{"id":7210,"date":"2014-04-24T16:50:20","date_gmt":"2014-04-24T16:50:20","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/24\/cnv-volta-a-dourados-ms-para-ouvir-indigenas-de-7-etnias\/"},"modified":"2014-04-24T16:50:20","modified_gmt":"2014-04-24T16:50:20","slug":"cnv-volta-a-dourados-ms-para-ouvir-indigenas-de-7-etnias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/24\/cnv-volta-a-dourados-ms-para-ouvir-indigenas-de-7-etnias\/","title":{"rendered":"CNV volta a Dourados (MS) para ouvir ind\u00edgenas de 7 etnias"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade realiza sua segunda audi\u00eancia p\u00fablica em Dourados (MS) nos pr\u00f3ximos dias 25 e 26 de abril, no cine-audit\u00f3rio da UFGD. Nesta segunda sess\u00e3o ser\u00e3o apresentados nove casos de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos contra os ind\u00edgenas em Mato Grosso do Sul, ocorridas no per\u00edodo estabelecido pelo mandato da CNV (1946-1988). A viol\u00eancia sistem\u00e1tica contra os \u00edndios no Estado culminou em sua expuls\u00e3o de seus territ\u00f3rios tradicionais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7208\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/indios_ms.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address>Ind\u00edgenas do Mato Grosso do Sul aguardam para prestar depoimento na primeira audi\u00eancia da CNV em Dourados. Foto: Marcelo Christov\u00e3o \/ ASCOM &#8211; MPF-MS  <!--more-->  <\/address>\n<address><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A audi\u00eancia contar\u00e1 com a presen\u00e7a das etnias guarani-\u00f1andeva, guarani-kaiow\u00e1, terena, kadiw\u00e9u, kinikinau, ofai\u00e9-xavante e guat\u00f3, todas de Mato Grosso do Sul. Especialistas acompanhar\u00e3o os depoimentos devido \u00e0 dificuldade dos ind\u00edgenas com a l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 a segunda audi\u00eancia da CNV exclusiva para ouvir ind\u00edgenas. Integrante da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, a psicanalista Maria Rita Kehl j\u00e1 percorreu v\u00e1rios Estados para ouvir ind\u00edgenas em suas terras. Ela esteve com os Guarani do Paran\u00e1, Suru\u00ed do Par\u00e1, os waimiri e ianomamis de Amazonas e Roraima, os patax\u00f3 e tupinamb\u00e1 da Bahia e os kayow\u00e1 do Mato Grosso do Sul. Al\u00e9m disso, a psicanalista recebeu os xavante de maraiwatsed\u00e9, do Mato Grosso, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para Maria Rita Kehl, ouvir os \u00edndios \u00e9 fundamental para o trabalho que ela vem desenvolvendo a frente do grupo de trabalho &#8220;Graves viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos no campo ou contra ind\u00edgenas&#8221;: &#8220;Aprendi, ao escrever meus cap\u00edtulos sobre graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos contra camponeses e ind\u00edgenas, que n\u00e3o basta documentar as viol\u00eancias ocorridas. A sociedade brasileira desconhece grande parte do que ocorreu com os camponeses, e mais ainda com os \u00edndios. Muita gente, de boa f\u00e9, me pergunta: &#8216;mas os \u00edndios lutaram contra a ditadura?&#8217;. Por isso, para melhor sensibilizar a sociedade e melhor qualificar os muitos tipos de viola\u00e7\u00f5es graves sofridas por estes brasileiros de regi\u00f5es isoladas do pa\u00eds (principalmente no per\u00edodo de 1946 a 88, coberto pela CNV), entendi a import\u00e2ncia de colher depoimentos das v\u00edtimas. S\u00f3 assim consigo transmitir aos leitores n\u00e3o apenas as graves viola\u00e7\u00f5es cometidas por agentes do Estado, ou com sua coniv\u00eancia (como ocorre at\u00e9 hoje), mas tamb\u00e9m parte da cultura das v\u00edtimas, da sensibilidade particular de cada sub grupo, de cada etnia. Espero que meu relat\u00f3rio tenha tamb\u00e9m este efeito, de sensibilizar o Brasil para a enorme riqueza cultural e subjetiva que se perde com a destrui\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida de camponeses e ind\u00edgenas&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o MPF-MS, as informa\u00e7\u00f5es e depoimentos desta segunda audi\u00eancia v\u00e3o somar com as j\u00e1 colhidas pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade em 21 de fevereiro, na 1\u00aa audi\u00eancia da CNV voltada para os direitos ind\u00edgenas no pa\u00eds. Poder\u00e3o servir como base para poss\u00edveis pedidos de indeniza\u00e7\u00e3o coletiva, ou outras a\u00e7\u00f5es compensat\u00f3rias, em favor das comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para o procurador da Rep\u00fablica Marco Antonio Delfino, &#8220;\u00e9 importante que n\u00f3s entendamos este processo hist\u00f3rico, que ocasiona 60 suic\u00eddios ao ano. A viol\u00eancia sist\u00eamica come\u00e7ou l\u00e1 atr\u00e1s, capitaneada pelo Estado brasileiro. Crimes foram cometidos, remo\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es inteiras, para atender interesses particulares. Estamos resgatando o direito \u00e0 verdade, \u00e0 repara\u00e7\u00e3o e, principalmente, agindo para que isso n\u00e3o se repita&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O evento \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o conjunta da CNV, do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do MS, do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, da Funai e da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, mesmos parceiros da primeira edi\u00e7\u00e3o e contar\u00e1 com transmiss\u00e3o ao vivo da UFGD. Voc\u00ea poder\u00e1 assistir a transmiss\u00e3o da audi\u00eancia, produzida pela UFGD, no site da CNV, em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cnv.gov.br\/aovivo\">www.cnv.gov.br\/aovivo<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Neste v\u00eddeo, produzido pela equipe de comunica\u00e7\u00e3o do MPF-MS, que re\u00fane imagens da primeira audi\u00eancia realizada em Dourados, em 21 de fevereiro, \u00e9 poss\u00edvel ter uma ideia do drama vivido pelos ind\u00edgenas no Estado:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tDKhFFXiJZE\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tDKhFFXiJZE<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p> <object width=\"560\" height=\"315\"><param name=\"movie\" value=\"\/\/www.youtube.com\/v\/tDKhFFXiJZE?hl=pt_BR&amp;version=3&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/tDKhFFXiJZE?hl=pt_BR&amp;version=3&amp;rel=0\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object> <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Confira a\u00a0<a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/PROG%202%20CNV.pdf\">programa\u00e7\u00e3o completa da audi\u00eancia aqui<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de Mato Grosso do Sul \u00e9 a segunda maior do pa\u00eds, com mais de 70 mil pessoas. A maior etnia \u00e9 a dos guarani, que habitam territ\u00f3rios ao sul do estado. A taxa de mortalidade infantil entre a etnia guarani-kaiow\u00e1 \u00e9 de 38 para cada mil nascidos vivos, enquanto a m\u00e9dia nacional \u00e9 de 25 mortes por mil nascimentos. J\u00e1 a taxa de assassinatos &#8211; cem por cem mil habitantes \u00e9 quatro vezes maior que a m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>RELAT\u00d3RIO &#8211;<\/strong> As audi\u00eancias ser\u00e3o precedidas, no dia 24 de abril, \u00e0s 19h, por uma apresenta\u00e7\u00e3o do pesquisador Marcelo Zelic, do projeto Armaz\u00e9m Mem\u00f3ria, sobre o Relat\u00f3rio Figueiredo. O relat\u00f3rio, produzido em 1968 pelo procurador da Rep\u00fablica Jader de Figueiredo Correia, foi localizado por Zelic no Museu do \u00cdndio. Antes, julgava-se que o relat\u00f3rio havia sido destru\u00eddo em um inc\u00eandio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio aponta que latifundi\u00e1rios e funcion\u00e1rios do extinto Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio (SPI) estiveram envolvidos em torturas e outras graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos contra os \u00edndios. Segundo Maria Rita Kehl, o relat\u00f3rio deve ser incorporado como um anexo do relat\u00f3rio final da CNV que ser\u00e1 entregue \u00e0 presidenta Dilma Roussef em dezembro deste ano.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>SERVI\u00c7O<\/strong><br \/>O qu\u00ea: Segunda Sess\u00e3o de Audi\u00eancia da CNV para apurar viola\u00e7\u00f5es de Direitos Ind\u00edgenas em Dourados (MS)<br \/>Quando: 25 e 26 de abril de 2014<br \/>Hor\u00e1rio: 7h30 (nos dois dias)<br \/>Onde: Cine audit\u00f3rio da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)<br \/>Endere\u00e7o: R. Jo\u00e3o Rosa G\u00f3es, 1761, Dourados \u2013 MS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Comiss\u00e3o Nacional da Verdade\/Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade realiza sua segunda audi\u00eancia p\u00fablica em Dourados (MS) nos pr\u00f3ximos dias 25 e 26 de abril, no cine-audit\u00f3rio da UFGD. Nesta segunda sess\u00e3o ser\u00e3o apresentados nove casos de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos contra os ind\u00edgenas em Mato Grosso do Sul, ocorridas no per\u00edodo estabelecido pelo mandato da CNV (1946-1988). 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