\u00e1 muita gente que evita falar sobre o ocorrido, tratando a Guerrilha com certo medo e cuidado. Por \u00faltimo, a \u201csagrada festa da vida\u201d expressa por festejos religiosos que muitos camponeses realizam, at\u00e9 hoje, como forma de pagar promessas por gra\u00e7as alcan\u00e7adas, entre elas, ter sobrevivido \u00e0 viol\u00eancia do ex\u00e9rcito na \u00e9poca da Guerrilha. \u00c9 a Festa do Divino Esp\u00edrito Santo, que ocorre desde 1980, na Serra das Andorinhas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>3. Causos \u2013<\/strong> Na Vila Santa Cruz dos Mart\u00edrios os mitos, lendas e verdades que rodam as hist\u00f3rias sobre a Guerrilha do Araguaia come\u00e7aram a ganhar vida. Em bate papos com os moradores, contam que Osvald\u00e3o, de t\u00e3o \u00e1gil, virava cupinzeiro, e a Dina guardava arma na pr\u00f3pria pele. Sobre a Dina, um morador disse que ela podia estar nua, que sacava uma arma sabe-se l\u00e1 de onde.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Uni\u00e3o da Juventude Socialista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o Curi\u00f3 pulou em cima da Dina, ela, mesmo ferida, no ch\u00e3o, apenas com uma bala no rev\u00f3lver, atirou e acertou a boca do major. E ainda teria dito: Voc\u00ea pode me prender que voltaremos daqui a 20 anos. 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